Últimos a serem retirados da "selva", cerca de 1.500 menores têm destino incerto em meio a queda de braço entre Paris e Londres: maioria que ir para o Reino Unido, onde estão seus parentes.
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O governo francês iniciou nesta quarta-feira (02/11) a realocação dos últimos ocupantes da chamada "Selva de Calais": 1.500 crianças desacompanhadas que, em sua maioria, aguardavam no acampamento uma chance de cruzar o Canal da Mancha para o Reino Unido.
Os menores serão levados para cerca de 400 abrigos espalhados por toda a França. A maioria é de Afeganistão, Sudão e Eritreia – e quer atravessar para o Reino Unido com o objetivo de encontrar seus parentes.
"Eles serão levados de ônibus para centros de acolhimento de menores pela França", disse Stephane Duval, que chefia um abrigo estatal construído com contêineres perto do acampamento. "Não haverá envios ao Reino Unido por enquanto. Os pedidos estão sendo estudados."
Segundo o presidente François Hollande, os menores que não forem levados para o exterior receberão cuidado do Estado francês. Enquanto estiver sob as leis da União Europeia, o Reino Unido é obrigado a receber menores com laços de famílias comprovados com imigrantes que vivam em seu território.
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Londres e Paris entraram em atrito nos últimos dias, após Hollande pedir que a primeira-ministra britânica, Theresa May, assuma parte de responsabilidade pelos menores. Após a demolição do acampamento, as crianças estavam num abrigo provisório.
A ministra do Interior do Reino Unido, Amber Rudd, alertou que nenhum menor podia ficar sem amparo em território francês. O governo francês respondeu que tinha cumprido com sua parte e pediu que Londres assumisse seus compromissos.
"Falei com a primeira-ministra britânica para que os britânicos acompanhem esses menores e possam assumir o que os corresponde para, depois, acolhê-los no Reino Unido", comentou Hollande no fim de semana.
Na segunda-feira, equipes de demolição concluíram a remoção de alojamentos desocupados e tendas em Calais, após a retirada na semana passada de milhares de imigrantes. Cerca de 6 mil pessoas chegaram a viver no acampamento.
RPR/efe/ap
Músicos, atores, políticos, cientistas dos quatro cantos do mundo: em comum, o destino de refugiado. Todos deixaram seus países natais, por um período breve ou o resto da vida, para se salvar da guerra e perseguição.
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Touro Sentado (1831-1890)
O chefe sioux Tatanka Iyotake, "Touro Sentado", um dos mais célebres nativos dos Estados Unidos, viveu quatro anos como refugiado. Em 1877, cerca de um ano após a batalha de Little Bighorn, liderada pelo general Custer, ele fugiu com seus guerreiros para o Canadá. Após voltar aos EUA, o líder indígena foi preso e colocado numa reserva. Ele morreu baleado durante uma nova tentativa de prisão.
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Albert Einstein (1879-1955)
Autor da teoria da relatividade e Nobel da Física, o judeu alemão Albert Einstein visitava os EUA quando Adolf Hitler assumiu o poder, em 1933. Manter-se longe da Alemanha sob regime nazista não foi decisão fácil. Einstein dizia se considerar um "privilegiado pela sorte", por poder viver em Princeton, mas também "quase envergonhado de viver em tamanha paz, enquanto todo o resto luta e sofre".
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Béla Bartók (1881-1945)
Apesar de não ser judeu, o compositor, pianista e musicólogo Béla Bartók se opunha à ascensão do nazismo e à perseguição antissemita, e em 1940 emigrou para os EUA. "Minha principal ideia, que me domina inteiramente, é a irmandade dos homens, acima e além de todos os conflitos", disse certa vez. No entanto, sua carreira musical gorou no exílio, e ele acabou por morrer pobre e esquecido.
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Marlene Dietrich (1901-1992)
A atriz e cantora alemã Marlene Dietrich já era uma estrela nos Estados Unidos quando adquiriu a nacionalidade americana, em 1939, voltando definitivamente as costas para a Alemanha nazista. Refugiada célebre, ela se manifestava contra Hitler e cantou para os soldados americanos durante a Segunda Guerra. Embora com seus filmes banidos na terra natal, ela dizia: "Eu nasci alemã e sempre serei."
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George Weidenfeld (1919-2016)
Nascido em Viena, o editor judeu George Weidenfeld emigrou após a anexação da Áustria pelos nazistas. Em Londres, ele cofundou uma casa editora e se tornou barão. Além de se engajar pela causa israelense, estabeleceu um fundo para ajudar os cristãos que fogem do "Estado Islâmico". "Não posso salvar o mundo [...] mas tenho uma dívida a saldar", disse certa vez.
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Henry Kissinger (*1923)
Natural da Baviera, Henry Kissinger teve papel central na configuração da política externa dos EUA. Contudo, antes de se tornar autoridade em relações internacionais e professor em Harvard, o 56º secretário de Estado americano tivera que fugir da perseguição nazista em 1938. Já nonagenário, ele revelaria que a Alemanha "nunca deixou de ser parte" de sua vida.
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Miriam Makeba (1932-2008)
A cantora sul-africana Miriam Makeba era opositora ferrenha do regime do apartheid. Em 1960, durante turnê nos EUA, o governo de seu país lhe cancelou o passaporte. Três anos mais tarde ela foi proibida de entrar na África do Sul, a qual ela só reveria após décadas de exílio nos EUA e Guiné. "Mama Africa" morreu durante um show na Itália, em apoio à luta do autor Roberto Saviano contra a máfia.
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Milos Forman (1932-2018)
Apesar de já ser um cineasta respeitado, Milos Forman voltou as costas à Tchecoslováquia em 1968, após a Primavera de Praga, indo estabelecer-se nos Estados Unidos. Em sua produção do outro lado da Cortina de Ferro dois Oscars de melhor filme se destacam: o drama psiquiátrico "Um estranho no ninho" (1975) e "Amadeus" (1984), sobre Mozart.
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Madeleine Albright (1937-2022)
A primeira secretária de Estado americana, Madeleine Albright, nasceu na atual República Tcheca. Sua família fugiu para os EUA em 1948, quando os comunistas assumiram o poder. A partir de seu envolvimento intenso na política e depois de ser embaixadora americana na ONU, ela assumiu a chefia da diplomacia de 1997 a 2001, durante o segundo mandato de Bill Clinton.
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Isabel Allende (*1942)
O presidente Salvador Allende se suicidou após o golpe de Estado no Chile em 1973. A filha de um primo dele, Isabel, que o chamava de "tio", fugiu para a Venezuela após receber ameaças de morte. Mais tarde emigrou para os EUA e se estabeleceu como autora. Entre seus romances, que contam entre os clássicos do realismo mágico, destacam-se "A casa dos espíritos" e "Eva Luna".