Negociação entre Rússia e Ucrânia termina sem avanço
16 de maio de 2025
Primeira conversa entre representantes dos dois países desde março de 2022 durou menos de duas horas. Encontro ocorreu sem presença de Putin e Zelenski.
As delegações ucraniana (esquerda) e russa (direita) reunidas em IstambulFoto: Ramil Sitdikov/AP Photo/picture alliance
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Representantes da Rússia e da Ucrânia finalizaram nesta quinta-feira (15/05) a primeira conversa oficial entre os dois países desde março de 2022, em uma reunião em Istambul, na Turquia, sem nenhum avanço sobre o fim da guerra.
O encontro durou menos de duas horas e não contou com a presença do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, nem do presidente russo, Vladimir Putin.
À agência de notícias AP, um representante do governo ucraniano acusou Moscou de fazer "exigências inaceitáveis" para provocar o fracasso das negociações.
A fonte não identificada disse que, como pré-condição para um cessar-fogo, a Rússia exigiu que a Ucrânia retirasse seus militares de grande parte do seu território, de uma forma que não havia sido previamente discutida.
"Isso deve acontecer imediatamente para interromper a matança e criar uma base sólida para a diplomacia”, disse o presidente ucraniano em coletiva de imprensa. "E se os representantes russos em Istambul hoje não conseguirem sequer concordar com isso, com um cessar-fogo, então ficará 100% claro que Putin continua a minar a diplomacia".
Já a Rússia defende que deseja abordar as "causas raiz" do conflito e reviver as negociações frustradas de de março 2022, ocorrida algumas semanas após o início da guerra e nas quais fez exigências territoriais e políticas amplas à Ucrânia.
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Expectativas eram baixas
O Departamento de Estado dos EUA emitiu um breve comunicado sobre a presença do secretário de Estado Marco Rubio em Istambul, afirmando que o enviado da Casa Branca discutiu com o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, e o ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, sobre "a importância de buscar um fim pacífico para a guerra".
Foi Putin quem inicialmente propôs as conversas diretas na Turquia, mas depois recusou um desafio de Zelenski para encontrá-lo pessoalmente em Istambul. Em vez disso, ele enviou uma equipe do médio escalão, e a Ucrânia respondeu nomeando negociadores de nível semelhante.
A expectativa de um grande avanço no encontro, que já era baixa, diminuiu ainda mais na quinta-feira, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, encerrando uma turnê pelo Oriente Médio, disse que não haveria nenhum movimento importante sobre a guerra na Ucrânia sem uma reunião entre ele e Putin.
lp/bl (AP, AFP)
Guerra na Ucrânia completa três anos
Resistência militar, milhões de refugiados, milhares de mortes e o medo da retirada dos EUA: uma retrospectiva do drama no país do Leste Europeu desde a invasão russa em fevereiro de 2022.
Foto: Narciso Contreras/Anadolu/picture alliance
Exército russo se posiciona
Imagens de satélite mostram tanques e tropas russas em Yelnya, na Rússia, perto da fronteira com a Ucrânia. Em 11 de novembro de 2021, o então secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, alertou o presidente russo, Vladimir Putin, sobre os riscos que resultariam caso suas tropas invadissem a Ucrânia. Putin ignorou os alertas e ordenou a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.
Foto: Maxar Technologies/AFP
Invasão da Ucrânia
A ofensiva militar russa contra a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022 resultou em ataques com mísseis nas cidades de Kiev, Odessa e Kharkiv. Um prédio militar foi incendiado na capital ucraniana. A guerra, chamada por Moscou de "operação militar especial", havia começado.
Foto: Efrem Lukatsky/AP Photo/picture alliance
O trauma de Bucha
Após algumas semanas, o exército ucraniano expulsou tropas russas das cidades do norte e do nordeste. O plano das forças de ocupação de cercar Kiev fracassou. As atrocidades cometidas pelos militares russos foram reveladas durante a libertação dos territórios. As imagens de civis torturados e mortos em Bucha, perto de Kiev, deram a volta ao mundo. Autoridades registraram 461 mortes.
Foto: Serhii Nuzhnenko/AP Photo/picture alliance
Vida em ruínas
Nos planos de Moscou, a invasão deveria durar três dias e terminar em vitória. De acordo com o Instituto para o Estudo de Guerra, o Kremlin agora controla 20% do território ucraniano, principalmente no leste.
Foto: Sofiia Gatilova/REUTERS
Eleições nos territórios ocupados pela Rússia
Desde setembro de 2022, a Rússia anexou as regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson. Um ano depois, Moscou realizou eleições nas mesmas regiões. O partido Rússia Unida saiu vitorioso em todas as votações, apontadas amplamente como fraudulentas.
Foto: Alexander Ermochenko/REUTERS
Nove milhões em fuga
A guerra na Ucrânia provocou uma onda de refugiados na Europa sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial. De acordo com a ONU, 3,7 milhões de ucranianos estão internamente deslocadas no país. Outros seis milhões fugiram da Ucrânia, e a maioria foi acolhida pela Polônia e Alemanha.
Foto: Hannibal Hanschke/Getty Images
Mariupol, símbolo da resistência ucraniana
O cerco à cidade de Mariupol, no sul da Ucrânia, durou 82 dias. A cidade foi fortemente bombardeada e os últimos defensores ucranianos se entrincheiraram na siderúrgica de Azovstal. A foto de uma mulher grávida sendo retirada da maternidade deu a volta ao mundo.
Foto: Evgeniy Maloletka/AP/dpa/picture alliance
Ponte da Crimeia em chamas
Com 19 quilômetros de comprimento, a Ponte da Crimeia é a mais longa da Europa. Explosões danificaram severamente a ponte em outubro de 2022, que ficou apenas parcialmente transitável. Em junho de 2023, um novo ataque causou mais danos. O ministro da Defesa ucraniano admitiu que o serviço secreto do país estava por trás dos ataques.
Foto: Alyona Popova/TASS/dpa/picture alliance
Inundações em larga escala
Em 6 de junho de 2023, a barragem de Kakhovka, no rio Dnipro, foi deliberadamente explodida. A Rússia e a Ucrânia culparam uma à outra. A barragem estava sob controle russo na época. Ocorreram grandes inundações, e milhares perderam suas casas.
Foto: Libkos/AP Photo/picture alliance
Infraestrutura de energia destruída
Os ataques russos têm mirado repetidamente a rede elétrica. Em junho de 2024, o ministro de Energia da Ucrânia anunciou que 80% das usinas térmicas e mais da metade das hidrelétricas haviam sido atacadas. O resultado foram cortes significativos de energia e o agravamento da situação humanitária, principalmente no inverno.
Foto: Sergey Bobok/AFP
Ataques ucranianos em território russo
Em agosto de 2024, as forças armadas ucranianas lançaram uma ofensiva em território russo pela primeira vez. Inicialmente, conseguiram controlar cerca de 1,4 mil quilômetros quadrados na região de Kursk. Desde então, perderam novamente dois terços do território ocupado.
Foto: Roman Pilipey/AFP/Getty Images
Guerra dos drones
Os drones viraram um artefato de guerra central na Ucrânia. Ambos os lados usam os veículos aéreos não tripulados para reconhecimento e vigilância, mas também para ataques direcionados.
Três anos de guerra deixaram marcas profundas na sociedade e no território ucranianos. No leste e no sul, muitas cidades e vilarejos foram severamente devastados pelos ataques russos. Várias se tornaram cidades fantasma, como o vilarejo de Bohorodychne, na região de Donetsk.
Longe do front, os problemas não são imediatamente visíveis. A vida continua para alguns, com lojas, cafés e restaurantes abertos. Geradores de energia viraram um antídoto contra cortes de energias.
Foto: Oleksandr Kunytskyi/DW
Trump, um agente de mudança?
Durante a campanha eleitoral, o então candidato Donald Trump afirmou que poderia acabar com a guerra em 24 horas. Em mais de um mês de mandato, ainda não conseguiu. Entretanto, sua aproximação com a Rússia e o simultâneo distanciamento da Ucrânia geraram preocupações crescentes entre ucranianos sobre a possibilidade de a guerra terminar em breve sob termos ainda desconhecidos.