Nova nota de euro reacende debate sobre país de Marie Curie
25 de julho de 2025
Banco Central Europeu recebeu reclamações de diplomatas poloneses e admiradores sobre o nome completo da cientista, que poderá estampar as próximas cédulas de 20 euros.
Quando Marie nasceu, sua cidade fazia parte do Império Russo, mas ela nunca perdeu o senso de identidade polonesaFoto: Bianchetti/Leemage/picture alliance
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Onde nasceu Marie Curie (1867-1934), cientista duas vezes vencedora do Prêmio Nobel conhecida principalmente por suas pesquisas pioneiras sobre a radioatividade?
Se você pensou na França, saiba que não é a única pessoa a cair no erro. Marie adotou o sobrenome de seu marido e parceiro de trabalho francês, Pierre, mas ela nasceu Maria Skłodowska, em Varsóvia, atual capital da Polônia.
É fato que sua história está muito ligada à França, onde há várias ruas, escolas e instituições científicas com seu nome – acompanhado ou não do marido. Ela viveu no país por mais de três décadas, onde sua carreira e pesquisas deslancharam.
Foi a primeira mulher a se tornar professora na Universidade de Paris e, em 1995, 60 anos após sua morte, tornou-se a primeira mulher a ser sepultada por seus próprios méritos no Panteão de Paris – seguida pela política Simone Veil.
Em 1903, quando ganhou seu primeiro Nobel, de física, juntamente com Pierre, ela foi creditada apenas como Marie Curie.
Mas na segunda laureação, em 1911, desta vez na área de química, Pierre já havia morrido, e ela decidiu-se pelo nome composto Marie Skłodowska-Curie, que marcava sua origem polonesa. A assinatura não se tornou popular, gerando uma disputa simbólica entre poloneses e franceses.
Marie Skłodowska-Curie é a única mulher na famosa foto da Conferência de Solvay, em 1927, um dos encontros mais icônicos da história da ciênciaFoto: Whiteimages/Leemage/picture alliance
20 euros da discórdia
Essa querela ganhou novos contornos recentemente, com uma chamada do Banco Central Europeu (BCE) para a formulação de novos modelos de cédulas do euro.
Sob o tema "Cultura Europeia", a instituição elencou algumas personalidades que poderão estampar as notas, entre elas Marie Curie – escrito dessa forma –, gerando alvoroço entre os poloneses.
Segundo apurou o site Politico, diplomatas poloneses em Bruxelas alertaram a instituição sobre a imprecisão. O governador do Banco Central da Polônia, Adam Glapiński, também se manifestou, enviando uma carta à presidente do BCE, Christine Lagarde. Parlamentares europeus poloneses — e alguns não poloneses simpatizantes do feminismo de Marie — também escreveram para protestar, relata o veículo.
No site do BCE, agora a informação está atualizada para "Marie Curie (nascida Skłodowska)". A instituição abriu um concurso para eleger as melhores propostas e espera concluir esse processo em 2026. Ainda não há previsão para a impressão das novas cédulas.
"Estou muito satisfeito que o BCE tenha atendido às preocupações polonesas e ajustado o design da nova nota de € 20 para refletir a herança polonesa de Marie Skłodowska-Curie", disse o eurodeputado conservador Janusz Lewandowski ao Politico.
Os poloneses têm uma moeda própria – o zloty – e não usam o euro, mas dão sinais de que não deixarão o assunto esfriar.
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Questão polonesa
"Por que os poloneses são tão obcecados pelo fato de Marie Skłodowska-Curie ser polonesa?" – provoca a escritora e apresentadora polonesa Karolina Żebrowska em vídeo no seu canal do YouTube.
Ela lembra que a Polônia carrega o trauma de ter sofrido tentativas de ser apagada da história europeia por vizinhos de todos os lados, e foi removida do mapa três vezes nos últimos três séculos.
Żebrowska propõe um olhar sobre a Polônia do tempo de Marie, que nem existia formalmente quando ela nasceu. Sua cidade, Varsóvia, era parte do Império Russo. Durante mais de um século, ativistas nacionalistas brigaram pela independência do país, o que levou as autoridades russas a impor uma política de repressão e apagamento da cultura polonesa, banindo língua, costumes e história.
Impedida de continuar os estudos, Marie foi para a França em 1891, com 24 anos de idade. Seu país recuperou a soberania só após a Primeira Guerra Mundial, em 1918, com o enfraquecimento dos impérios Alemão (Prússia), Austro-Húngaro e Russo, que partilhavam o domínio do território polonês naquela época.
Mas Marie nunca perdeu seu senso de identidade polonesa, que foi passado por sua mãe clandestinamente. Ela, por sua vez, ensinou o idioma às filhas e as levou para a Polônia algumas vezes. E homenageou seu país dando ao primeiro elemento químico que descobiu o nome de polônio.
sf/bl (ots)
Há 150 anos nascia cientista que foi pioneira na pesquisa da radioatividade. Num período em que a ciência era dominada pelos homens, ela também foi a primeira pessoa a ser laureada com dois prêmios Nobel.
Foto: imago/United Archives International
Filha de educadores
Maria Salomea Sklodowska (no meio da foto, ao lado dos irmãos mais velhos Zosia, Hela, Josef e Bronya), mais tarde conhecida como Marie Curie, nasceu em 7 de novembro de 1867 em Varsóvia, quando a Polônia ainda fazia parte do Império Russo. O pai, Vladislav, era professor de matemática e física, e a mãe, Bronislava, era diretora de um colégio interno para meninas.
Foto: imago/United Archives International
Morte da mãe
A mãe, Bronislava, estudou no mesmo colégio interno para meninas onde mais tarde foi professora e diretora. Quando ela morreu, Maria tinha 13 anos.
Foto: imago/United Archives International
Melhor da classe
Maria terminou o ensino médio em 1883. Aos 15 anos, foi a melhor da classe. Mas naquela época a universidade era tabu para garotas na Polônia. Como seu pai não podia financiar um curso no exterior, ela dava aulas particulares a filhos de famílias ricas e ensinava filhos de camponeses a ler e escrever. Enquanto isso, frequentavas cursos organizados clandestinamente.
Foto: picture-alliance/dpa
Estudo em Paris e descoberta da radioatividade
Em 1891, ela se mudou para Paris, para estudar Física na Sorbonne. Na época, havia 23 mulheres entre os 1.825 estudantes da universidade. Foi nesse período que começou a ser chamada de Marie. Embora tivesse dificuldades com o idioma, ela passou em todas as provas. Em 1896, ela descobriu com o colega Henri Becquerell que o sulfato de potássio e uranila provocava manchas em chapas fotográficas.
Foto: picture-alliance/dpa
Paixão pelo colega de pesquisas
Em 1894, ela conheceu Pierre Curie, que então chefiava o laboratório de pesquisas da Escola Superior de Física e Química Industrial de Paris. A paixão comum pela pesquisa os aproximou tanto que eles se casaram em 26 de julho de 1895.
Foto: imago/Leemage
Pesquisas com substâncias radioativas
Marie continuou pesquisando a radioatividade. Entre outros, com este equipamento, o eletrômetro piezoelétrico, que pode medir a condutividade elétrica do ar contendo o elemento rádio. Em 1898, Marie e Pierre, usando um espectroscópio, conseguiram provar a existência do Polônio. O nome da substância é uma homenagem ao país natal de Marie.
Foto: imago/United Archives International
A tese de doutorado
Em 1903, Marie Curie publicou sua tese de doutorado sobre substâncias radioativas, o que causou grande alvoroço na comunidade científica. Em questão de um ano, a tese foi traduzida para cinco idiomas e publicada 17 vezes. Nesta época começam a se manifestar no casal Curie os primeiros sintomas pela forte exposição à radiação.
Foto: gemeinfrei
O Nobel de Física
Ainda em 1903, o casal Curie recebeu o Prêmio Nobel de Física, "em reconhecimento aos extraordinários serviços que desenvolveram com suas pesquisas conjuntas sobre os fenômenos da radiação descobertos pelo professor Becquerel".
Foto: gemeinfrei
Duas órfãs de pai
A primeira filha de Marie, Irene, nasceu em 1897. A segunda, Ève, nasceu em 1904. O pai, Pierre, morreu dois anos mais tarde, atropelado por uma carruagem. Por recomendação da faculdade, Marie Curie assumiu a direção do laboratório dirigido pelo marido.
Foto: imago/United Archives International
Pioneira não só na pesquisa
Marie foi a primeira mulher no mundo a receber, em 1908, uma cátedra de Física. Ela lecionou no Instituto do Rádio, fundado por ela e o marido em Paris. O instituto foi fundamental na definição de padrões internacionais de medição da radioatividade. Em homenagem ao casal, a unidade de medida chama-se curie. Em 1911, ela ganhou o Nobel de Química pela descoberta dos elementos rádio e polônio.
Foto: Getty Images/Three Lions
Contribuição durante a 1ª Guerra
Durante a Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, Marie dedicou-se em seu instituto a pesquisas para a medicina. Ela desenvolveu, por exemplo, unidades móveis de raio X, que os paramédicos podiam usar na frente de batalha. Na foto, aparecem Marie e a filha Irene com a Força Expedicionária Americana.
Foto: imago/United Archives International
Visita aos Estados Unidos
Em 1920, ela viajou aos Estados Unidos. A imprensa da época a celebrou mais como curandeira do que como pesquisadora. Além de visitar a Casa Branca (na foto, com o então presidente Warren Harding) e fazer um programa turístico, ela fez palestras a universitários e visitou institutos de pesquisa e empresas químicas.
Foto: imago/United Archives International
Empenho pela cooperação internacional
Durante a viagem, Marie Curie recebeu nove títulos honoris causa de universidades americanas. De volta à França, ela usou a fama para apoiar a recém-formada Liga das Nações e solicitar uma maior cooperação internacional no campo da pesquisa. Entre outras coisas, ela defendia diretrizes vinculativas para publicações, a proteção de direitos autorais e bolsas de estudo.
Foto: imago/United Archives International
Filha também ganhou Nobel
Marie morreu em 4 de julho de 1934, deixando a uma das filhas a paixão pela pesquisa. Irene, a mais velha, também se tornou uma física famosa. Na foto de 1963, ela aparece ao lado do marido, Jean-Frederic Joliot-Curie. Ambos receberam o Nobel de Química de 1935 pela descoberta da radioatividade artificial.