1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Os principais momentos do Oscar 2026

16 de março de 2026

Brasileiro "O Agente Secreto", que concorria em quatro categorias, não levou nenhuma estatueta na maior premiação de cinema de Hollywood.

Equipe de "Uma Batalha Após a Outra" celebra Oscars
Grande vencedor da 98ª edição do Oscar foi "Uma Batalha Após a Outra", saga política sobre país que aterroriza imigrantesFoto: Mike Blake/REUTERS

A 98ª cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, realizada neste domingo (15/03), coroou Uma Batalha Após a Outra como o grande vencedor da noite. 

Dirigida por Paul Thomas Anderson, a saga americana multigeracional sobre resistência política levou seis Oscars: melhor filme, direção, roteiro adaptado, montagem, ator coadjuvante (Sean Penn) e seleção de elenco.

O diretor Paul Thomas Anderson já havia sido indicado ao Oscar outras 11 vezes, mas este foi seu primeiro prêmioFoto: Mike Blake/REUTERS

O filme conta uma história de um grupo rebelde que luta contra um governo autoritário que detém imigrantes – num paralelo inevitável com os Estados Unidos de Donald Trump.

"Escrevi este filme para meus filhos, para pedir desculpas pela bagunça doméstica que deixamos neste mundo, que estamos entregando a eles", disse o diretor Paul Thomas Anderson ao receber o prêmio de melhor roteiro. "Mas também com o incentivo de que eles serão a geração que, espero, nos trará um pouco de bom senso e decência."

Terror negro

Elogiado pela crítica, Pecadores, filme de época estrelando um elenco de vampiros negros nos Estados Unidos da era segregacionista, foi o segundo destaque desta edição do Oscar, com quatro estatuetas.

Michael B. Jordan desbancou Timothée Chalamet como melhor ator, e Ryan Coogler levou o prêmio de melhor roteiro original.

Pecadores também consagrou Autumn Durald Arkapaw como melhor fotografia, e rendeu a Ludwig Goransson o prêmio de melhor trilha sonora.

O ator Michael B. Jordan abraça Benício del Toro ao receber a estatueta de melhor ator por seu trabalho em "Pecadores"Foto: Mike Blake/REUTERS

Quem mais brilhou

Frankenstein, do diretor e roteirista mexicano Guillermo del Toro, ficou com três das nove estatuetas a que foi indicado: melhor figurino, maquiagem e design de produção.

Outro destaque da noite foi Jessie Buckley, premiada como melhor atriz por seu papel em Hamnet.

Jessie Buckley comemora prêmio de melhor atriz por seu papel em "Hamnet"Foto: Mario Anzuoni/REUTERS

Um momento memorável da noite hollywoodiana foi a primeira apresentação musical em um Oscar, numa quase recriação de uma cena de Pecadores.

Canção "I Lied to You", de "Pecadores", foi a primeira performance musical em uma cerimônia do OscarFoto: Mike Blake/REUTERS

Wagner Moura como apresentador

Indicado a melhor ator por sua interpretação de um ex-professor universitário ameaçado de morte no filme O Agente Secreto, Wagner Moura participou da cerimônia do Oscar como apresentador da inédita categoria de melhor elenco.

Wagner Moura subiu ao palco ao lado de Paul Mescal, Chase Infiniti, Delroy Lindo e Gwyneth PaltrowFoto: Patrick T. Fallon/AFP

Discursando em inglês, Moura enalteceu o trabalho de Gabriel Domingues, que escalou o elenco de O Agente Secreto, e encerrou sua fala com um "parabéns" em português. "O Agente Secreto se passa no Brasil do fim dos anos 1970. Gabriel Domingues teve que preencher o filme com pessoas que tinham o rosto que parecia pertencem àquela época. Gabriel, você conseguiu", disse.

A atriz potiguar Alice Carvalho, parte do elenco de "O Agente Secreto", esteve na cerimônia do OscarFoto: Arturo Holmes/Getty Images/AFP

Torcida dos brasileiros não comoveu Hollywood

Acompanhada com entusiasmo pelo Brasil, que concorria ao Oscar em cinco categorias, a premiação terminou sem nenhuma estatueta para o cinema nacional – para decepção de uma plateia animada que acompanhou o evento desde o Cinema São Luiz, em Recife. 

Público reunido no Cinema São Luiz, em Recife, na torcida por "O Agente Secreto"Foto: Brenda Alcantara/AFP

O local foi cenário de O Agente Secreto, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, que concorria nas categorias melhor filme, melhor filme estrangeiro, melhor ator e melhor seleção de elenco.

Maria Fernanda Cândido, que também atuou em "O Agente Secreto", pisa no tapete vermelhoFoto: Arturo Holmes/Getty Images/AFP

Também não teve prêmio para o brasileiro Adolpho Veloso, que disputava na categoria melhor fotografia por seu trabalho em Sonhos de Trem. A estatueta ficou com Arkapaw (Pecadores), primeira mulher a vencer o prêmio.

Um raro empate 

Neste ano, o prêmio de melhor curta-metragem foi dividido entre duas obras: Os Cantores, da Netflix, sobre uma competição de canto que toma conta de um bar; e o distópico Two People Exchanging Saliva ("Duas pessoas trocando saliva", em tradução livre), onde pessoas vivem sob restrições de contato físico.

O empate é um acontecimento raro, algo só visto outras seis vezes em 98 edições da premiação de Hollywood.

Da esquerda para a direita: Jack Piatt e Sam A. Davis, de Os Cantores", e Natalie Musteata e Alexandre Singh, de "Two People Exchanging Saliva"Foto: Mario Anzuoni/REUTERS

"Não à guerra e Palestina livre"

O pronunciamento mais explícito contra a guerra veio do ator espanhol Javier Bardem. Ao anunciar o prêmio de melhor filme estrangeiro, ele declarou: "Não à guerra e liberdade para a Palestina". Bardem, conhecido por defender os direitos do povo palestino, também usava um broche com a palavra "Palestina" e a figura de Handala – símbolo tradicional da identidade e resistência palestinas – além de um emblema apregoado ao paletó onde se lia "não à guerra".

O ator espanhol Javier Bardem, ao lado de Priyanka Chopra JonasFoto: Mike Blake/REUTERS

Diversas celebridades ostentaram broches e símbolos indicando suas posições políticas, entre eles os que diziam "Fora ICE", numa crítica às políticas de repressão de imigrantes nos EUA. Outros artistas exibiram o símbolo do grupo Artists4Ceasefire, em apoio ao apelo por um cessar-fogo imediato e permanente em Gaza, além de ajuda humanitária aos civis e a libertação de todos os reféns.

Fora do Dolby Theater, local da cerimônia, uma frase de protesto contra a política migratória de Trump foi projetada num edifício próximo dali: "ICE fora de Los Angeles", uma referência à agência federal que tem aterrorizado imigrantes e perseguido até mesmo cidadãos americanos.

"ICE fora de Los Angeles": projeção na fachada de um edifício próximo ao local que sediou a cerimônia do OscarFoto: Mike Weekes/REUTERS

Provocações a Trump

Antes da noite do Oscar, o apresentador Conan O’Brien havia dado a entender que evitaria temas políticos, afirmando em entrevista que a cerimônia deveria celebrar o cinema e seu talento, mantendo o humor "sem cair na raiva ou na política".

No entanto, ao abrir o evento, ele avisou que "as coisas poderiam ficar políticas". Em tom de brincadeira, disse que havia uma "cerimônia alternativa" ao Oscar apresentada por Kid Rock ali perto – uma referência à programação paralela de orientação conservadora produzida durante o Super Bowl em protesto à apresentação do porto-riquenho Bad Bunny, que desagradou Trump.

Também sem citar nomes, O’Brien ironizou Trump e o fato de ele ter colocado seu nome no Kennedy Center. Ele brincou dizendo que a cerimônia do Oscar estava sendo realizada no "Teatro Ele Tem um Pênis Pequeno", referência ao Dolby Theatre, e completou: "Quero ver ele colocar o nome dele na frente disso!"

O apresentador Conan O'Brien debochou de Trump no Oscar, sem citá-lo diretamenteFoto: Mike Blake/REUTERS

ra/ cn (DW, ots)

Pular a seção Mais sobre este assunto
Pular a seção Manchete

Manchete

Pular a seção Outros temas em destaque