Partido de Merz aprova acordo de coalizão na Alemanha
29 de abril de 2025
Delegados da CDU, sigla do provável futuro chanceler federal alemão Friedrich Merz, acataram formação de governo com o SPD, de Olaf Scholz. Social-democratas têm até terça-feira para votar.
Friedrich Merz deve se tornar o próximo chanceler federal alemão no dia 6 de maioFoto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance
Em uma conferência do partido na capital, a maioria dos delegados da CDU votou a favor do acordo de 144 páginas, intitulado "Responsabilidade pela Alemanha". Segundo o governador da Saxônia, Michael Kretschmer, que conduziu a sessão, o texto foi aprovado por uma "maioria esmagadora", embora o número exato de votos não tenha sido divulgado. Merz já definiu seus ministros para o novo governo.
O bloco conservador — que inclui também a União Social Cristã (CSU), partido irmão da CDU na Baviera — já havia fechado o acordo de coalizão no início do mês, após vencer as eleições de fevereiro.
Com a aprovação da CSU já garantida desde o começo do mês, as atenções se voltam agora para o SPD, cujos 358 mil filiados têm até a noite desta terça-feira para votar sobre a formação da aliança. O resultado será anunciado na quarta-feira.
Se aprovado, Friedrich Merz, deve ser eleito chanceler federal pelo Parlamento alemão no dia 6 de maio – seis meses após o colapso da atual coalizão de centro-esquerda, provocado pela demissão do então ministro das Finanças, Christian Lindner.
Juntos, CDU, CSU e SPD somam apenas uma estreita maioria de 328 dos 630 assentos no novo Bundestag, a câmara baixa do Parlamento alemão.
Merz promete mudança de rumo
Antes da votação, Merz prometeu mudar o curso das políticas de migração e da economia do país, apesar das críticas de seus aliados de que o acordo de coalizão tenha sido pouco incisivo.
O futuro chanceler afirmou que a nova administração precisará agir rapidamente para aliviar o impacto da migração no país que, segundo ele, ameaça a coesão social e a democracia.
Merz defendeu a imposição de controles de fronteira mais rígidos desde o primeiro dia de seu futuro governo e prometeu apoiar uma política migratória mais restritiva no âmbito da União Europeia.
"Comigo na liderança, a Alemanha não vai mais pisar no freio na Europa nesse tema", declarou Merz, sendo aplaudido pelos delegados.
O conservador ainda prometeu reverter a política econômica da atual gestão, sob o desafio de reaquecer a economia alemã, que passa por uma estagnação.
Ele ainda argumentou a favor da abertura de mercados para evitar o impacto da guerra comercial entre China e Estados Unidos. Merz disse que pretende propor ao presidente americano, Donald Trump, uma redução mútua das tarifas comerciais a 0% para todos os produtos negociados entre Alemanha e EUA.
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CDU define seus ministros
Antes da votação, a CDU revelou seus indicados para o novo gabinete federal. Entre eles, o deputado Johann Wadephul, especialista em política externa e segurança, foi escolhido para comandar o Ministério das Relações Exteriores — o primeiro político da CDU a assumir a pasta em quase 60 anos.
Wadephul chega ao cargo em um cenário de rápidas transformações geopolíticas e terá a missão de posicionar Berlim diante de um governo americano cada vez mais imprevisível.
Katherina Reiche, ex-parlamentar que passou os últimos anos no setor de energia, foi indicada para o Ministério da Economia.
SPD ainda precisa ratificar acordo
Embora a aprovação pela CDU fosse esperada, a votação entre os membros do SPD segue até esta terça-feira. Apesar das críticas da ala jovem do partido, analistas consideram que a aprovação é provável, especialmente diante da força crescente do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD).
A AfD, que ficou em segundo lugar nas eleições de fevereiro, vem ganhando força nas pesquisas e poderia se beneficiar de uma eventual rejeição do acordo pelo SPD, o que poderia levar a novas eleições.
Assim como a CDU, o SPD indicará sete ministros no novo governo, enquanto a CSU ficará com três pastas. O secretário-geral do SPD, Matthias Miersch, afirmou que os nomes serão anunciados na próxima segunda-feira, véspera da eleição de Merz como chanceler.
Entre os cotados, o atual ministro da Defesa, Boris Pistorius — um dos membros mais populares do governo de centro-esquerda — deve permanecer no cargo.
gq (dpa, dw)
Desde a Segunda Guerra, CDU e SPD se alternam no poder por meio de coalizões – entre si, ou incluindo partidos menores como FDP e Verdes.
Foto: Fabrizio Bensch/REUTERS
CDU/CSU - FDP - DP (1949-1961)
Konrad Adenauer, da conservadora União Democrata Cristã (CDU), liderou o primeiro governo democrático da Alemanha Ocidental no pós-Guerra. Junto com o braço bávaro da CDU, a CSU, o Partido Liberal Democrático (FDP) e o Partido Alemão (DP, sigla hoje extinta) formaram a 1° coalizão. Em 1953, o Bloco dos Refugiados e Expatriados assumiu o lugar do DP e, em 1957, a CDU conquistou maioria absoluta
Foto: - /dpa/picture alliance
CDU/CSU - FDP (1961-1966)
Após quatro anos governando a Alemanha Ocidental sozinha, a CDU perdeu a maioria no Bundestag e foi forçada a retomar a coalizão com a FDP. Adenauer renunciou em 1963, aos 87 anos, após acumular desfaste no escândalo provocado pela tentativa de censura à revista "Der Spiegel" no ano anterior. Seu Ministro da Economia, Ludwig Erhard (à esquerda), foi eleito pelo parlamento para assumir o cargo.
Foto: Imago/Zumapress//Keystone
CDU/CSU - SPD (1966-1969)
Em 1966, Ludwig Erhart foi reeleito e continuou a governar ao lado da FDP, mas a coalizão ruiu no ano seguinte em meio a disputas orçamentárias. Erhart também renunciou e Kurt Kiesinger (à dir.), da CDU, foi escolhido para assumir o cargo. Ele montou um novo governo, agora com o Partido Social Democrata (SPD), de Willy Brandt (à esq.), formando a primeira "grande coalizão".
Foto: picture-alliance/dpa
SPD - FDP (1969 - 1982)
Em 1969, Willy Brandt (à esq.) tornou-se o primeiro chanceler federal do SPD. A CDU/CSU saiu vencedora na eleição parlamentar, mas Brandt fez um acordo com a FDP para garantir uma estreita maioria. Sua política de reapoximação com a Alemanha Oriental o deixou no poder até 1974, quando foi substituído por Helmut Schmidt (à dir.), também do SPD. Schimidt venceu mais duas eleições ao lado da FDP.
Foto: Sammy Minkoff/picture alliance
CDU/CSU - FDP (1982-1998)
A aliança entre o SPD e o FDP terminou quando as diferenças entre os partidos se tornaram irreconciliáveis. Os liberais novamente mudaram de lado, buscando um acordo com os conservadores. Eles formaram uma nova coalizão CDU/CSU-FDP sob a liderança de Helmut Kohl (foto), da CDU, que permaneceu como chanceler por 16 anos, sempre ao lado da FDP.
Foto: dpa/picture alliance
CDU - DSU - Despertar Democrático - SPD e mais (1990)
Após a queda do Muro de Berlim, a Alemanha Oriental foi palco de eleições livres pela 1° vez. Uma aliança formada pelo braço oriental da CDU e 2 pequenos partidos, a DSU e o Despertar Democrático, obteve mais de 46% dos votos. Eles formaram coalizão com o SPD oriental e outros 3 partidos. Em outubro de 1990, sob Lothar de Maizière, o governo assinou a reunificação com a Alemanha Ocidental.
Foto: Wolfgang Kumm/dpa/picture alliance
SPD - Verdes (1998-2005)
Em 1998, a CDU/CSU perdeu a eleição geral e o candidato do SPD, Gerhard Schröder (à esq.), se tornou chanceler de um governo de centro-esquerda composto com o Partido Verde. Joschka Fischer, dos Verdes, assumiu o Ministério das Relações Exteriores. O mesmo grupo permaneceu no poder até a eleição antecipada de 2005.
Foto: picture alliance / dpa
CDU/CSU - SPD (2005-2009)
As "grandes coalizões", que envolvem as duas maiores siglas, não são fáceis de serem negociadas. Quando as primeiras pesquisas de boca de urna foram divulgadas em 2005, tanto Schröder, do SPD, quanto Angela Merkel, da CDU, se declararam vencedores. Os conservadores acabaram vitoriosos por apenas 1%. Assim, as duas siglas concordaram em formar um governo conjunto sob o comando de Merkel.
Foto: Stefan Sauer/dpa/picture alliance
CDU/CSU - FDP (2009-2013)
O experimento da "grande coalizão" terminou em 2009, depois que o SPD obteve decepcionantes 23% nas eleições federais. Os liberais do FDP, por outro lado, obtiveram mais de 14% dos votos, suficiente para dar maioria ao novo governo. Merkel (CDU) e Guido Westerwelle (à esq.), do FDP, formaram uma coalizão com relativa facilidade, instituindo o 11º governo CDU/CSU-FDP da Alemanha.
Foto: AP
CDU/CSU - SPD (2013-2021)
Depois de obter mais de 40% dos votos, a CDU não esperava precisar do SPD para formar um governo. Mas seus antigos aliados, o FDP, não conseguiram atingir o limite mínimo para entrar no Bundestag. Merkel pediu à centro-esquerda que se juntasse a ela e "assumisse a responsabilidade de construir um governo estável". Ela fez o mesmo discurso quatro anos depois, em um novo governo com o SPD.
Foto: Maurizio Gambarini/dpa/picture alliance
SPD - Verdes - FDP (2021-2024)
Em 2021, Merkel deixou a vida política e os centro-democratas venceram por uma margem apertada. Olaf Scholz conseguiu formar uma coalizão com os Verdes e o FDP, um bloco conhecido como "semáforo". A autodeclarada "coalizão do progresso", porém, foi interrompida antecipadamente devido a brigas internas com os liberais, se tornando o governo menos popular da história da Alemanha.
Foto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance
CDU - SPD (2025-?)
Em 2025, a conservadora União Democrata Cristã e a União Social Cristã (CDU/CSU) assumiram o poder, liderados por Friedrich Merz e reeditando um governo ao lado do SPD. A ascenção da ultradireita e o baixo desempenho eleitoral dos sociais-democratas, porém, faz com que esta não seja uma "grande coalizão". O bloco promete "salvar a economia alemã do declínio".