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Morte de preso por não usar máscara causa revolta no México

5 de junho de 2020

Família denuncia que Giovanni López, morto sob custódia policial, foi agredido e alvejado após ser detido supostamente por descumprir normas para conter pandemia. Incidente gera protestos nas ruas e nas redes sociais.

Protesto pela morte de Giovanni López terminou de forma violenta em Guadalajara
Protesto pela morte de Giovanni López terminou de forma violenta em GuadalajaraFoto: Getty Images/AFP/U. Ruiz

Protestos pela morte de um jovem sob custódia policial, detido supostamente por descumprir normas para evitar a disseminação do novo coronavírus, terminaram em violência nesta quinta-feira (04/06) na cidade de Guadalajara, no México.

Dezenas de pessoas saíram às ruas pedindo justiça para Giovanni López, de 30 anos, que morreu no início de maio na localidade de Ixtlahuacán de los Membrillos, a 40 quilômetros de Guadalajara, no oeste do país. Houve confrontos entre manifestantes e policiais.

O caso, denunciado pelos familiares de López apenas nesta semana, teve enorme repercussão nas redes sociais. O rapaz, que trabalhava na construção civil, foi preso no dia 4 de maio, supostamente, por não usar máscara de proteção enquanto transitava pela rua. Um vídeo divulgado na internet mostra que o jovem, foi detido de forma violenta, diante de familiares, por dezenas de policiais, que o levaram a uma delegacia.

A família afirma que não teve notícias de López até o dia seguinte à prisão, quando a polícia os informou que ele havia sido transferido em estado grave para o Hospital Civil de Guadalajara, onde acabou morrendo no mesmo dia. Segundo parentes, quando o Serviço Médico Forense liberou o corpo, foi possível ver que o jovem tinha recebido vários golpes e um tiro de arma de fogo na perna esquerda.

Os familiares relataram ter recebido ameaças de morte após exigirem esclarecimentos e revelaram que o prefeito de Ixtlahuacán de los Membrillos, Eduardo Cervantes, lhes ofereceu 200 mil pesos (em torno de 46 mil reais) para que não publicassem o vídeo com imagens de sua detenção. O prefeito nega a acusação.

O secretário de Segurança do estado, Macedonio Tamez, afirmou nesta quinta-feira que o jovem foi detido por violar normas e também porque estaria sob efeito de "alguma substância".

Enrique Alfaro, governador de Jalisco, onde fica Ixtlahuacán de los Membrillos, condenou o incidente e disse que o jovem não foi preso por não usar máscara, como recomendado pelas autoridades como medida de prevenção contra a covid-19.

"O que ocorreu em Ixtlahuacán de los Membrillos é uma atrocidade que resultou da atuação da autoridade municipal. A Promotoria do estado está concluindo as investigações para saber o que realmente aconteceu", disse o governador, prometendo punir os responsáveis com "todo o peso da lei".

O escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (EACDH ) no México exigiu que as autoridades locais realizem "uma investigação rápida, eficiente, exaustiva, independente, imparcial e transparente" sobre o caso.

O cineasta mexicano Guillermo del Toro se uniu à onda de indignação que ganhou as redes sociais no país e pediu justiça. "Há mais de um mês não há respostas, não há prisões [...] Não faz sentido – a loucura absoluta – que ocorra um assassinato em nome de uma questão de saúde pública", afirmou o premiado diretor de cinema em seu perfil no Twitter.

O ganhador do Oscar em 2018 pelo filme A forma da água, já havia criticado o governo de Jalisco, seu estado natal, por abusos da polícia contra cidadãos sobre o pretexto de não estarem usando máscaras de proteção. Ele compartilhou no Twitter o suposto vídeo da prisão de López.

O México, com 120 milhões de habitantes, tem mais de 105 mil casos confirmados de covid-19 e 12,5 mil mortes, enquanto o governo planeja a reabertura da economia do país. Nesta quarta-feira, o país registrou mais de mil mortes em decorrência da doença em 24 horas pela primeira vez.    

Novos protestos pela morte de López foram convocados para esta sexta-feira através das redes sociais, em frente à residência do governador de Jalisco.

RC/efe/afp

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