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Violência em Gaza

28 de dezembro de 2008

Se é possível mobilizar tropas contra terroristas e piratas, então o mundo deveria estar em condições de contribuir com muito mais que apenas palavras bonitas, comenta Peter Philipp.

Kommentar Brasilien Opiniao

Nenhum país do mundo admitiria ser constantemente atacado por mísseis sem reagir. É por isso que Israel apela para a compreensão internacional e usa os novos ataques com mísseis Kassam da Faixa de Gaza como justificativa para sua intensa operação militar contra o Hamas. Este – assim como outros grupos ativos na Faixa de Gaza – "vinga-se" novamente atirando mísseis no sul de Israel.

Peter Philipp

Se não acontecer um milagre, este será o cenário perfeito para mais uma escalada da violência, com conseqüências imprevisíveis. Também será a prova final, por mais que absolutamente desnecessária, de que a promessa de negociar uma solução de paz até o fim de 2008, feita em Annapolis em novembro de 2007, era uma promessa vazia.

Caso este fim de ano traga uma nova guerra declarada, isso certamente terá a ver com muito mais que apenas com mísseis recentes. Israel e Hamas retornam aos tempos em que ambos apelavam à violência devido à falta de conceitos sensatos, apesar de já estar comprovado há tempos que a violência só gera mais violência e que o círculo vicioso é praticamente impossível de se quebrar.

Agora, Israel comete o erro capital de achar que pode eliminar o Hamas com uma operação militar. Extamente como há dois anos e meio, quando achou que podia fazer o mesmo com o Hisbolá. Pelo contrário, os ataques maciços no Líbano deram ao Hisbolá responsabilidade de governo, e algo semelhante deverá acontecer com o Hamas na Palestina. O Hamas já governa desde que venceu as eleições de janeiro de 2006 e um grande ataque israelense jogará de vez os palestinos nos braços da organização.

No entanto, o grande erro do Hamas e dos frustrados e, em todos os sentidos, sofridos palestinos é acreditar que a postura irredutível do Hamas traga solução ou redenção. A rejeição veemente ao direito de existência de Israel não pode ser base para a paz. Até o antigo líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Iasser Arafat, teve que reconhecê-lo após décadas de luta armada contra Israel.

O Acordo de Oslo e a autonomia palestina foram conseqüências disso. Israel perdeu essa chance ao diluir a implementação do acordo. Ou, por exemplo, ao construir cada vez mais colônias em territórios ocupados, destruindo a esperança que os palestinos haviam depositado no acordo.

Nem mesmo a decisão unilateral de Israel de se retirar da Faixa de Gaza pôde mudar isso: esta passou de um território "ocupado" a um território "sitiado" sob bloqueio estrito. Especialmente depois que o Hamas assumiu o controle de Gaza em 2006.

Como sempre, sofre quem não merece. Não os ideólogos, nem os que atiram mísseis, mas em primeiro lugar a população civil, mulheres, crianças e idosos. Mais uma vez, serão eles os que mais sofrerão. Pois bombas não podem discernir.

O mundo não deveria continuar apenas olhando sem agir. Se é possível mobilizar tropas contra terroristas e piratas, então o mundo deveria estar em condições de contribuir com mais que apenas palavras bonitas.

Peter Philipp é chefe da equipe de correspondentes da Deutsche Welle e especialista em Oriente Médio.

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