Peru elege Parlamento fragmentado, e fujimorismo perde força
26 de janeiro de 2020
Boca de urna aponta que partido Ação Popular, de centro-direita, terá maior bancada no Congresso, ainda que com menos de 12% dos votos. Em duro golpe, legenda Força Popular, de Fujimori, cai para quinta força, com 7,1%.
Novo Congresso ficará no cargo por apenas um ano, até as próximas eleições em 2021Foto: AFP/G. Caso Bizama
Anúncio
Os peruanos foram às urnas neste domingo (26/01) e elegeram um novo Congresso bastante fragmentado e nenhuma maioria, segundo pesquisa boca de urna divulgada pela imprensa local.
O país sul-americano vive uma crise institucional desde setembro, quando o presidente Martín Vizcarra dissolveu o Parlamento após uma longa batalha com os legisladores sobre um pacote anticorrupção. As eleições gerais foram então antecipadas para este 26 de janeiro.
As cifras iniciais indicam que a Força Popular, partido oposicionista liderado por Keiko Fujimori, perdeu o controle do Congresso, tornando-se a quinta força com apenas 7,1% dos votos.
O resultado representa um duro golpe para a legenda fujimorista, que vem perdendo apoio popular em meio a uma série de escândalos de corrupção. Isso pode significar problemas para suas chances na próxima eleição presidencial no Peru, em 2021.
Segundo a pesquisa boca de urna, todos os partidos eleitos, com exceção de um, receberam entre 5% e 9% dos votos. A legenda Ação Popular, de centro-direita, foi a que conquistou melhor votação e terá a maior bancada, com 11,8% dos votos.
O voto de punição dos peruanos atingiu também o principal aliado do fujimorismo, o partido social-democrata APRA, que obteve apenas 2,8% dos votos e ficou de fora do Parlamento.
O novo equilíbrio de poderes em um Congresso fragmentado pode dar a Vizcarra uma nova chance de empurrar seu pacote de reformas anticorrupção, que foi firmemente rejeitado pela maioria oposicionista no Parlamento de 130 cadeiras.
O presidente peruano não tem representação partidária no Congresso, mas partidos de esquerda e de centro indicaram apoio geral à sua agenda.
O novo Parlamento terá vida curta e será substituído pela próxima legislatura com mandato de cinco anos (como é padrão) em 2021, quando o Peru celebrará 200 anos de independência.
Keiko Fujimori é filha do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, que está cumprindo uma sentença de 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade. A própria Keiko foi libertada da prisão em novembro em meio a uma investigação de corrupção.
Alberto Fujimori é uma figura controversa no Peru. Ele governou o país entre 1990 e 2000 e fortaleceu a economia do país, mas sua gestão foi alvo de acusações de abuso de direitos e escândalos de corrupção que levaram à sua renúncia.
Seu partido, Força Popular, ficou em segundo lugar nas duas últimas eleições presidenciais, em 2011 e 2016, ambas com Keiko como candidata a chefe de Estado. No último pleito parlamentar, em 2016, o fujimorismo foi a primeira força no Congresso, com 36% dos votos.
O Peru está assolado pela corrupção como poucos outros países: quatro de seus ex-presidentes foram gravemente implicados no escândalo da Operação Lava Jato. Um deles, Alan García, do APRA, se suicidou durante as investigações.
A pesquisa boca de urna foi realizada pelo instituto Ipsos em 26 distritos eleitorais do país, com margem de erro de 2%, e divulgada assim que as urnas se fecharam neste domingo. Mais de 25 milhões de peruanos estavam registrados para votar.
Réu em vários processos, condenado e preso, Lula faz parte de uma extensa galeria de antigos governantes acusados de corrupção que cumprem pena ou ainda batalham nos tribunais.
Foto: picture-alliance/AP-Photo/L. Correa
Park Geun-hye (Coreia do Sul)
Presidente entre 2013 e 2016, Park sofreu impeachment por realizar tráfico de influência. Em seguida, foi acusada de desviar milhões de dólares de fundos de serviços de inteligência do país para compras extravagantes, além de pedir propina a grandes empresas sul-coreanas, como a Samsung. Em 2018, foi condenada a 25 anos de prisão.
Foto: picture-alliance/AP Photo/K. Hong-Ji
O quinteto peruano
O ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) foi preso em 2005 por crimes diversos, e quatro sucessores se viram ligados à Odebrecht: Alejandro Toledo (2001-2006) teve prisão decretada em 2017 e está nos EUA; Alan Gárcia (2006-2011), investigado, se matou em 2019; Ollanta Humala (2011-2016), preso em 2017, foi solto no ano seguinte; e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) está em prisão domiciliar.
Foto: Getty Images/AFP/P. Ji-Hwan/C. Bournocle/T. Charlier/ J. Razuri
Ricardo Martinelli (Panamá)
Presidente de 2009 a 2014, Martinelli foi preso em Miami em 2017 e extraditado a seu país no ano seguinte, onde era acusado de operar esquema ilegal de espionagem de adversários políticos durante seu governo e de receber subornos da empreiteira brasileira Odebrecht. O acordo de extradição exigiu que ele fosse julgado apenas pelo delito de espionagem, pelo qual foi absolvido em agosto de 2019.
Foto: picture-alliance/dpa/S. Martínez
Carlos Menem (Argentina)
Presidente entre 1989 e 1999, o extravagante Menem foi mantido preso durante cinco meses em 2001 por envolvimento em um escândalo de venda ilegal de armas para a Croácia. Em 2013, foi condenado a sete de anos de prisão pelo caso. Em 2015, voltou a ser condenado por corrupção envolvendo o pagamento de propinas a servidores públicos. Por enquanto, um mandato no Senado lhe mantém fora da cadeia.
Foto: picture-alliance /dpa/S. Goya
Jacob Zuma (África do Sul)
Presidente entre 2009 e fevereiro de 2018, Zuma enfrenta pelo menos 18 acusações de corrupção, extorsão, fraude e lavagem de dinheiro. No dia 6 de abril de 2018, compareceu a um tribunal para prestar depoimento em um processo que o acusa de receber subornos na venda de armamento para o governo.
Foto: Reuters/S. Sibeko
Nicolas Sarkozy (França)
Presidente entre 2007 e 2012, Sarkozy enfrenta acusações de corrupção e financiamento ilegal de campanha. Em 2014, foi detido para prestar depoimento em caso de tráfico de influência envolvendo promessas a um juiz em troca de informações sobre processos. Em março de 2018, foi novamente detido para interrogatório, desta vez por suposta doação ilegal feita pelo antigo ditador líbio Muammar Kadhafi.
Foto: REUTERS
Um trio guatemalteco
O ex-presidente da Guatemala Alfonso Portillo (2000-2004) foi preso em 2010 por receber subornos do governo de Taiwan, e solto em 2015. Alvaro Colom (2008-2012) foi preso em março de 2018 por fraudes no sistema de ônibus da capital e solto cinco meses depois. Otto Pérez Molina (2012-2015) foi detido um dia após renunciar por fraude em esquema de importações e seguia preso até outubro de 2019.
Foto: AP
José Sócrates (Portugal)
Primeiro-ministro entre 2005 e 2011, Sócrates foi preso em novembro de 2014 por suspeita de corrupção, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Segundo a Justiça, Sócrates beneficiou grupos empresariais enquanto esteve no poder e em troca recebeu 24 milhões de euros. Permaneceu na cadeia até setembro de 2015, quando passou para a prisão domiciliar. Em outubro de 2017, foi denunciado por 31 crimes.
Foto: Reuters
Ehud Olmert (Israel)
Premiê entre abril de 2006 e março de 2009, Olmert foi condenado em 2014 por aceitar subornos de construtoras quando era prefeito de Jerusalém. Nos meses seguintes, foi condenado em outros processos. Começou a cumprir pena em fevereiro de 2016 e deixou a prisão 16 meses depois, em liberdade condicional. Ele ainda aguarda o resultado de recursos.
Foto: Getty Images/AFP/G. Tibbon
Svetozar Marovic (Sérvia e Montenegro)
Presidente entre 2003 e 2006 da extinta Comunidade da Sérvia e Montenegro, Marovic foi preso em 2015 por envolvimento em uma rede de corrupção na administração da cidade de Budva. Em 2016, foi condenado a três anos e dez meses de cadeia por um tribunal de Montenegro. É considerado foragido pela Justiça. Vive hoje na vizinha Sérvia e é alvo de um pedido de extradição.
Foto: picture-alliance/AP Photo/D. Vojinovic
Ivo Sanader (Croácia)
Primeiro-ministro entre 2003 e 2009, Sanader foi acusado de receber suborno durante a negociação de empréstimo com um banco austríaco. Fugiu da Croácia em 2010. Extraditado em 2011, foi condenado a dez anos de prisão. Foi solto em 2015, após sua condenação ser anulada. Ainda enfrenta outras investigações e em 2017 voltou a ser condenado a quatro anos e meio de prisão por outro caso de corrupção.
Foto: AFP/Getty Images
Khaleda Zia (Bangladesh)
Primeira-ministra entre 1991 e 1996 e novamente entre 2001 e 2006, Khaleda Zia foi presa em fevereiro de 2018 após ser condenada a 17 anos de cadeia por corrupção e desvio de doações internacionais destinadas a um orfanato. Sua defesa afirma que as acusações têm motivação política.
Foto: picture-alliance/dpa/AP Photo/A. M. Ahad
Vlad Filat (Moldávia)
Primeiro-ministro da Moldávia entre 2009 e 2013, Filat foi acusado de embolsar mais de 200 milhões de euros em um esquema de fraude bancária. Durante seu governo, três bancos do país concederam 1 bilhão de euros em empréstimos para empresas de fachada, lesando milhares de correntistas. Foi preso em 2015 e no ano seguinte foi condenado a nove anos de prisão por corrupção e abuso de poder.
Foto: picture-alliance/dpa
Fernando Collor (Brasil)
Em agosto de 2017, o ex-presidente Collor (1990-1992) se tornou réu por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da Lava Jato, acusado de cobrar propina em negócios envolvendo a BR Distribuidora. Em maio de 2019, foi denunciado também por peculato. Collor é senador e seus processos correm no Supremo Tribunal Federal.
Foto: picture-alliance/dpa/C. Gomes
Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil)
Em janeiro de 2018, o ex-presidente Lula (2003-2010) foi condenado em 2ª instância por corrupção e lavagem de dinheiro, no âmbito da Lava Jato, acusado de receber como suborno um apartamento no Guarujá. Detido em abril de 2018, ele já teria direito a ir ao regime semiaberto, mas segue preso. Em fevereiro de 2019, foi condenado em 1ª instância, desta vez envolvendo reformas num sítio em Atibaia.