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PolíticaArgentina

Paraguaios acusam Lula de "distorcer história" sobre guerra

26 de julho de 2026

Presidente afirmou, ao defender gastos militares, que conflito da Tríplice Aliança teve início quando Paraguai "decidiu invadir o Brasil". Para deputados e senadores do país vizinho criticaram declaração.

Lula com um chapéu e um dedo apoiando a testa
Declaração ocorreu na última sexta-feira (24/07), no interior de São PauloFoto: Eraldo Peres/AP Photo/dpa/picture alliance

Deputados e senadores paraguaios acusaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "distorcer a história" ao alegar que a Guerra do Paraguai teve início quando o país vizinho "decidiu invadir" o Brasil. A declaração de Lula ocorreu na sexta-feira (24/07), na visita à Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), quando o presidente da República defendeu investimentos no setor da defesa e o fortalecimento das Forças Armadas.

"Lula, você está falando com demasiada leveza sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente", afirmou o presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, do Partido Colorado, citado em um comunicado institucional divulgado neste domingo (26/07).

Latorre disse que a Guerra da Tríplice Aliança, que opôs o Paraguai à Argentina, ao Brasil e ao Uruguai, que vitimou 60% da população local e de 90% da população masculina, "teve seu início com a intervenção militar do Brasil no Uruguai" e que o conflito "deixou o Paraguai devastado".

"Você já disse uma vez que iria acabar com a guerra na Ucrânia 'com uma cervejinha'. Hoje, volta a falar de forma leviana sobre conflitos armados na América; se suas 'jabuticabas' acabaram, podemos te enviar algumas. Nós conhecemos o verdadeiro valor da paz, porque a pagamos com nosso sangue", concluiu o político.

"Há loucos pelo mundo", disse Lula

Na última sexta-feira, Lula defendeu que as Forças Armadas fossem "bem preparadas e treinadas" como força de dissuasão porque, segundo ele, "há loucos pelo mundo querendo fazer guerra", ao mesmo tempo em que defendeu a necessidade de possuir "poderio armamentista" para "falar de paz".

"Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil", disse o presidente brasileiro, no discurso em Jacareí. "Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não seria grande coisa, durou cinco anos", afirmou o petista.

Esquerda paraguaia vê "imperialismo"

As declarações de Lula também provocaram a reação do deputado da oposição Rubén Rubín, do partido Hagamos, de centro, que acusou Lula de tentar "distorcer a história". "Um povo que esquece sua história permite que outros a reescrevam conforme lhes convém. E é exatamente isso que Lula tenta fazer", afirmou o deputado no sábado, na rede X.

Já a senadora Esperanza Martínez, da Frente Guasú, de esquerda, declarou, também no sábado no X, que as declarações de Lula são "resquícios do imperialismo que tentam ocultar uma guerra criminosa e uma política histórica de domínio e abuso por parte da elite brasileira" contra o Paraguai.

Da mesma forma, o senador da oposição e historiador Eduardo Nakayama, do Partido Liberal Radical Autêntico, afirmou na sexta, também no X, que Lula "esqueceu" de mencionar que, antes de o Paraguai iniciar a chamada campanha militar de Mato Grosso, na qual invadiu o sul do Brasil, "o exército imperial brasileiro invadiu o Uruguai", o que desencadeou a guerra "mais sangrenta" da história da América do Sul.

A Guerra do Paraguai foi resultado de uma série de tensões e disputas regionais na Bacia do Prata durante a segunda metade do século 19. A intervenção militar brasileira no Uruguai, em 1864, é apontada por parte da historiografia como um fator que contribuiu para a escalada da crise.

Pouco tempo depois, o Paraguai apreendeu o navio brasileiro Marquês de Olinda no Rio Paraguai e, na sequência, invadiu a província de Mato Grosso. A partir daí, Brasil, Argentina e Uruguai formaram a Tríplice Aliança e avançaram sobre o território paraguaio.

fcl (EFE, ots)

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