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Negociações sobre paz na Ucrânia terminam sem acordo

31 de janeiro de 2015

Após quatro horas de conversas, representantes de Kiev e dos rebeldes separatistas encerram encontro na capital de Belarus sem consenso para um cessar-fogo. Confrontos se intensificaram nos últimos dias.

Minsk Gespräche zur Ukraine-Krise - Ankunft Leonid Kuchma 31.01.2015
Foto: Reuters/V. Fedosenko

Terminou sem consenso a nova rodada de negociações de paz entre representantes do governo da Ucrânia e dos rebeldes separatistas realizada neste sábado (31/01), em Minsk. Após quatro horas de conversas, Kiev acusou insurgentes de não colaborarem na busca de um acordo, de fazerem ultimatos e se recusarem a discutir propostas de cessar-fogo.

O ex-presidente ucraniano Leonid Kutchma, enviado de Kiev à capital de Belarus, afirmou à agência de notícias Interfax que os dois separatistas presentes se recusaram a buscar um plano de medidas para um rápido cessar-fogo e para a retirada de armas pesadas.

O encontro do chamado "grupo de contato" começou no início da tarde numa residência oficial de Minsk e reuniu, além de Kutchma, a representante da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) Heidi Tagliavini, o embaixador russo em Kiev, Mikhail Zurabov, e os enviados dos separatistas pró-russos Denis Pushilin e Vladislav Deinego.

Em meio à crescente tensão na região, a OSCE afirmara antes do encontro que esta reunião deveria levar à assinatura de "um documento vinculativo para um cessar-fogo imediato e uma retirada das armas pesadas da linha de frente".

Guerra prossegue

Enquanto os representantes se encontravam em Belarus, confrontos entre insurgentes pró-Rússia e tropas de Kiev continuaram no leste ucraniano durante o sábado. De acordo com o ministro ucraniano de Defesa, Stepan Poltorak, pelo menos 15 soldados morreram e 30 ficaram feridos durante confrontos neste sábado.

Confrontos entre soldados ucranianos (foto) e rebeldes separatistas intensificaram-se no leste da UcrâniaFoto: Reuters/M. Levin

Na sexta-feira, data inicialmente marcada para o encontro, separatistas ameaçaram ampliar sua ofensiva "até a libertação total das regiões de Donetsk e Lugansk", grande parte das quais ainda sob controle do exército ucraniano. No mesmo dia, pelo menos 24 pessoas morreram em ataques com foguetes em Donetsk, considerada capital separatista pelos insurgentes.

Combates também continuam em Debaltseve, a 50 quilômetros de Donetsk. A cidade, sob controle de Kiev, é estrategicamente importante – ela faz a ligação ferroviária entre Donetsk outra cidade rebelde, Lugansk. Segundo Poltorak, forças separatistas obtiveram controle "parcial" de Debaltseve, onde os rebeldes afirmam ter encurralado 8 mil soldados ucranianos.

Ainda na sexta-feira, os rebeldes afirmaram ter ocupado Vuglegirsk, a 10 quilômetros de Debaltseve. O porta-voz das Forças Armadas ucranianas, Andriy Lysenko, disse, porém, que os confrontos na cidade continuam.

Em 24 de dezembro, última rodada de conversações após o fracassado cessar-fogo assinado em setembro passado, não houve acordo entre Kiev e separatistas. Desde então, a situação no leste da Ucrânia se agravou, com os rebeldes lançando, em meados de janeiro, uma nova ofensiva contra as forças ucranianas, a fim de expandir o controle sobre territórios na região sudeste, mais industrializada.

As duas partes trocam acusações de uso de artilharia e morteiros contra civis, e de colaborarem para o aumento do número de mortos no conflito, que já passa de 5,1 mil.

Putin conversa com Merkel e Hollande

Países ocidentais acusam Moscou de armar e treinar os militantes rebeldes, que têm feito vasto uso de armas e equipamentos, como tanques e lançadores de foguetes. A Rússia nega a acusação de que estaria enviando soldados e armas ao leste ucraniano em apoio aos separatistas, os quais garantem que o armamento é obtido de tropas ucranianas capturadas.

Neste sábado, Putin conversou por telefone com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e com o presidente francês, François Hollande, sobre o aumento da violência no sudeste da Ucrânia. Segundo o Kremlin, Putin afirmou esperar que o cessar-fogo seja a questão principal trabalhada durante o encontro em Minsk.

MSB/rtr/afp/lusa

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