Morre a pioneira do programa que levou os EUA à Lua
Natalie Muller
8 de outubro de 2026
Considerada a pessoa mais importante no trabalho inovador de desenvolver um software para o programa lunar Apollo da Nasa, Margaret Hamilton faleceu aos 90 anos.
Margaret Hamilton, aqui em foto de 1969, liderou um grupo que programou os computadores usados na missão de pouso na Lua da NasaFoto: AP Photo/picture alliance
A universidade a descreveu como alguém muito influente no setor de desenvolvimento de software, dizendo que ela "abriu novos caminhos na ciência da computação e na engenharia”.
O chefe da Nasa, Jared Isaacmen, prestou homenagem na rede social X, chamando Hamilton de "uma pioneira cujo trabalho ajudou a tornar a [missão] Apollo e as primeiras viagens do homem à Lua possível”.
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Trajetória
Hamilton estudou matemática antes de se mudar para Boston, em Massachusetts, em 1959. Ela começou a trabalhar no MIT logo depois e, em 1965, se candidatou a uma vaga em um laboratório da universidade que estava procurando pessoas para desenvolver software para "levar um homem à Lua". O laboratório tinha ganhado um contrato da Nasa para construir o software de voo de bordo para o programa Apollo.
"Olhando para trás, éramos as pessoas mais sortudas do mundo", disse Hamilton sobre o tempo em que trabalhou na missão ApolloFoto: Wikipedia
Contratada, a americana se tornou a primeira programadora do projeto, disse o MIT, acrescentando que ela também foi a primeira mulhera ocupar esse cargo no projeto. Inicialmente, ela trabalhou no primeiro software para as missões Apollo não tripuladas, antes de ser promovida para liderar a equipe que desenvolvia o software de voo de bordo para as missões tripuladas.
"Em 1968, ela já era diretora-assistente e responsável pela equipe do Módulo de Comando e Serviço [da Apollo], e mais de 400 pessoas trabalhavam no software da Apollo", disse o MIT. "Dizer que Margaret Hamilton foi uma pioneira, como dizer que ela estava à frente de seu tempo, seria um eufemismo e tanto", disse Olivier de Weck, professor do programa Apollo e chefe interino do Departamento de Aeronáutica e Astronáutica do MIT.
"Ela era engenheira de software numa época em que essa área ainda estava engatinhando, e não só desenvolveu códigos avançados sozinha, como também liderou uma equipe no uso dessa tecnologia incipiente, para criar um dos sistemas mais complexos que a humanidade já havia construído", acrescentou de Weck.
Barack Obama concede a Margaret Hamilton a Medalha Presidencial da LiberdadeFoto: ZUMA/IMAGO
"Avanços gigantescos para a humanidade"
Em 2009, Hamilton disse ao MIT News, sobre o tempo em que trabalhou no programa Apollo, que "não havia segunda chance". "Nós sabíamos disso. Levávamos nosso trabalho a sério; muitos de nós começaram essa jornada ainda na casa dos 20 anos de idade."
"Encontrar soluções e novas ideias era uma aventura. Dedicação e comprometimento eram algo natural", acrescentou ela. "Como o software era um mistério, uma 'caixa preta', tínhamos total liberdade e confiança por parte do alto escalão do MIT." "Olhando para trás, éramos as pessoas mais sortudas do mundo; não tínhamos escolha a não ser: ser pioneiros."
Hamilton publicou mais de 130 artigos e fundou suas próprias empresas de software: a Higher Order Software e a Hamilton Technologies. Em 2016, ela recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos EUA, das mãos do então presidente Barack Obama, cuja menção honrosa dizia: "Hamilton definiu novas formas de engenharia de software e ajudou a lançar um setor que mudaria para sempre a história da humanidade. Sua arquitetura de software levou a avanços gigantescos para a humanidade, escrevendo o código que ajudou os Estados Unidos a pisar na Lua."
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Em 1969, Neil Armstrong se tornava o primeiro homem a pisar na Lua. Um passo incrível. Ainda hoje, o satélite terrestre nos fascina – especialmente quando vemos fotos tiradas na época da histórica missão espacial.
Foto: NASA
"Um pequeno passo para um homem"
Primeiros passos na Lua. Ao pisar na superfície lunar, em 20 de julho de 1969, o americano Neil Armstrong disse uma das frases mais famosas de todos os tempos: "Este é um pequeno passo para [um] homem, mas um grande salto para a humanidade." Ainda hoje se discute como e quando o astronauta chegou a essa frase, e se ao dizê-la ele esqueceu o artigo "um". Existem até mesmo estudos sobre isso.
Foto: NASA
A partida
Da sala de controle do Centro Espacial Kennedy (KSC), o diretor do programa Apollo, Samuel C. Phillips, supervisiona as atividades antes da partida, em 16 de julho de 1969. Apollo 11, a primeira missão de pouso lunar, foi lançada com o foguete Saturno 5. A bordo da espaçonave estavam Neil Armstrong, Edwin "Buzz" Aldrin e Michael Collins.
Foto: NASA
TV espacial
Estas três pessoas estavam entre os milhares de curiosos que acamparam em praias e estradas próximas ao Centro Espacial Kennedy, a estação de lançamento da Nasa, no Cabo Canaveral, na Flórida, para acompanhar de perto a partida da Apollo 11. Cerca de um milhão de pessoas foram ao local ver de perto o voo espacial histórico.
Foto: NASA/Kennedy Space Center
Luzes, câmera, ação, decolar!
Mas não apenas milhares de entusiastas estavam presentes, também milhares de repórteres cobriram a partida da missão Apollo 11. Um total de 3.497 jornalistas foi oficialmente credenciado para o acontecimento, e todos se amontoaram na área de imprensa do Centro Espacial Kennedy. Em 16 de julho de 1969, o Saturno 5 decolou.
Foto: NASA
Trabalho em equipe
Um dos tripulantes não pôde pisar na Lua e teve que ficar em órbita. Michael Collins (centro) disse em 2009: "Eu me senti parte do que aconteceu na Lua. Sei que eu seria um mentiroso ou um idiota se dissesse que ocupei o melhor dos três assentos [da Apollo 11], mas posso dizer honestamente que estou satisfeito com o que fiz."
Foto: NASA/Kennedy Space Center
"A águia pousou!", mas...
Às 20h17min58s (UTC) de 20 de julho de 1969, Neil Armstrong fez uma transmissão concisa: "A águia aterrissou!" Mas demorou um pouco até os dois astronautas realmente pisarem na Lua. Primeiro, o voo de retorno tinha que ser preparado. Finalmente, no dia 21 de julho, às 2h56min20s (UTC), chegou o grande momento: Neil Armstrong pisou na superfície lunar.
Esta foto foi tirada por Michael Collins em 21 de julho. O módulo lunar Eagle pode ser visto em seu retorno da Lua; atrás dele, vê-se a superfície lunar e, em seu horizonte, a Terra. Enquanto Armstrong e Aldrin foram os primeiros humanos a pisar na Lua, Collins manteve seu posto no módulo de comando Columbia e ficou à espera em órbita lunar.
Foto: NASA
Amostra n° 10.003
Durante o passeio exploratório de mais de duas horas fora do Eagle, Armstrong e Aldrin coletaram 21,5 quilos de material lunar. Esta pequena rocha é parte dele. A foto foi tirada em 27 de julho, após o retorno à Terra. Durante os seis desembarques lunares, os astronautas coletaram 2.415 amostras, totalizando quase 400 quilos. Elas estão todas listadas no "Catálogo de amostras e fotos lunares".
Foto: NASA/AccuSoft Inc.
Curiosidades astrais
Mas os astronautas deixaram para trás todo tipo de coisa. Este broche de Neil Armstrong ainda é um dos itens mais emblemáticos. O ramo de oliveira de 15 centímetros de comprimento representa a paz. Futuros visitantes também poderão se deparar com bolas de golfe, uma foto de família junto a uma câmera, obras de Andy Warhol ou uma pena de falcão. E cuidado com os excrementos dos astronautas.
Foto: NASA/Johnson Space Center
De volta à Terra
Às 16h50 (UTC) de 24 de julho, a tripulação desembarcou no Pacífico, a 21 quilômetros do porta-aviões USS Hornet e a 1.480 quilômetros a sudoeste do Havaí. Na chegada, os astronautas tiveram que preencher um formulário da alfândega, declarando as rochas lunares. Indagados se eles poderiam ter trazido agentes patógenos, eles responderam: "A ser determinado." E assim foram primeiro para quarentena.
Foto: NASA/Johnson Space Center
Estrelas não apenas em trajes espaciais
Nesta foto, os astronautas da missão Apollo 11 não usam trajes espaciais, mas sombreiros e ponchos. Uma turnê os levou para 24 países e 27 cidades em 45 dias. Os Estados Unidos queriam enfatizar sua disposição de compartilhar seu conhecimento espacial. Os astronautas foram celebrados como estrelas, como aqui, na Cidade do México, em 23 de setembro de 1969.