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O que é o "ciclone-bomba" que atingiu o Brasil

7 de agosto de 2026

Fenômeno raro causou estragos na região Sul, com ventos de até 134 km/h. Termo se aplica quando há queda de pressão excepcionalmente rápida, o que aumenta o risco de tempestades.

Igreja destruída em Celso Ramos
Ciclone-bomba em 2020 deixou 13 mortos no Sul do Brasil. Na foto, igreja em Celso Ramos (SC)Foto: Eduardo Valente/AFP

A passagem de um "ciclone-bomba" causou estragos no Sul do Brasil e deixou diversas regiões em alerta, à medida que os ventos se deslocam em direção ao Sudeste e o ciclone se afasta da costa brasileira. 

No Rio Grande do Sul, onde os ventos chegaram a 134 km/h, um motociclista morreu ao ser atingido por uma árvore que caiu e ao menos cinco pessoas ficaram feridas. A Defesa Civil relata estragos em mais de cem municípios, e contabiliza mais de 1,8 mil desalojados. 

Alertas para ventos fortes seguem ativos até a noite desta sexta para o litoral do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.  

Em Santos, no litoral paulista, foram registradas rajadas de vento de até 109 km/h. No Rio de Janeiro, pontos turísticos foram fechados, aulas foram suspensas e o governo do Estado decretou ponto facultativo. 

O que distingue o "ciclone-bomba"?

O chamado "ciclone-bomba" é um sistema de baixa pressão, tal como outros ciclones extratropicais que acontecem no Brasil. Os ventos giram ao redor de um centro, sempre em sentido horário no Hemisfério Sul. 

O ar frio é puxado para dentro, enquanto o ar quente sobe, favorecendo a ocorrência de tempestades.

Para ganhar a alcunha de "bomba", entretanto, o ciclone precisa se intensificar numa velocidade excepcional, com quedas de pelo menos cerca de 24 milibars em 24 horas. No jargão técnico, o fenômeno leva o nome de "bombogênese", sendo desencadeado pela colisão entre massas de ar frio e quente. 

Embora seja um fenômeno meteorológico comum na região Sul do Brasil, o aumento da temperatura do ar e do oceano, em consequência das mudanças climáticas, pode deixar os ciclones mais intensos, explicam especialistas.

Ventos de até 100 quilômetros por hora

No caso do evento desta semana, espera-se que o ciclone se forme sobre o norte da Argentina e o Paraguai, antes de se mover para um centro de baixa pressão entre o Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul. 

Município catarinense de Celso Ramos foi um dos atingidos por ciclone bomba em 2020Foto: Eduardo Valente/AFP

A pressão atmosférica poderá, então, cair 26 milibars dentro de 24 horas entre sexta e sábado, o que configuraria o raro "ciclone bomba". A fase mais intensa deverá ocorrer no sábado, quando a pressão atmosférica atingirá seu menor valor previsto."

"Embora os modelos indiquem um cenário favorável à formação de um ciclone extratropical intenso, a classificação definitiva como ciclone bomba dependerá da confirmação da intensidade da queda da pressão atmosférica durante sua evolução", esclarece o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) .

Os ventos mais intensos devem ocorrer principalmente sobre o Oceano Atlântico, onde as rajadas poderão superar 100 quilômetros por hora em áreas próximas ao centro do ciclone. Especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, também são esperadas rajadas superiores a 60 quilômetros por hora entre esta quinta-feira e sábado.

Em julho de 2020, um ciclone-bomba deixou 13 mortos, provocou ventos de até 168,8 km/h, causou prejuízos de cerca de R$ 278 milhões e interrompeu o fornecimento de energia para quase 2 milhões de consumidores no Sul do Brasil. 

Segundo o Inmet, o caso de 2020 chamou atenção porque o sistema se aprofundou intensamente muito próximo do continente, ampliando seus efeitos sobre áreas densamente povoadas

ht/le (ots)

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