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VariedadesGlobal

Pequena história do coelho, do ovo e das tradições de Páscoa

Sabine Damaschke | Stefanie Leipert
Publicado 12 de abril de 2009Última atualização 5 de abril de 2026

Várias símbolos e costumes surgiram e se popularizaram ao longo dos 1.700 anos em que a Páscoa é celebrada no mundo.

Ovos coloridos na grama
Historiadores afirmam que o costume de dar ovos de presente surgiu entre os antigos egípcios, persas e algumas tribos germânicasFoto: picture-alliance/dpa/P. Pleul

Há séculos, famílias de diversas partes do mundo celebram a maior festa do Cristianismo de maneira parecida. No sábado, com a missa da Vigília Pascal seguida da queima simbólica do Judas e, no domingo, através da missa de Páscoa e da busca por ovos coloridos no jardim e pela casa.

No entanto, já nem todo mundo sabe por que se celebra a Páscoa. E a figura do coelho da Páscoa não exatamente ajuda, já que ele nada tem a ver com a ressurreição de Cristo.

Não se sabe exatamente como e onde surgiu o costume do coelhinho de Páscoa. Há várias explicações para esse fato. Além de símbolo de fertilidade, o coelho também é visto como um mensageiro da primavera na Europa.

Tradição protestante

A primeira menção sobre o coelho da Páscoa trazendo ovos é do século 17. Posteriormente, no século 19, o símbolo ganhou popularidade na Alemanha, sendo promovido pelo setor da confeitaria. Segundo o pesquisador de costumes Alois Döring, de Bonn, o coelho teria sido uma invenção protestante.

"Crianças católicas sabiam que na Páscoa poderiam voltar a comer ovos, que durante a Quaresma eram proibidos. Mas como explicar às crianças protestantes por que, de repente, havia tantos ovos na Páscoa?", explica Döring.

Coelhinhos de chocolate viraram uma tradição de PáscoaFoto: Political-Moments/IMAGO

Foi por isso que os protestantes criaram as histórias do coelho que distribuía, de casa em casa, os ovos acumulados durante o período. Além disso, o coelho era um símbolo da fertilidade – o que aliás não explicava como o animal, na condição de mamífero, tinha tantos ovos.

Os protestantes não se preocuparam muito com a biologia, mas, sim, com os costumes católicos como o de fazer os fiéis rirem durante as missas de Páscoa. Enquanto protestantes celebravam a ressurreição de Cristo no domingo de Páscoa com muita seriedade e silêncio, em muitas igrejas católicas procurava-se comemorá-la de forma festiva.

Durante o período barroco, era comum até que padres católicos contassem anedotas aos fiéis. E o púlpito, muitas vezes, era transformado em ateliê. "De muitos sermões, pode-se até tirar belas passagens sobre a pintura e a decoração de ovos de Páscoa, que nos séculos 17 e 18 eram comuns. Ou foram se tornando comuns", conta Döring.

Um ovo, dois ovos, três ovos pra mim

Até o começo do século 20, o coelho não era conhecido como símbolo da Páscoa no Brasil. O costume foi levado ao país por imigrantes alemães na região Sul, entre 1913 e 1920.

Na Alemanha, crianças procuram no domingo de Páscoa ovos de chocolateFoto: picture alliance/dpa/Jens Kalaene

Uma antiga lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se, então, a história de que o coelho é quem trouxe os ovos.

Segundo a tradição alemã, as crianças procuram no domingo de Páscoa ovos de chocolate "presenteados e escondidos pelo coelho" no quintal ou jardim de casa. Além disso, ganham cestas com coelhinhos, pequenos ovos de chocolate e de galinha cozidos e coloridos com tinta especial. Existem ainda diversas receitas de bolos especiais para a Páscoa.

Os ovos de Páscoa

Historiadores afirmam que o costume de cozinhar e depois colorir ovos de galinha para serem dados de presente surgiu entre os antigos egípcios, persas e algumas tribos germânicas. Hoje se atribui aos chineses o costume milenar de presentear parentes e amigos com ovos nas festas de primavera.

Já os reis e príncipes da Antiguidade confeccionavam ovos de prata e ouro recobertos de pedras preciosas. O povo, sem recursos para tais luxos, manteve a tradição de pintar e decorar os ovos de galinha.

Ovos coloridos são uma tradição de Páscoa em vários países europeusFoto: Markus Schreiber/AP Photo/picture alliance

Os ovos sempre foram tidos como símbolo de vida nova e, assim sendo, da ressurreição de Jesus Cristo. A tradição de pintar, decorar e presentear os ovos já existia desde os primórdios do Cristianismo.

"Antigamente, era comum pintar os ovos apenas de vermelho, para simbolizar tanto a cor do sangue de Cristo quanto a do amor que ele nutria pela humanidade. Isso ainda é assim na Igreja Ortodoxa", conta Döring. "E a decoração servia para distinguir os ovos bentos dos não bentos durante a Páscoa."

Com o passar do tempo, diversos outros costumes foram criados em torno do ovo, como por exemplo, a brincadeira de escondê-los.

Páscoa: uma festa cristã

Com a intenção de celebrar a ressurreição de Jesus Cristo, a Páscoa é a principal festa cristã, comemorada no primeiro domingo de lua cheia depois do início da primavera europeia, isto é, entre os dias 22 de março e 25 de abril. A Páscoa vem sendo celebrada há 1.700 anos, desde o Primeiro Concílio de Niceia, em 325, que fixou a data para a festividade.

A mensagem central da Páscoa é que a morte não é o fim de tudo. "A vida triunfa sobre a morte, a verdade sobre mentira, a justiça sobre a injustiça, o amor sobre o ódio", resume a doutrina da fé do catecismo católico.

A festa religiosa incorpora o Pessach, comemoração judaica que recorda a travessia dos judeus do Egito até a Terra Prometida, marcada pela travessia do Mar Vermelho.

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