Morre aos 104 anos Olivia de Havilland, de "E o vento levou"
26 de julho de 2020
Atriz morreu de causas naturais em sua casa em Paris, afirma assessora. Ícone da era de ouro de Hollywood e vencedora de dois prêmios Oscar, ela foi imortalizada no papel de Melanie Hamilton no filme de 1939.
Filha de pais britânicos, nascida no Japão e criada nos EUA, Havilland vivia desde os anos 1950 em ParisFoto: Getty Images/AFP
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A atriz Olivia de Havilland, uma das últimas estrelas da era de ouro de Hollywood ainda vivas, morreu neste domingo (26/07) na França, aos 104 anos, segundo informou a imprensa americana com base em informações da assessora da artista, Lisa Goldberg.
Vencedora de dois prêmios Oscar de melhor atriz, Havilland morreu de causas naturais em sua casa em Paris, onde vivia há mais de 60 anos, informou a revista The Hollywood Reporter.
Embora tenha ganhado as estatuetas pelos papéis em Só resta uma lágrima (1946) e Tarde demais (1949), a atriz foi imortalizada no papel de Melanie Hamilton em E o vento levou (1939), pelo qual não foi premiada. A obra levou oito estatuetas, incluindo melhor filme.
"Me senti muito atraída por Melanie", contou Havilland certa vez. "Ela tinha uma personalidade complexa em comparação com as heroínas que eu vinha interpretando repetidamente."
Havilland em cena de "E o vento levou", de 1939Foto: Imago Images/Mary Evans
Outro trabalho marcante da atriz foi em A cova da serpente (1948), um dos primeiros filmes de Hollywood a representar doenças mentais e considerado um dos grandes feitos de sua carreira.
Havilland também provocou uma reviravolta na indústria cinematográfica ao se tornar uma das primeiras atrizes a levar um estúdio, a Warner Bros, à Justiça em 1943, na tentativa de se livrar de aspectos abusivos de seu contrato.
À época, em Hollywood reinava o chamado "star system", no qual grandes estúdios poliam as estrelas controlando ao máximo aspectos da vida pessoal e profissional.
O processo foi bem-sucedido e acabou beneficiando os companheiros de profissão de Havilland com a possibilidade de os estúdios pausarem os contratos caso os artistas não estivessem trabalhando, bem como de alargarem as condições de exclusividade para além do tempo combinado.
"Ninguém pensou que eu venceria [o processo], mas depois chegaram flores, cartas e telegramas de meus companheiros atores. Foi maravilhosamente gratificante", lembrou a atriz em entrevista concedida em 1992.
Filha de pais britânicos, Havilland nasceu no Japão, mas cresceu nos Estados Unidos e foi naturalizada americana. A família se mudou para a Califórnia quando ela e sua irmã, a também atriz vencedora de Oscar Joan Fontaine, ainda eram crianças. Quinze meses mais nova, Fontaine morreu em dezembro de 2013 aos 96 anos.
Embora tenha se mantido vinculada a Hollywood, Havilland vivia desde os anos 1950 na França, país onde recebeu diversas condecorações. Após se aposentar das telonas, ela fez poucas aparições públicas, tendo voltado a Hollywood em 2003 para participar da 75ª cerimônia do Oscar.
Havilland teve dois filhos, Benjamin e Gisèle. O primeiro é fruto de seu primeiro casamento, com o escritor Marcus Goodrich, e a mulher é filha de seu segundo marido, o jornalista Pierre Galante.
Na história da sétima arte, não faltam projetos fracassados e obras-primas idealizadas por diretores renomados que nunca conseguiram ser exibidas – de Stanley Kubrick a Orson Welles e Alfred Hitchcock.
Foto: picture-alliance/Everett Colle/20thCentFox
'Napoleon', de Kubrick: jamais filmado
Um épico sobre Napoleão Bonaparte era para ser o filme mais elaborado de Stanley Kubrick, mas o projeto fracassou apesar do roteiro e dos figurinos já prontos. Para os produtores, um fator de desistência foi o malogro financeiro da megaprodução 'Waterloo', de Sergei Bondarchuk. Mas os preparativos de Kubrick não foram em vão: uma parte do material foi usada em seu filme 'Barry Lyndon' (1975).
Foto: Taschen
Falta de sorte para os filmes de Eisenstein
No início dos anos 1930, o famoso diretor Sergei Eisenstein planejou, mas acabou não conseguindo filmar uma obra intitulada 'Que viva Mexico!' em Hollywood. Uma segunda tentativa, um filme sobre a história do México, também não teve êxito. O material filmado acabou sendo usado em vários documentários.
Foto: Icestorm
Orson Welles e seus projetos incompletos
Orson Welles talvez seja o mestre dos filmes inacabados. O número de obras clássicas é superado pelo de projetos nunca finalizados. O mais célebre deles é 'The Other Side of the Wind' ('O outro lado do vento'). Welles começou a filmá-lo nos anos 1980, mas morreu antes de as filmagens terminarem. A plataforma online Netflix restaurou e completou o filme, que deverá ser lançado também no cinema.
Foto: picture-alliance/Mary Evans Picture Library
O último filme de Marilyn Monroe
Quando as filmagens começaram em 1962, ninguém sabia que este seria o último filme de Marilyn Monroe. Dirigido por George Cukor, 'Something's Got To Give' parece ter sido condenado ao fracasso porque Monroe abandonou a produção diversas vezes. Lee Remick foi escalada para substituí-la, mas foi vetada pelo ator principal, Dean Martin. Um documentário posterior mostra 37 minutos da obra inacabada.
Foto: picture-alliance/Everett Colle/20thCentFox
'Hell', experiência com cores
A icônica atriz alemã Romy Schneider deveria ter estrelado um famoso filme inacabado: 'L'Enfer' ('O Inferno'), de Henri-George Clouzot (1964). A produção se tornou um pesadelo, inclusive porque Clouzot teve um infarto. Posteriormente, o diretor usou alguns takes sensacionais de Schneider em seu último filme. Em 2009, foi lançado um documentário explorando por que 'O Inferno' nunca foi finalizado.
Foto: Kinowelt
Jerry Lewis e os palhaços chorões
De Jerry Lewis, 'The Day the Clown Cried' é um dos projetos mais misteriosos da história do cinema. O objetivo era narrar uma história da Alemanha nazista por meio do humor. O comediante americano dirigiu e estrelou o drama de 1972. Apesar de finalizado, o filme nunca foi exibido publicamente devido a problemas legais e à insatisfação de Lewis com o resultado.
Foto: STF/AFP/Getty Images
A megalomania de Francis Ford Coppola
Francis Ford Coppola também trabalhou em vários projetos que nunca avançaram. Entre eles, 'Megalópolis', de 1984 – o script de 200 páginas sobre uma disputa entre um arquiteto e um prefeito em relação ao futuro de Nova York nunca foi transformado em filme.
Foto: picture-alliance/AP Photo/L. Rebours
Sonho não realizado: 'Leningrado'
Nos anos 1980, o diretor italiano Sergio Leone, habituado a épicos (a foto o mostra no set de filmagens de 'Era uma vez no Oeste' em 68), queria filmar uma obra sobre o cerco dos nazistas a Leningrado durante a Segunda Guerra Mundial. O filme nunca foi realizado, uma vez que o diretor morreu em 1989, aos 60 anos, devido a problemas cardíacos.
Foto: picture-alliance/dpa/Cinecitta Press Office
Alfred Hitchcock e mais sonhos frustrados
Até o "mestre do suspense" Alfred Hitchcock não conseguiu finalizar todas as suas ideias. No final dos anos 1950, ele queria filmar 'No Bail for the Judge' (algo como 'Sem fiança para o juiz'), baseado no livro homônimo de Henry Cecil. Estrelado por Audrey Hepburn, o filme era sobre um juiz acusado de assassinar uma prostituta. Mas houve problemas, Hepburn recuou e Hitchcock tocou outros projetos.
Foto: Imago/Granata Images
Final feliz: 'The Man Who Killed Don Quixote'
As filmagens do lendário projeto sobre Dom Quixote, de Terry Gilliam, começaram em 2000, apenas para serem adiadas e interrompidas repetidamente por uma série de razões. Com o passar dos anos, os atores e até a história mudaram. O filme finalmente estreou nas telas de cinema no Festival de Cannes de 2018.
Foto: Diego Lopez Calvin/Tornasol Films/Carisco Producciones