Na Alemanha, o tradicional "Förster", ou guarda florestal, tem a missão de proteger as florestas e os animais que nelas habitam. Profissão exige conhecimentos complexos, de ecologia à economia.
"Förster" é profissão com raízes na Idade MédiaFoto: picture-alliance/dpa/M. Becker
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Ele é especialista em regeneração das florestas e conhece cada espécie que vive entre os troncos e galhos. Com uma lata de spray, identifica as árvores em risco de queda que precisam ser derrubadas, assim como as que devem permanecer fortes e saudáveis no futuro e as que pássaros usam para fazer ninhos. O Förster – guarda florestal alemão – tem a missão de proteger as florestas e os animais que nelas habitam.
Alguns ainda mantêm o tradicional modo de se vestir ao desbravar a floresta: uma jaqueta verde, um chapéu com pena e uma espingarda nas costas. A profissão com raízes na Idade Média exige conhecimentos complexos, de conservação florestal à economia.
O responsável pelas florestas estatais da Alemanha não está focado no lucro com a venda de madeira. Mais do que ter habilidades para ver oportunidades de negócios, o Förster é, acima de tudo, um ambientalista preocupado em promover a diversidade de espécies e manter o equilíbrio da natureza.
Muitos guardas florestais também têm habilidades de caça. Eles precisam saber quais animais podem ameaçar árvores jovens e controlar o número de populações. O cão é um amigo fiel do Förster nas andanças pelas florestas. O companheiro encontra animais feridos e identifica esconderijos.
A profissão de guarda florestal tem uma antiga tradição na Alemanha. Na Idade Média, os chamados guardiões florestais tinham como uma de suas funções a de proteger as árvores de ladrões de madeira.
Além de conhecer a alma da floresta, o Förster precisa ter conhecimentos em direito civil e florestal e administração. Na verdade, na maior parte do tempo, o guarda florestal fica no escritório. É preciso fazer relatórios sobre a implementação de diretrizes da União Europeia (UE) e gerenciar corte e venda da madeira, entre outras funções.
Para se tornar Förster, é necessário ter formação acadêmica em ciências florestais ou ensino técnico em engenharia florestal. Entre as disciplinas obrigatórias estão botânica, zoologia e climatologia. As mulheres ainda estão subrepresentadas nessa profissão clássica.
Na coluna Alemanices, publicada às sextas-feiras, Karina Gomes escreve crônicas sobre os hábitos alemães, com os quais ainda tenta se acostumar. A repórter da DW Brasil e DW África tem prêmios jornalísticos na área de sustentabilidade e é mestre em Direitos Humanos.
Devido à paisagem montanhosa e à densidade da mata, os antigos moradores da Floresta Negra tinham uma vida dura. O museu ao ar livre Vogtsbauernhof proporciona aos visitantes uma viagem no tempo.
Fundado há mais de 50 anos como um museu de arquitetura, o Vogtsbauernhof abriga casas antigas tidas como típicas da Floresta Negra. Algumas datam do século 17, quando ocorreu uma revolta camponesa. A maioria possui teto de palha. Atualmente, tais coberturas são usadas raramente devido a leis de segurança contra incêndios e mofo.
Apesar de cada vilarejo ter seus próprios trajes, há na Floresta Negra um detalhe padrão, os ornamentos para a cabeça. Os famosos chapéus Bollenhut adornam a cabeça das mulheres jovens – os de bolas pretas indicam que as moças estão comprometidas e os vermelhos, que ainda estão disponíveis. O Schäppel (centro) é um adorno ricamente bordado com pérolas e contas coloridas.
Quase todos os dias há apresentações especiais no museu, que transportam os visitantes para o passado. Na imagem, o grupo Heckerleute de Offenburg encena a batalha de Kandern, um pequeno vilarejo localizado no sul da Floresta Negra. O revolucionário radical democrático Friedrich Hecker desempenhou um papel central no início da Revolução Alemã de 1848/1849.
Destilados e licores são considerados iguarias locais, como o licor de cereja usado no famoso bolo Floresta Negra. Durante a época de cereja, os visitantes do museu podem testemunhar o histórico processo de destilação. Para tal, são utilizados fornos a lenha. Até mesmo tarefas cotidianas são apresentadas, como moagem de grãos, panificação e serragem.
Todas as seis casas destacadas no museu Vogtsbauernhof dão uma ideia do estilo de vida de seus antigos moradores. A sala de estar mostrada nesta imagem parece até levemente luxuosa em comparação com os demais aposentos. Entre eles está uma sala de estar onde as pessoas viviam lado a lado com animais de fazenda.
O museu em Gutach fica aberto apenas sete meses por ano. A única exceção durante o inverno é o bazar de Natal em um fim de semana do Advento. A temporada anual é encerrada no último fim de semana de outubro, com a Festa de Outono. Nos dois dias, é oferecida a "Schlachtplatte", com carnes e embutidos produzidos do abate do porco, e mostrado como antigamente eram preparados alimentos e bebidas.