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CatástrofeEstados Unidos

O que se sabe sobre a queda do avião na Flórida

3 de novembro de 2026

Acidente com jato particular em Palm Beach deixou nove mortos, incluindo a copiloto, filha de brasileiros. Investigadores trabalham para determinar os motivos do acidente, ocorrido próximo à residência de Donald Trump.

Registro de câmera em automóvel mostra forte explosão gerada pela queda do avião em uma avenida em Palm Beach
Learjet 60 caiu de maneira repentina, atingindo uma avenida em Palm Beach, na FlóridaFoto: Aki Kuusisto/REUTERS

A queda de um avião em um bairro residencial de West Palm Beach, na Flórida, nos Estados Unidos, neste domingo (01/11), deixou nove mortos, incluindo a filha de brasileiros Nathalia Gadelha Filgueiras, copiloto da aeronave.

Segundo a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês), o avião particular, um Learjet 60, decolou do aeroporto de Austin, no Texas, às 9h36, no horário local, com destino às Bahamas, em uma rota que atravessava o sul da Flórida.

A queda aconteceu às 12h50 (horário local), cerca de três horas após a decolagem, abrindo uma cratera na avenida Military Trail, na área residencial de Greenacres, em West Palm Beach, onde se localizam restaurantes e escritórios. As seis faixas da via foram interditadas pelas autoridades.

Imagens gravadas por testemunhas registraram o momento em que o avião cai e explode ao lado da avenida, a poucos metros de casas e de veículos que trafegavam pelo local. Segundo autoridades, evidências sugerem que a aeronave tenha se partido no ar antes da queda.

Acidente deixou nove mortos

O acidente matou os dois pilotos, Jeffery Gregory e a filha de brasileiros Nathalia Gadelha Filgueiras, além de quatro integrantes de uma mesma família, que estavam acompanhados de uma babá e duas amigas.

Um comunicado divulgado no Facebook afirma que as vítimas eram o pai Adam Robinson (44 anos), a mãe, Helen Sharp; a filha Emma Robinson (4) e o filho Charlie Robinson (2). Acompanhavam a família no voo as amigas Charmi Fehr e Rachael Reed e a babá Anita Maria Cetina.

"Mayday, Mayday! Estamos descendo 10 mil pés por minuto", disse uma tripulante ao controle de tráfego aéreoFoto: Aki Kuusisto/REUTERS

O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) informou que um homem que estava no solo sofreu ferimentos na perna. Segundo relatos, o fornecimento de energia elétrica na região foi interrompido por cerca de duas horas após o acidente.

Últimos momentos antes da queda

Segundo o registro da comunicação entre a aeronave e o controle de tráfego aéreo pouco antes do acidente, uma voz feminina relatou problemas com gelo e turbulência. Cerca de 90 segundos depois, aparentemente a mesma pessoa declarou emergência e informou que o avião perdia altitude rapidamente. "Mayday, Mayday! Estamos descendo 10 mil pés por minuto", disse a voz na gravação.

A pessoa informou ao controle de tráfego aéreo que o Learjet estava em condição de velocidade excessiva e com perda de altitude de 20 mil pés (aproximadamente 6 quilômetros) por minuto. "Vamos bater no chão", afirmou. A última frase dita pela pessoa na gravação foi "não temos mais tempo".

Até a publicação desta reportagem, não foi possível confirmar se a voz feminina na gravação era de Nathalia.

Investigadores avaliam as possíveis causas do acidente

O NTSB e a Administração Federal de Aviação (FAA) investigam as causas do acidente, o segundo mais letal ocorrido nos Estados Unidos este ano – segundo registros do NTSB –, atrás apenas da queda de uma aeronave usada para paraquedismo em junho, em Butler, no Missouri, que resultou em 12 mortes. É também o acidente mais letal envolvendo um Learjet 60, de acordo com dados da Flight Safety Foundation.

Uma equipe de investigadores do NTSB começou a reunir evidências no local da queda para tentar determinar o motivo do acidente. Os peritos enfrentarão desafios complexos ao documentar minuciosamente o local.

"O maior obstáculo que teremos será a recuperação dos principais destroços na cratera formada pelo impacto na via", afirmou Tim Monville, investigador sênior de segurança aérea do NTSB.

Especialistas afirmam que a formação de gelo e a turbulência podem ter contribuído para a queda, embora não haja ainda confirmação das causas do acidente.

Queda do avião abriu uma cratera na avenida Military Trail, na área residencial de Greenacres, em West Palm BeachFoto: Chris Beckett/ZUMA/IMAGO

O acidente ocorreu próximo à residência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Palm Beach, no resort de Mar-a-Lago. Ele estava no local na manhã de domingo e partiu de um aeroporto próximo a bordo do avião presidencial Air Force One, cerca de uma hora antes da queda do Learjet.

Filha de brasileiros obteve licença para pilotar aos 17 anos

Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, filha de brasileiros, obteve sua licença de piloto particular em setembro de 2023, aos 17 anos, quando cursava o último ano do ensino médio na West Boca Raton High School, na Flórida.

Segundo uma reportagem da emissora americana CBS12 News da época em que Nathalia obteve a licença, ela iniciou os estudos teóricos sobre pilotagem em 2020, antes de entrar no segundo ano do ensino médio nos Estados Unidos.

À época, ela havia acumulado 88 horas de voo e já podia pilotar aviões particulares por conta própria e até transportar passageiros, desde que não fosse paga para isso. Nathalia já era capaz de pilotar aviões antes mesmo de obter sua carteira de motorista.

A reportagem conta que, enquanto outros jovens de sua idade praticavam esportes e realizavam outras atividades, ela dedicava seu tempo à aviação.

O distrito escolar de Palm Beach County custeou sua formação inicial através de sua academia de aviação, que oferecia aulas a estudantes do ensino médio. Ela concluiu sua formação na American Flyers, uma das escolas de aviação mais prestigiadas dos Estados Unidos, e já havia acumulado 1,3 mil horas de voo, segundo informações de sua família, citadas pela emissora CNN.

"Eu gosto de ser diferente de todo mundo, acho isso legal", disse Filgueiras à emissora WPEC, uma afiliada da CNN, em 2023. "Algumas pessoas acham estranho porque eu posso pilotar aviões, mas não posso dirigir um carro."

rc/md (ots)

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