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O que se sabe sobre ataque em jantar de Trump e jornalistas

Publicado 26 de abril de 2026Última atualização 27 de abril de 2026

Suspeito, que tentou invadir evento armado com uma espingarda, mirou o presidente americano e representantes do governo, diz Casa Branca. Serviço Secreto defende seu esquema de segurança.

Agentes do FBI ao lado de convidados no jantar promovido por Trump
Tiroteio gerou cenas de caos entre agentes de segurança e convidados. Não houve feridosFoto: Jonathan Ernst/REUTERS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama Melania Trump foram retirados às pressas de um jantar com jornalistas em Washington na noite deste sábado (25/04), após um homem trocar tiros com seguranças na entrada do evento.

Não houve feridos. Mais tarde, Trump descreveu o ocorrido como um ataque de um "aspirante a assassino".

O suspeito, detido por autoridades americanas, teria visado representantes do governo. "Parece que ele de fato estava mirando gente que trabalha na administração [federal], provavelmente aí incluído o presidente", declarou o procurador-geral Todd Blanche à emissora NBC.

Mais tarde, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi mais direta ao afirmar que o incidente se tratou de uma tentativa de "assassinar" Trump. Em publicação nas redes sociais, ela disse que o evento foi "sequestrado por uma pessoa desequilibrada [...] que tentou assassinar o presidente e matar o maior número possível de altos funcionários do governo Trump".

Veja, abaixo, o que sabe sobre o episódio.

O que aconteceu?

Por volta das 20h35 do horário local (21h35 de Brasília), ouviram-se baques surdos de tiros do lado de fora do salão que sediava o jantar anual de gala da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no hotel Washington Hilton. 

Um homem havia acabado de furar o esquema de segurança montado para o evento, ao qual haviam comparecido, além de Trump, o vice-presidente JD Vance e diversos outros membros do governo americano, de um total de 2.600 convidados.

Agentes do Serviço Secreto reagem a ameaça de atiradorFoto: Tom Brenner/AP Photo/picture alliance

Momentos antes, imagens de vídeo mostravam Trump e a esposa sentados a uma mesa no palco, conversando com alguém.

O suspeito, que segundo as autoridades americanas portava uma espingarda, uma arma de fogo de cano curto e diversas facas, chegou a trocar tiros do lado de fora com os agentes antes de ser imobilizado e detido.

De início, Trump e Melania mal se moveram. "Pensei que fosse uma bandeja caindo", declarou o presidente horas mais tarde a repórteres, referindo-se ao som de tiros.

Ao perceber a confusão, pessoas começaram a gritar "abaixem-se, abaixem-se!". Convidados em trajes de gala se esconderam debaixo das mesas enquanto agentes de segurança sacavam suas armas. Outros, à paisana, empurraram funcionários do governo para o chão e os protegeram com os próprios corpos, ou formaram um cordão de proteção.

Enquanto isso, agentes de segurança usando uniformes de combate invadiram o palco, apontando fuzis para o salão, enquanto Trump, sua esposa e Vance eram retirados do local. Integrantes do gabinete que estavam sentados em mesas espalhadas pelo enorme salão foram escoltados para fora, um a um, por suas equipes de segurança.

Fora do hotel, membros da Guarda Nacional e outras autoridades acudiram em massa à área, enquanto eram acompanhados por helicópteros.

Quem é o suspeito?

O suspeito foi identificado pelas autoridades como Cole Tomas Allen, um engenheiro mecânico de 31 anos, morador da Califórnia e mestre em ciência da computação. Ele também desenvolve jogos e é professor em uma empresa que prepara alunos para a universidade.

Trump chegou a compartilhar uma foto dele nas redes sociais, imobilizado no chão, de bruços, e algemado.

Segundo Blanche, o suspeito viajou de trem da Califórnia até Washington e fez check-in como hóspede no hotel que sediava o evento. Ele portava uma espingarda e uma arma de cano curto, compradas legalmente, além de diversas facas. 

Allen foi conduzido a um juiz nesta segunda-feira. Ele responderá à acusação de tentativa de assassinato de Trump, além de porte de armas, e ficará preso temporariamente durante o julgamento.

"Minha impressão é de que ele era um lobo solitário", disse Trump após o ocorrido. No domingo, o republicano ainda afirmou que Allen escreveu um "manifesto anticristão" antes do incidente. "A irmã ou o irmão dele, na verdade, estavam reclamando disso. Eles chegaram a fazer denúncias às autoridades. Ele era um cara muito perturbado", afirmou em uma entrevista ao canal Fox News.

Segundo as autoridades, a família do acusado havia alertado a polícia em Connecticut após receber um manifesto enviado por Allen pouco antes do ataque. 

Segundo o tablóide The New York Post, o suspeito enviou uma mensagem à sua família antes de realizar o ataque, na qual admitiu sua intenção de matar membros do governo Trump, que classificou como "criminosos".  

No texto, ele se autodenomina um "Assassino Federal Amigável", disseram oficiais envolvidos nas investigações a agências de notícias.

Segundo a Associated Press, o homem usou o manifesto para criticar veementemente as medidas recentemente adotadas pelo governo dos EUA sob a gestão de Trump, embora não tenha mencionado o nome do presidente republicano. Já fontes ouvidas pela Reuters indicam que o documento ainda zombava da "insana" falta de segurança no hotel Hilton, onde o evento ocorreu. 

Qual era o esquema de segurança do evento?

Momentos após o incidente, Trump, que inicialmente fora levado para a suíte presidencial do hotel, chegou a declarar que gostaria de retomar o evento e discursar. Mas ele teria sido dissuadido pelo Serviço Secreto, que o convenceu a voltar à Casa Branca.

Trump é escoltado por agentes de segurança após tiroteioFoto: Bo Erickson/REUTERS

O presidente, então, declarou que gostaria de remarcar o jantar em até 30 dias. Mas a presença de um atirador no hotel levantou dúvidas sobre o esquema de segurança do evento.

As autoridades acreditam que o suspeito conseguiu chegar até a entrada do salão do jantar porque já estaria registrado antes como hóspede do hotel.

O Washington Hilton havia restringido a entrada desde as 14h do horário local – seis horas antes do início do jantar –, permitindo o acesso apenas de hóspedes e convidados.

Convidados do evento afirmam que só precisaram passar por uma revista de segurança ao entrar no salão do jantar, mas não na entrada do hotel.

A jornalista Ines Pohl, chefe do escritório da DW em Washington, disse ter estranhado o fato de ter tido a entrada autorizada mediante a apresentação apenas de uma credencial de imprensa, sem foto.

O próprio Serviço Secreto, porém, defendeu seu esquema de segurança, dizendo que ele foi capaz de deter o suspeito armado antes que ele pudesse adentrar o salão do evento.

Falando a jornalistas horas depois, Trump disse que o incidente da noite de sábado demonstrava por que a Casa Branca precisa de seu próprio salão de festas. A obra, considerada polêmica, tem custo estimado em 300 milhões de dólares.

ra/gq/as (AP, Reuters, AFP)

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