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Decisão unânime

5 de março de 2009

Desde agosto último, as relações entre a aliança transatlântica e a Rússia estavam suspensas devido à guerra na Geórgia. Decisão unânime, apesar de ressalvas. França considera retornar à Otan como membro pleno.

Jaap de Hoop Scheffer (e) e presidente russo, Dimitri MedvedevFoto: AP / PD / DW

Quase sete meses após o conflito no Cáucaso, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidiu reatar oficialmente as relações com a Rússia. Segundo o secretário-geral da aliança transatlântica, Jaap de Hoop Scheffer, o primeiro encontro em nível ministerial deverá se dar "o mais breve possível, após a cúpula da Otan", marcada para 3 e 4 de abril.

A cooperação com Moscou fora suspensa em agosto de 2008, devido à guerra na Geórgia. Durante o encontro informal dos ministros do Exterior da Otan nesta quinta-feira (05/03), em Bruxelas, De Hoop Scheffer ressaltou os interesses comuns entre sua organização e Moscou: o Afeganistão, a luta contra o terrorismo e a não-disseminação de armas atômicas.

Erro da Otan?

Assim como o secretário-geral, o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, tampouco considera a crise militar com a Rússia diplomaticamente superada. "Isto não pode nos fazer cair no mutismo", observou, "temos que encontrar meios de reavivar o Conselho Otan-Rússia". Porém ressalvou: "Tivemos um 2008 difícil devido ao conflito no Cáucaso. Os efeitos desse conflito ainda se fazem sentir".

Seu homólogo lituano, Vygaudas Usackas, foi ainda mais cauteloso: "Minha avaliação no momento é que seria ainda um pouco cedo para iniciar o diálogo oficial". Em sua opinião, "deveríamos fazer um inventário honesto para saber se foram feitos suficientes progressos, se quisermos que a Rússia leve nossas palavras a sério." Apesar das ressalvas do país báltico, a decisão pró-Rússia na Otan foi unânime.

Um porta-voz do Ministério do Exterior em Moscou saudou a decisão como "uma vitória do bom senso". Ele classificou como um erro a decisão da Otan de suspender os contatos em agosto último, "quando eles eram mais necessários".

Conselho Otan-Rússia

Participando de um encontro da Otan pela primeira vez, a chefe da diplomacia norte-americana, Hillary Clinton, disse estar na hora de avançar nas relações com Moscou e de adotar uma nova postura de "realismo".

"Enquanto alguns consideram o Conselho Otan-Rússia uma recompensa ou concessão aos russos, ele deveria ser visto antes como um mecanismo de diálogo sobre questões em que não estamos de acordo, e como uma plataforma de cooperação para questões de interesse comum", disse a secretária de Estado.

Os ministros de Relações Exteriores da Estônia, Luxemburgo e Reino Unido igualmente se pronunciaram a favor de uma retomada do Conselho Otan-Rússia. Criado em 2002, o fórum prevê encontros regulares tanto em nível diplomático quanto do alto comando militar e dos ministérios do Exterior e da Defesa.

Terroristas no Afeganistão

Hillary Clinton estreou na OtanFoto: AP

A secretária norte-americana de Estado propôs ainda uma conferência internacional sobre a futura estratégia na guerra do Afeganistão, que já dura sete anos. Ela já discutira essa ideia com os ministros afegão e paquistanês, na semana passada em Washington.

Clinton exortou os membros da Otan a reforçarem seu engajamento militar naquele país asiático. No contexto da missão da Isaf, 26 países da aliança transatlântica e 15 outros aliados mantêm 56 mil soldados na região, dos quais 3,7 mil são alemães. Os EUA já se decidiram quanto ao envio de mais 17 mil soldados para o Afeganistão, entre outros motivos, para garantir a segurança no país durante as eleições presidenciais de agosto próximo.

Segundo Clinton, a fronteira afegã-paquistanesa seria o quartel-general dos terroristas responsáveis tanto pelos atentados de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington, como os contra Madri e Londres. Também o assassinato da ex-premiê do Paquistão Benazir Bhutto e o ataque em Bombaim seriam obra desses militantes. "Eles estão planejando atentados desse tipo agora mesmo", assegurou a seus colegas de pasta em Bruxelas.

Nesta sexta-feira, Hillary Clinton deverá visitar a Comissão Europeia pela primeira vez na qualidade de secretária de Estado.

Franceses de volta

Em breve a França poderá voltar a ser membro pleno da Otan. O ministro francês da Defesa, Hervé Morin, enfatizou na última terça-feira que, após 43 anos, um retorno às estruturas militares da aliança transatlântica não afetará a autonomia de seu país. O passo poderá ser dado já no início de abril, por ocasião dos 60 anos de fundação da organização.

E, no entanto, os franceses foram membros fundadores da Otan em 1949, e até mesmo abrigaram seu quartel-general. Porém a dominância estadunidense incomodou o presidente Charles de Gaulle desde o início. Quando a França se tornou potência nuclear, ele se recusou a deixar o poder de decisão sobre suas armas atômicas nas mãos de outros, e em 1966 abandonou a estrutura militar.

O quartel-general da Otan foi transferido para a capital belga. Com isso, Paris perdeu sensivelmente influência na organização, fato que De Gaulle e seus sucessores aceitaram em troca da autonomia sobre seu arsenal nuclear.

Porém, no mínimo a partir década de 1990, uma outra linha começou a se impor em Paris, desde que o fim da Guerra Fria trouxe uma situação totalmente nova, do ponto de vista estratégico. E desde 2001 o combate ao terrorismo colocou-se em primeiro plano. O presidente Nicolas Sarkozy pretende agora completar o processo de retorno.

AV/RW/dw/afp/ap/dpa/rtr

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