Mais de 500 pessoas foram mortas na província de Aleppo, na Síria, desde o início de fevereiro, quando o regime do presidente Bashar al-Assad lançou uma ofensiva contra rebeldes, afirmou nesta quarta-feira (10/02) o Observatório Sírio de Direitos Humanos.
De acordo com a organização, cerca de 100 civis, incluindo 23 crianças, estão entre os mortos na ofensiva, que conta o apoio de ataques aéreos russos. "No mínimo 143 combatentes pró-Assad, 264 rebeldes e jihadistas estrangeiros e 89 civis foram mortos desde 1° de fevereiro até terça-feira à noite", disse o ativista Rami Abdel Rahman, que coordena a ONG.
Rahman afirmou ainda que mais de 100 jihadistas estrangeiros, incluindo membros do braço sírio da Al Qaeda, morreram desde o início da ofensiva. O grupo de monitoramento disse que os combates atingiram nesta quarta-feira a região ao redor de Tamura, no norte da cidade de Aleppo, com apoio de bombardeios russos em vários vilarejos próximos ao local.
Desde o início da ofensiva, as tropas do governo tiveram grandes vitórias na região, cortando linhas de abastecimentos de rebeldes. No entanto, a ação provocou uma fuga em massa de civis em direção à fronteira com a Turquia.
Cerca de 30 mil de sírios estão presos na fronteira turca, que está fechada. Apesar do apelo das Nações Unidas, Ancara só permite a entrada de feridos em seu território. Atualmente, cerca de 2,7 milhões de refugiados sírios vivem na Turquia.
A ONU alertou que 300 mil pessoas no leste da cidade podem ficar sem ajuda humanitária, caso as forças de segurança do governo cerquem a área. Essa tática tem um efeito devastador e é com frequência usada pelo regime contra os rebeldes.
CN/rtr/afp
O "Estado Islâmico" inflamou o debate sobre como pôr fim à guerra civil síria. Contudo o grupo só emergiu mais tarde no conflito. Confira alguns momentos dessa guerra que abriram espaço para o avanço dos jihadistas.
Foto: APEnquanto regimes ruem por todo o Oriente Médio, dezenas de milhares de sírios vão às ruas para protestar contra a corrupção, o desemprego elevado e a alta dos preços dos alimentos. O governo da Síria responde com armas de fogo. Até maio, cerca de 400 vidas são ceifadas.
Foto: dapdSob insistência dos países ocidentais, o Conselho de Segurança da ONU condena a repressão violenta. Nos meses seguintes, os Estados Unidos e a União Europeia impõem embargo de armas, recusa de vistos e congelamento de bens. Com apoio da Liga Árabe, aumenta a pressão para a saída do presidente sírio Bashar al-Assad – embora sem o aval de todos os países-membros da ONU.
Foto: picture-alliance/dpa/J. SzenesEm 1970 um golpe pusera Hafez al-Assad no poder. Após sua morte, em 2000, o filho Bashar (à dir.) assume a liderança. De início tido como reformista, ele perde apoio ao manter o estado de emergência que há décadas restringe as liberdades políticas, permitindo vigilância e interrogatórios. Assad tem respaldo da Rússia, que lhe fornece armas e repetidamente veta as resoluções da ONU sobre a Síria.
Foto: picture-alliance/dpa/Stringer/Ap/PoolA ONU e outras organizações têm provas de violação dos direitos humanos na Síria. Civis e militares desertores começam a se organizar lentamente para combater as forças do governo, que vêm atacando os dissidentes. Até o fim de 2011, essa luta causa mais de 5 mil mortes. Mesmo assim, ainda transcorrem seis meses até a ONU reconhecer que o país está em guerra.
Foto: Reuters/Goran TomasevicO Irã finalmente confirma que tem combatentes em solo sírio, fato que Damasco negava há tempos. A presença de tropas aliadas acentua a hesitação dos Estados Unidos e de outras potências ocidentais em intervir no conflito. Os EUA, marcados pelas intervenções fracassadas no Afeganistão e no Iraque, propõem o diálogo como única solução sensata.
Foto: APAs mortes beiram 100 mil, e o total de refugiados em países vizinhos como a Turquia e a Jordânia atinge 1 milhão – número que duplicaria até setembro. Em dois anos de guerra, o Ocidente e a Liga Árabe veem fracassar todas as tentativas de um governo de transição, enquanto o conflito transborda para a Turquia e o Líbano. O pior temor é de que Assad se mantenha no poder a todo custo.
Foto: Reuters/B. KhabiehHá muito Assad alega estar combatendo terroristas. Mas só no segundo ano de guerra se confirma que o Exército Livre Sírio inclui extremistas radicais. O grupo Frente al-Nusra declara apoio à Al Qaeda, fragmentando ainda mais a oposição.
Foto: Reuters/A. AbdullahA Casa Branca afirma ter provas de que Assad está atacando civis com o gás tóxico sarin. Mais tarde a informação é corroborada pela ONU. A partir da revelação, o presidente dos EUA, Barack Obama, e outros líderes ocidentais passam a considerar uma intervenção militar. No entanto a proposta da Rússia para que se retirem as armas químicas da Síria acaba por se impor.
Foto: ReutersAo fim de 2013 surgem relatos sobre um novo grupo autodenominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante – o futuro EI. Ao tomar terras no norte da Síria e também no Iraque, os jihadistas despertam lutas internas na oposição, causando 500 mortes até o início de janeiro. Esse terceiro e inesperado fator levaria os EUA, França, Arábia Saudita e outras nações à intervir na guerra em meados do ano.
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