Dia Mundial do Meio Ambiente enfoca poluição plástica e mostra serem cada vez mais os que têm consciência do problema. Mas não haverá solução sem iniciativa própria, opina a editora de meio ambiente da DW, Sonya Diehn.
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Tartaruga marinha tenta comer sacola plástica em PortugalFoto: picture-alliance/Photoshot
Muitos parecem estar acordando para a questão global da poluição plástica, foco da edição deste ano do Dia da Terra, em abril. O combate à degradação pelo plástico também é tema do Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado nesta terça-feira (05/06).
A infeliz recente morte de uma baleia na Tailândia fornece uma ilustração oportuna do problema. O animal morreu com 80 sacos plásticos no estômago, que o impediram de se nutrir o suficiente para sobreviver. Assim como inúmeros outros animais marinhos, a baleia teve uma morte lenta e dolorosa devido a nossos hábitos de consumo.
Mas o problema do plástico e as imagens perturbadoras que o acompanham não são novidade. Já em 2016, cientistas alertavam que, se as tendências atuais continuassem, até 2050 teríamos mais plástico que peixes em nossos oceanos.
Apesar de proibições de sacos plásticos em alguns países africanos e da interdição planejada de outros itens plásticos descartáveis na União Europeia, a triste verdade é que o mundo provavelmente ainda está bem longe de atingir um "pico do plástico".
Sonya Angelica Diehn chefia a equipe de Meio Ambiente da DWFoto: DW/M. Müller
Se as tendências atuais se mantiverem, haverá cerca de 12 bilhões de toneladas de lixo plástico no nosso meio ambiente até 2050, o dobro da quantidade atual. Uma mudança da situação da poluição pelo plástico só vai acontecer da mesma forma como outras viradas ambientais até agora: pela pressão pública conjunta.
Décadas atrás, o uso de pesticidas altamente tóxicos como o diclorodifeniltricloroetano, ou DDT, só foi proibido depois que a opinião pública tomou consciência dos riscos e pressionou por uma interdição. Da mesma maneira, o colossal problema da poluição atmosférica está sendo tratado pela priorização governamental do setor da saúde pública e pelo controle dos poluentes perigosos.
Em termos de problemas ambientais, o plástico tem a vantagem de ser algo tangível, físico. Essa visibilidade contra entre as razões pelas quais a questão finalmente está se tornando um assunto dominante. A série de documentários Planet Earth II, narrada pelo naturalista David Attenborough, está entre as produções midiáticas que divulgam o assunto.
Pode-se até dizer que a preocupação com a poluição plástica se tornou uma moda. Mas será que o ímpeto crescente em torno do problema pode ser instrumentalizado para transformar essa tendência numa mudança real? Bem, isso depende de você.
A sensibilização é um primeiro passo positivo e necessário, mas depois é hora de agir. Os consumidores não precisam apenas mudar seu comportamento para reduzir o plástico descartável. Eles também precisam sinalizar que se preocupam com o problema e querem que o sistema mude.
Da mesma forma, as empresas terão que fazer sua parte, lançando produtos e modelos alternativos para permitir o florescimento de uma sociedade de baixo uso de plástico, que possa continuar fruindo das conveniências modernas. De fato, muitas empresas estão preparadas para abraçar a bioeconomia.
Mas, em última instância, cabe aos governos criar estruturas que tornem a mudança possível. E cabe a nós exigi-lo. Você está pronta/o a mudar seus próprios hábitos e a cobrar o seu governo para fazer dessa uma mudança sistêmica?
Até lá, continuaremos nos afogando em nosso próprio lixo.
Alternativas a itens plásticos descartáveis
A Comissão Europeia planeja proibir canudos, copos, pratos e talheres de plástico. Mas isso não significa que será preciso abrir mão desses itens tão convenientes. Conheça alternativas ecológicas.
A União Europeia quer banir canudos e outros itens plásticos descartáveis, que acabam em depósitos de lixo ou em nossos oceanos. Mas para aqueles que simplesmente não conseguem abrir mão dos canudos, há alternativas mais ecológicas.
Foto: picture-alliance/dpa/P. Pleul
Beba, depois coma
Muitas vezes, animais marinhos tentam comer os canudinhos de plástico despejados no oceano. Para proteger o meio ambiente, agora você mesmo pode comer o canudo. A startup alemã Wisefood desenvolveu um canudo comestível feito a partir das sobras da produção de suco de maçã da Alemanha. Também já existem canudos reutilizáveis feitos de metal, bambu ou vidro.
Foto: Wisefood
Talheres comestíveis
Não há estatísticas sobre quantos garfos, facas e colheres de plástico são usados uma única vez e então jogados no lixo. Mas é o suficiente para a UE querer dar adeus a eles. Se na correria do dia a dia, você não pode usar talheres de metal, experimente as versões comestíveis. A startup indiana Bakey produz garfos feitos de sorgo; a empresa americana SpudWares, de fécula de batata.
Foto: picture-alliance/dpa/M. Scholz
Sem sobras
Falando em comer talheres, que tal usar pratos comestíveis? A empresa polonesa Biotrem desenvolveu pratos feitos de farelo. Caso você já esteja satisfeito com sua refeição, não se preocupe: os pratos são orgânicos e se decompõem após 30 dias.
Foto: picture-alliance/dpa/A. Reszko
Corte o copo
Além de proibir o uso privado de produtos plásticos descartáveis, a UE pretende incentivar as cadeias de fast food, cafés e bares a reduzirem o uso de copos de plástico. Meio trilhão de copos plásticos são consumidos a cada ano, a maioria em uma única bebida, para depois poluírem o meio ambiente. Várias empresas agora oferecem alternativas baseadas em plantas.
Foto: picture-alliance/empics/D. Thompson
Não é de plástico
Uma dessas empresas é a startup Avani, de Bali, que desenvolveu um bioplástico compostável feito de amido de milho. Embora os copos se pareçam com os copos de plástico à base de petróleo, eles são biodegradáveis. Porém, eles se decompõem melhor em uma instalação de compostagem comercial, e não em qualquer quintal.
Foto: Avani-Eco
Reuse, reuse, reuse
A maneira mais fácil de substituir copos de plástico é usar canecas reutilizáveis. Mas nem sempre temos à mão as nossas xícaras de café. Berlim está entre as cidades alemãs que atualmente testam um projeto piloto que permite aos aficionados por café pegar emprestada uma caneca de bambu reutilizável em um local, em troca de um pequeno depósito, e depois devolvê-la em outro café mais tarde.
Foto: justswapit
Orelhas limpas, oceanos sujos
Outro produto plástico que a UE quer eliminar são os cotonetes. Quando descartados de forma inadequada, eles acabam no oceano, onde os animais os confundem com comida. Existem alternativas sem plástico, com o cabo feito de bambu ou papel. Mas os ambientalistas mais radicais dizem que é melhor abrir mão deles, afinal, pode-se usar uma toalha para limpar os ouvidos.
Foto: picture alliance/dpa/Wildlife Photographer of the Year /J. Hofman
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