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Os perigos do excesso de proteína para os adolescentes

Jeannette Cwienk
23 de outubro de 2026

Consumir muita proteína pode sobrecarregar o organismo, pôr a saúde em risco e até mesmo piorar a acne. Especialistas recomendam cautela com shakes e suplementos.

Homem jovem bebe shake em um copo
Shakes proteicos estão cada vez mais populares entre os jovensFoto: Monkey Business 2/Shotshop/picture alliance

Antes restritos ao universo das academias, os produtos ricos em proteína hoje vão de shakes e barrinhas a iogurtes, pães e sobremesas. Crianças e adolescentes entraram na mira dessa indústria, impulsionando o crescimento desse mercado nessa fatia da população.

Em uma pesquisa representativa realizada pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, em 2024, quase metade dos cerca de mil pais entrevistados afirmou que seus filhos de 13 a 17 anos haviam consumido suplementos proteicos no ano anterior. Os meninos recorriam a eles com mais frequência do que as meninas, principalmente para praticar esportes e ganhar massa muscular. Já as meninas os utilizavam com foco em uma alimentação equilibrada e na perda de peso.

Na Alemanha, segundo o portal de estatísticas Statista, o setor de alimentos proteicos fitness registrou um crescimento de cerca de 25% nas vendas do varejo entre março de 2024 e março de 2025.

De quanta proteína realmente precisamos

As proteínas são componentes essenciais do metabolismo. Elas desempenham papel central na construção e reparação de tecidos, como músculos, pele e órgãos. Também servem de matéria-prima para enzimas que controlam reações químicas no organismo e para anticorpos importantes para o sistema imunológico.

De acordo com a Sociedade Alemã de Nutrição (DGE), adultos saudáveis devem consumir diariamente 0,8 grama de proteína por quilo de peso corporal. Assim, uma mulher com 65 quilos precisaria de 52 gramas de proteína por dia.

No entanto, ela não precisa de produtos proteicos especiais para atingir essa meta. Um café da manhã com leite e pão com queijo, arroz com feijão, carne e salada no almoço, e um jantar com ovos, pão integral ou uma sopa com frango já podem fornecer a proteína necessária para a maioria dos adultos.

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Os adolescentes precisam de um pouco mais de proteína porque ainda estão em fase de crescimento. Nesse caso, a recomendação é de 0,9 grama por quilo de peso corporal. Um adolescente de 45 quilos, por exemplo, necessitaria de 40,5 gramas de proteína por dia.

Pessoas com mais de 65 anos, bem como crianças entre um e quatro anos, devem consumir cerca de 1 grama de proteína por quilo de peso corporal.

Enquanto idosos frequentemente ingerem proteína insuficiente, em parte por perderem o apetite, um estudo realizado na Alemanha entre 2015 e 2017 constatou que crianças e adolescentes costumam consumir proteína em excesso. Cerca de metade dos jovens entre 6 e 17 anos ingeria diariamente mais do que o dobro da quantidade recomendada.

Proteína em excesso pode ser perigosa?

Segundo a DGE, o excesso de proteína pode ser prejudicial a longo prazo. Diversos estudos indicam que crianças que ingerem grandes quantidades de proteína, especialmente de origem animal, apresentam maior tendência a desenvolver sobrepeso mais tarde. Em alguns casos, a puberdade também começou mais cedo.

Além disso, o excesso pode sobrecarregar e danificar os rins, sobretudo quando a ingestão de líquidos é insuficiente ou já existe algum comprometimento renal, mas também em pessoas em fase de crescimento. Isso ocorre porque os aminoácidos, componentes das proteínas, precisam ser transformados em ureia nos rins antes de serem eliminados pela urina.

Proteína ajuda a ganhar músculos e emagrecer

A prática de exercícios aumenta a necessidade de proteína. Segundo a DGE, proteínas podem ajudar a preservar ou aumentar a massa e a força muscular, além de favorecer a recuperação após o esforço físico.

Dependendo do objetivo e da intensidade do treinamento, atletas devem consumir entre 1,2 e 2 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia, distribuídas ao longo de 24 horas. Essas recomendações se aplicam, porém, apenas a quem treina mais de cinco horas por semana.

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As proteínas também são interessantes para quem deseja emagrecer porque proporcionam maior sensação de saciedade. Dietas ricas em proteínas costumam resultar em perda de peso superior à observada em outros tipos de dieta. Ainda assim, a questão fundamental continua sendo o equilíbrio entre calorias consumidas e calorias gastas.

A proteína animal é melhor que a vegetal?

Em geral, proteínas vegetais contêm um pouco menos de aminoácidos essenciais do que as de origem animal. Aminoácidos essenciais são aqueles que o organismo não consegue produzir sozinho e precisa obter por meio da alimentação.

Por outro lado, produtos integrais, leguminosas e oleaginosas oferecem mais fibras, vitaminas e gorduras insaturadas, todos componentes benéficos à saúde.

Por isso, a DGE recomenda que um eventual aumento da ingestão de proteínas seja obtido prioritariamente por meio de fontes vegetais.

Por que há críticas aos suplementos de proteína?

Pós e barras de proteína costumam ser enriquecidos não apenas com vitaminas e minerais, mas também com ingredientes considerados problemáticos, como adoçantes, açúcar, aditivos e aromatizantes.

A Escola Superior Alemã de Esporte, em Colônia, encontrou até mesmo substâncias usadas para doping em produtos proteicos comercializados para ganho de massa muscular.

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Para adolescentes, os suplementos proteicos podem apresentar outro inconveniente. Como geralmente são produzidos a partir de proteínas do leite, podem estimular a produção de sebo na pele por diferentes mecanismos e, assim, provocar ou agravar a acne. No entanto, uma relação causal clara entre proteínas do leite e acne ainda não foi comprovada.

Especialistas também veem os shakes proteicos com cautela porque eles podem levar os jovens a substituir refeições tradicionais, reduzindo a ingestão de fibras, micronutrientes e gorduras saudáveis.

Preço alto

Alimentos enriquecidos com proteína costumam ser caros. Uma pesquisa da organização alemã de defesa do consumidor realizada em 2022 mostrou que até mesmo produtos naturalmente ricos em proteína, como queijo e bebidas de soja, frequentemente custam mais caro quando os fabricantes destacam o teor proteico na embalagem.

Vale lembrar que mesmo atletas com maiores necessidades de proteína não precisam necessariamente recorrer a produtos específicos. A DGE recomenda que essa demanda seja atendida principalmente por meio de uma alimentação otimizada.

Segundo a entidade, não existem evidências científicas de que o organismo necessite de suplementos enriquecidos com proteína quando submetido a cargas maiores de treinamento.

Por outro lado, especialistas reconhecem que suplementos proteicos podem ser úteis em alguns casos, como para pessoas com alergias, problemas digestivos, dificuldades para mastigar ou engolir alimentos, ou que apresentam pouco apetite.

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