Madrinha do Samba estava internada desde o início de janeiro e morreu em decorrência de infecção generalizada. Em mais de 50 anos de carreira, cantora emplacou vários sucessos, como "Coisinha do Pai" e "Olho por Olho".
Beth Carvalho desfilou na Mangueira em 2016Foto: Getty Images/Y. Chiba
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A cantora Beth Carvalho morreu nesta terça-feira (30/04), aos 72 anos, no Rio de Janeiro. A artista estava internada desde o início de janeiro no Hospital Pró-Cardíaco, que informou que a causa da morte foi uma infecção generalizada.
Conhecida como a Madrinha do Samba, durante seus mais de 50 anos de carreira, Beth Carvalho se consagrou como um dos maiores nomes da história do gênero musical. Eternizou com sua voz canções como "Andança", "Coisinha do Pai", "Olho por Olho", "As Rosas não Falam" e "Folhas Secas".
No comunicado que anunciou a morte, a assessoria de imprensa da cantora agradeceu o "carinho e a solidariedade" neste momento. "Beth deixa um legado de valor inestimável para a música popular brasileira e sempre será recordada por sua luta pela cultura e pelo povo brasileiro", diz o texto.
Beth Carvalho nasceu em 5 de maio de 1946 no Rio de Janeiro. Aos oito anos, ganhou o primeiro violão. Depois que o pai foi preso na ditadura militar, a jovem começou a dar aulas de música. Aos 19 anos, gravou sua primeira canção "Por quem morreu de amor", de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli.
Em 1969, lançou seu primeiro álbum, "Andança", cuja canção título foi seu primeiro grande sucesso e trouxe fama para a jovem em todo o país. Em 1973, gravou "Canto por um Novo Dia", seu primeiro disco totalmente dedicado ao samba, gênero que a acompanharia para o resto de sua vida. Depois deste sucesso, passou a lançar um álbum por ano.
Em 2009, teve seu trabalho reconhecido ao ser agraciada com um prêmio especial do Grammy Latino por sua obra. Em 2007, seu sucesso "Coisinha do Pai" tocou no espaço. A música foi escolhida pela Nasa para despertar um robô em Marte.
Beth Carvalho se casou com o jogador de futebol Edson de Souza Barbosa em 1979, com quem teve sua única filha, Luana de Carvalho Barbosa.
A sambista sofria há anos de problemas na coluna. Em 2012, foi submetida a uma cirurgia que reduziu sua capacidade de movimento. Os problemas de saúde não a afastaram dos palcos, e ela continuou se apresentado em cadeira de rodas.
CN/efe/ots
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Quer americana, francesa, russa ou árabe, por convicção ou obrigação, há séculos os compositores criam obras destinadas a apoiar ou comentar as revoluções. Mas também há espaço para vozes críticas.
Foto: picture-alliance/akg-images
Melodias e ritmos revolucionários
Compositores de diversos países e épocas têm feito música inspirada por ideias e eventos revolucionários. A Revolução Francesa de 1789, em especial, deixou forte marca em numerosas peças musicais. Porém outros levantes também tiveram sua trilha sonora.
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Canto da independência americana
Até hoje, "Yankee Doodle" é uma das melodias populares mais conhecidas dos Estados Unidos. Ela era a canção dos revolucionários que almejavam se libertar da dominação britânica – coisa que alcançariam em 1776. Thomas Jefferson elaborou a Declaração de Independência, enfatizando a liberdade e igualdade de todos os seres humanos. E a Revolução Francesa abraçou essas ideias.
Músico de Napoleão
Etienne-Nicolas Méhul foi o compositor revolucionário por excelência. A ele Napoleão Bonaparte encomendou um hino famoso na virada do século 18 para o 19, "Le chant du départ" (O canto da partida). Porém o líder esnobou a "Missa solene" de Méhul para sua coroação como imperador. Ao compositor francês fica o mérito de ter inspirado Beethoven na "Quinta sinfonia", apelidada "Do Destino".
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Ópera de salvação
Também o italiano Luigi Cherubini foi contagiado pelo espírito da revolução. Em 1800 sua "ópera de salvação" "Os dois dias, ou O aguadeiro" fez sucesso estrondoso. Esse gênero operístico trata do resgate de uma personagem injustamente perseguida. Aqui, o vendedor de água salva um conde de pagar com a vida por suas ideias progressistas. O obra foi fonte de inspiração para "Fidelio" de Beethoven.
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Fascínio da "Eroica"
Em 1803 a "Sinfonia nº 3" de Beethoven, apelidada por ele "Eroica", rompia com todas as convenções do gênero. Mais longa e dramática do que qualquer obra até então, ela nasceu como verdadeira "música da revolução", em honra a Napoleão. No entanto Beethoven retirou a dedicatória quando o líder francês se fez coroar imperador – traindo, assim, os ideais de liberdade, igualdade, fraternidade.
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Homenagem à Revolução Russa
Sergei Prokofiev compôs em 1937 sua "Cantata pelo 20º aniversário da Revolução de Outubro". Além de um total de 500 instrumentistas e coristas, ela inclui tiros de canhão, metralhadora e sino de alarme. A bombástica obra sobre textos de Marx, Engels e Lenin caiu, no entanto, em desagrado com o ditador Stalin, só sendo estreada em 1966, em versão reduzida.
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Déspota humilhado
O poeta e libertário Lord Byron escreveu em 1814 uma "Ode" à abdicação de Napoleão, em que zombava do imperador. Em 1942, sob a impressão do domínio nazista, Arnold Schoenberg musicou o poema para recitante, piano e quarteto de cordas. Um crítico musical contemporâneo apontou paralelos entre Bonaparte e Hitler – que o compositor politicamente engajado não contradisse.
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Beatles, 1968 e "Revolution"
A primeira canção que os Beatles gravaram para o "álbum branco" foi "Revolution". John Lennon a compôs em 1968, durante uma estada na Índia, inspirado nos protestos estudantis de Paris, na Guerra do Vietnã e no atentado contra Martin Luther King. A "Revolução" dos Beatles, porém, é pacífica, sem tiros nem extremistas violentos.