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Pesquisa sugere que o "multitasking" é um mito

18 de março de 2026

O cérebro humano não realiza duas tarefas simultaneamente. Embora o treinamento melhore a velocidade, um novo estudo revela que o processamento sempre ocorre em sequência, uma tarefa após a outra.

Homem com a mão na testa, aparentando estresse, em frente ao laptop, com diversas mãos em volta oferecendo cadernos, celulares e apontando para relogio de pulso
Pesquisadores de universidades alemãs demonstraram que o cérebro humano processa tarefas sequencialmente, mesmo quando aparentemente as executa em paraleloFoto: Yuri Arcurs/YAY Images/IMAGO

Muitos acreditam que, com treinamento suficiente, conseguem realizar várias tarefas de uma vez. No entanto, um novo estudo desafia essa crença.

Mesmo com treinamento extensivo, o cérebro humano não consegue executar duas tarefas simultaneamente. Em vez disso, ele continua a processá-las sequencialmente, de acordo com um estudo publicado na revista especializada Quarterly Journal of Experimental Psychology pela Universidade Martin Luther, de Halle-Wittenberg, a Universidade Aberta de Hagen e a Escola de Medicina de Hamburgo, todas na Alemanha.

Para essa pesquisa, os participantes realizaram duas tarefas em paralelo: tinham que indicar com a mão direita o tamanho de um círculo que aparecia brevemente em uma tela e, ao mesmo tempo, dizer se um som emitido era agudo, médio ou grave. A velocidade de resposta e o número de erros cometidos foram medidos. Os testes foram repetidos ao longo de vários dias.

Prática melhora a velocidade, não o multitasking

Com a prática, os participantes se tornaram mais rápidos e cometeram menos erros. Por muito tempo, esse efeito do treinamento foi considerado um indício de que, com prática suficiente, o cérebro consegue processar tarefas em paralelo.

"Este fenômeno, conhecido como "compartilhamento de tempo virtualmente perfeito", foi considerado por muito tempo como prova de processamento paralelo real no cérebro e evidência de que a mente humana tem uma capacidade ilimitada para multitarefa", disse o psicólogo Torsten Schubert, da Universidade Martin Luther. No entanto, os novos resultados contradizem essa suposição.

Cientistas alertam sobre os riscos da multitarefa em atividades cotidianas de alto risco, como dirigirFoto: Matej Kastelic/Zoonar/IMAGO

Otimização com limites

De acordo com os pesquisadores, o cérebro otimiza a ordem das etapas de processamento individuais para que elas interfiram menos umas nas outras. "Nosso cérebro é muito hábil em encadear processos", explicou Schubert. No entanto, essa otimização tem seus limites.

A equipe de pesquisa também conseguiu demonstrar que até mesmo as menores alterações nas tarefas aumentavam a taxa de erros e faziam com que os participantes levassem mais tempo para concluí-las. Vinte e cinco pessoas participaram dos três experimentos.

As descobertas também são relevantes para o dia a dia: a multitarefa pode se tornar um risco, por exemplo, ao dirigir ou em profissões com muitas tarefas simultâneas, observou o psicólogo Tilo Strobach, da Escola de Medicina de Hamburgo.

md (DPA, KNA, DW)

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