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ONU encerrará missão de observadores na Síria

16 de agosto de 2012

Conselho de Segurança anunciou que enviados serão retirados do país após fim do mandato, em 19 de agosto. Condições para renovar a missão não foram cumpridas. Organização pretende criar escritório político no país.

Foto: Reuters

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou nesta quinta-feira (16/08) que não renovará o mandato da missão de observadores na Síria. Os enviados serão retirados do país, informou o embaixador francês na ONU, Gérard Araud.

"O mandato terminará em 19 de agosto", disse Arau, que preside o Conselho de Segurança durante o mês de agosto. De acordo com o embaixador, as condições para renovar a missão não foram cumpridas. A retirada ocorre na sequência do fracasso do plano de paz desenhado pelo ex-enviado especial, Kofi Annan.

Segundo Araud, a ONU continuará, porém, presente na Síria. Em uma carta ao secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, o embaixador francês declarou apoio à abertura de um escritório político em Damasco. A repartição terá de 20 a 30 funcionários, incluindo conselheiros militares e especialistas em direitos humanos.

O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, informou que os membros permanentes do Conselho de Segurança – Rússia, China, EUA, França e Reino Unido – se reunirão nesta sexta-feira (16/08) em Nova York para discutir a questão síria.

"Lamentamos que o mandato da missão esteja chegando ao fim", disse Churkin. "Acreditamos que os membros do Conselho que insistiram em dizer que a missão não pode continuar não mostraram comprometimento para acabar com a hostilidade e trabalhar rumo à estabilidade política na Síria."

A Rússia pediu repetidamente que os observadores permanecessem na Síria. Mas os Estados Unidos se opõem a mantê-los no país enquanto as forças do presidente sírio, Bashar Al-Assad, continuarem a intensificar a ofensiva contra a oposição, cada vez mais armada e determinada.

Ban: "Missão não foi capaz de exercer suas funções-chave de monitorar o cessar da violência"Foto: dapd

Com o apoio de Pequim, Moscou vetou três resoluções criticando e ameaçando sanções contra a Síria. Isso levou a um impasse no Conselho, dizem diplomatas da ONU.

Intensificação da violência

O Conselho de Segurança disse em julho que renovaria o mandato da missão, enviada em abril, somente se a ONU confirmasse o "cessar do uso de armas pesadas e uma redução suficiente no nível de violência de todas as partes".

Em carta enviada ao Conselho em 10 de agosto, Ban disse que isso não havia sido alcançado e que a missão "não fora capaz de exercer suas funções-chave de monitorar o cessar da violência".

Os 300 observadores não armados enviados inicialmente suspenderam a maior parte de suas atividades em 16 de junho por conta de riscos com o aumento da violência. Atualmente, a missão conta com 70 funcionários, trabalhando em assuntos como acesso à ajuda humanitária e monitoramento de abusos contra os direitos humanos.

Enquanto isso, agrava-se a situação na metrópole Síria Aleppo, epicentro da batalha entre as tropas do regime Assad e a oposição armada. Nesta quinta-feira, ativistas relataram que as forças sírias atacaram um grupo de pessoas nos arredores de uma padaria no bairro de Qadi Askar. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, dez pessoas morreram somente no bairro nesta quinta-feira.

LPF/rtr/afp/dpa
Revisão: Francis França

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