Premiado como melhor filme, longa também rendeu as estatuetas de melhor atriz à protagonista Frances McDormand e de melhor diretora a Chloé Zhao, a segunda mulher da história a vencer na categoria.
Chloé Zhao tornou-se a segunda mulher da história e a primeira não branca a vencer como melhor diretoraFoto: ABC/AP/pictutre alliance
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Nomadland, que narra a história comovente de uma mulher que decide viver em sua van e viajar pelo Oeste dos Estados Unidos, foi anunciado como o vencedor do Oscar 2021 de melhor filme neste domingo (26/04), numa cerimônia diferente do habitual devido à pandemia.
Também foi uma grande noite para a diretora do longa, Chloé Zhao, que levou para casa a estatueta de melhor diretora. Nascida na China, Zhao não apenas dirigiu Nomadland, mas também escreveu o roteiro e editou o filme. Foi a segunda vez na história que uma mulher venceu na categoria melhor direção.
Já havia sido considerado uma sensação o fato de duas mulheres, Zhao e Emerald Fennell, estarem na corrida pelo prêmio de melhor direção no mesmo ano – algo inédito no Oscar. Até agora, Kathryn Bigelow era a única mulher a receber a estatueta, por seu filme Guerra ao Terror, em 2010.
Além de Zhao, outra mulher saiu como grande vencedora de Nomadland: Frances McDormand recebeu sua terceira estatueta de melhor atriz por seu papel como protagonista do filme, o qual ela também produziu.
Frances McDormand em "Nomadland": protagonista recebeu estatueta de melhor atrizFoto: ZUMA Wire/imago images
Um ano diferente
Diferentemente de outras premiações durante a pandemia, incluindo a do Oscar 2020, a deste ano ocorreu de maneira presencial, mas de modo bastante restrito, somente com a presença dos indicados, apresentadores e alguns convidados.
A 93ª cerimônia do Oscar foi realizada na Union Station e no Dolby Theatre, em Los Angeles. Todos os indicados e convidados precisaram apresentar um mínimo de dois testes PCR para covid-19.
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Cerimônia marcada por diversidade
Neste ano, o Oscar – historicamente dominado por homens brancos – se destacou pelas várias estatuetas concedidas a mulheres e a pessoas não brancas, entre elas Zhao.
O ator Daniel Kaluuya venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante por sua interpretação do jovem ativista Fred Hampton no filme Judas e o messias negro. Hampton foi assassinado pelo FBI em 1969 após um informante se infiltrar na agremiação que presidia, o Partido dos Panteras Negras. Fred Hampton Jr. Trabalhou como consultor no filme, que contou apenas com integrantes negros na equipe de produção.
Anthony Hopkins surpreendeu ao levar o Oscar de melhor ator pelo filme Meu pai, no qual interpreta um homem com demência que recebe os cuidados da filha, interpretada por Olivia Colman. Um dos concorrentes de Hopkins, de 83 anos, era Chadwick Boseman, que morreu aos 43 anos em agosto do ano passado, após uma longa batalha contra um câncer. Esta foi a segunda estatueta de melhor ator recebida por Hopkins – 30 anos depois da que levou para casa por O silêncio dos inocentes.
Olivia Colman e Anthony Hopkins em cena de "Meu pai": protagonista venceu na categoria melhor atorFoto: Sean Gleason/Sony Pictures Classics/AP/dpa/picture alliance
Também fez história a veterana atriz coreana Yuh-Jung Youn, que ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo filme Minari, sobre uma família coreana que começa uma nova vida em Arkansas, nos EUA. Ela se tornou a primeira pessoa coreana a ganhar um Oscar por sua atuação e a segunda atriz asiática a receber uma estatueta.
O prêmio de melhor roteiro original foi para o filme Bela vingança, de Emerald Fennell. Foi o primeiro longa-metragem da atriz e roteirista, que trabalhou como roteirista principal da popular série de TV Killing Eve.
A estatueta de melhor roteiro adaptado foi para Meu pai, de Christopher Hampton e Florian Zeller.
Soul, o primeiro filme da Pixar com um protagonista afro-americano, venceu na categoria de melhor animação. Um dos compositores do filme, Jon Batiste, se tornou o segundo compositor negro a receber uma estatueta.
Daniel Kaluuya venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante por seu papel em "Judas e o messias negro"Foto: Chris Pizzello/REUTERS
Novas possibilidades na pandemia
A pandemia possibilitou que filmes de menor orçamento lançados via serviços de streaming tivessem uma chance de levar para casa um prêmio, uma vez que as datas de lançamento de blockbusters de Hollywood como West Side Story, de Steven Spielberg, e The French Dispatch, de Wes Andersen, foram adiadas por causa da crise.
A produção da Netflix Manklevou os prêmios de melhor fotografia e de design de produção. O filme preto e branco de ritmo lento sobre o roteirista de Cidadão Kane, Herman J. Mankiewicz, havia recebido dez indicações.
O filme de Netflix A voz suprema do blues venceu nas categorias melhor maquiagem e cabelo e melhor figurino. Viola Davis foi indicada a melhor atriz pelo longa, tornando-se a atriz negra mais indicada ao Oscar da história.
O prêmio de melhor documentário foi para a produção da Netflix Professor Polvo.
Após levar a primeira estatueta de melhor filme internacional por "Ainda Estou Aqui", país volta à premiação com "O Agente Secreto" na disputa por quatro categorias. Veja a trajetória de brasileiros na premiação.
Foto: Capital Pictures/IMAGO
"Orfeu negro"
Em 1960, "Orfeu negro", uma coprodução entre Brasil, França e Itália, ganhou a estatueta de melhor filme estrangeiro. Por representar a França, os louros ficaram com os europeus. Mas durante 65 anos foi o único filme de língua portuguesa a ganhar um Oscar.
Candidatos a melhor filme estrangeiro
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, "O pagador de promessas", de Anselmo Duarte, garantiu a primeira indicação para o Brasil, em 1962. Em 1995, a história de dois casais de imigrantes italianos vivendo sob o mesmo teto rendeu uma indicação a "O quatrilho", de Fabio Barreto. Dois anos depois, seu irmão, Bruno Barreto (foto), foi indicado na mesma categoria, por "O que é isso companheiro?".
Foto: picture-alliance/dpa
Melhor filme
Esnobado na categoria de filme estrangeiro, "O beijo da mulher aranha" (1985), coprodução com os EUA, foi o primeiro longa latino-americano indicado como melhor filme. A amizade entre um preso político (Raul Julia) e um homem homossexual (Will Hurt) em um presídio brasileiro também rendeu indicações de melhor roteiro adaptado e diretor (Hector Babenco). Hurt venceu como melhor ator.
Foto: 2015 ICRA LLC
"Central do Brasil"
Depois de levar o Urso de Ouro na Berlinale, "Central do Brasil", de Walter Salles, partiu para uma triunfante carreira internacional. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1999, o drama sobre a amizade de um menino abandonado e uma mulher desiludida de meia-idade levou também a indicação inédita de melhor atriz para Fernanda Montenegro. Mas nenhum dos dois prêmios foi para o Brasil.
Foto: picture-alliance/dpa/Buena_vista
Melhor curta-metragem
Brasileiros ainda emplacaram duas indicações em melhor curta-metragem. Diretor de sucessos como "A era do gelo 2", o carioca Carlos Saldanha (foto) foi indicado, em 2002, pela animação americana "Gone nutty". "Uma história de futebol" também levou Paulo Machline aos finalistas do prêmio, em 2001. O curta recria passagens da infância de Pelé e de Zuza, seu companheiro de pelada na cidade de Bauru.
Foto: Charley Gallay/Getty Images
Melhor direção
Apesar do sucesso comercial no exterior, "Cidade de Deus" foi esnobado ao prêmio de filme estrangeiro em 2004. Mas o frenético retrato do crescimento do crime organizado na favela carioca teve indicações a melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor fotografia. Fernando Meirelles também foi indicado como melhor diretor, mas quem levou a estatueta foi Peter Jackson, por "O Senhor dos Anéis".
Foto: imago/United Archives
Melhor canção original
O primeiro brasileiro indicado ao Oscar foi o compositor Ary Barroso (foto), autor de "Aquarela do Brasil". Ele foi um dos finalistas ao prêmio pela canção "Rio de Janeiro", do filme "Brasil", em 1945 — uma produção americana. Mais de meio século depois, em 2012, Carlinhos Brown e Sergio Mendes voltaram a representar o país na categoria com "Real in Rio", parte da trilha sonora da animação "Rio".
Foto: Brasilianisches Nationalarchiv - Arquivo Nacional
Os pré-selecionados
Por anos, a seleção de inscritos na disputa pelo Oscar coube a uma comissão do Ministério da Cultura. Desde 1954, com "O cangaceiro", de Lima Barreto, foram mais de 45 títulos, mas só quatro ficaram entre os finalistas. Em 2014, "Hoje eu quero voltar sozinho" (foto), de Daniel Ribeiro, não conseguiu uma indicação. Desde 2021, a seleção passou a ser feita pela Academia Brasileira de Cinema.
Foto: D. Ribeiro
Melhor documentário
"O Sal da Terra", de Wim Wenders e Juliano Salgado, disputou o Oscar de melhor documentário em 2015. O filme retrata a história do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, pai de Juliano. O Brasil havia concorrido antes na categoria, em 2011, por "Lixo Extraordinário", que conta a história de um projeto social no aterro do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Os filmes não foram premiados.
Foto: Wim Wenders/NFP*
Candidato em 2020
"Democracia em vertigem", da diretora Petra Costa, concorreu à estatueta de melhor documentário em 2020, mas perdeu o prêmio para "Indústria americana". O filme brasileiro, incluído na lista dos melhores do ano do "New York Times", aborda a ascensão e queda do PT e a polarização entre esquerda e direita no país. Foi a última produção brasileira a ser finalista do Oscar antes de 2025.
Foto: Netlix/Divulgação
"Ainda Estou Aqui" conquista Oscar de melhor filme internacional
"Ainda Estou Aqui" já tinha feito história ao ser indicado para três categorias do Oscar. Em 2025, conquistou a estatueta de melhor filme internacional. O filme de Walter Salles, sobre a ditadura, foi é a primeira produção totalmente brasileira a disputar o prêmio de melhor filme. Anora, de Sean Baker, venceu nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz, pelas quais o Brasil também concorria.
Foto: Capital Pictures/IMAGO
"O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, disputa 4 categorias do Oscar 2026
Após abocanhar os prêmios de melhor filme internacional e melhor ator em Cannes e no Globo de Ouro, "O Agente Secreto" foi indicado a quatro categorias do Oscar, a principal premiação de Hollywood: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator e direção de elenco. A obra estrelada por Wagner Moura (ao centro) retrata um Brasil embrutecido pela ditadura militar.