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Petrobras acha sinal de petróleo na bacia da Foz do Amazonas

15 de agosto de 2026

Segundo presidente da estatal, "otimismo em relação à margem equatorial se confirma". Críticos apontam aos riscos de uma nova fonte de exploração para o meio ambiente, a saúde humana e o clima.

Sonda de perfuração NS-42 para prospecção de petróleo da Petrobra
Busca por petróleo na bacia da Foz do Amazonas começou em outubro de 2025Foto: Divulgação/Foresea

A Petrobras anunciou na sexta-feira (14/08) ter encontrado indícios de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas do litoral do Amapá. A descoberta representa um marco para a iniciativa, apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criticada por ambientalistas. 

A presença de hidrocarbonetos foi detectada durante a perfuração de um poço exploratório do bloco FZA-M-59, a quase três mil metros de profundidade. Encontrou-se um composto orgânico que indica a presença de petróleo, gás natural ou ambos.

Em nota, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que "nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje". Segundo ela, a estatal está "comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país".

Controvérsia ambiental e climática

A operação de perfuração da Petrobrás em águas profundas na bacia da Foz do Amazonas começou em outubro de 2025, após um processo de cinco anos para obter a licença ambiental necessária.

Críticos argumentam que abrir uma nova fonte de exploração vai na contramão da necessidade urgente por uma transição energética, que visa a reduzir o papel dos combustíveis fósseis na economia em favor do combate às mudanças climáticas. Lula, enquanto isso, defende o uso das receitas geradas pelo petróleo e gás para financiar a transição brasileira.

Outras preocupações incluem a preservação da natureza e das populações da região. Em junho, a DW teve acesso a um relatório apresentado pela Petrobrás ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), segundo o qual um eventual vazamento poderia atingir a costa.

Antes, em janeiro, houve vazamento durante a perfuração do bloco FZA-M-59. O incidente foi classificado como possível de causar danos à saúde humana e ao meio ambiente por um documento da própria Petrobrás, sendo tóxico para a fauna.

"As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas," disse a Petrobras ao comentar a descoberta de sexta-feira.

Recorde de produção

A gigante estatal não só lidera a franca expansão do setor no Brasil, como tem aumentado nos últimos anos o foco sobre a exploração e produção de petróleo. 

Em junho, o Brasil bateu um recorde de produção de petróleo para o mês ao extrair 4,475 milhões de barris por dia. O aumento foi de 19,1% em comparação ao mesmo mês do ano passado e de 4% em relação a maio deste ano.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o pré-sal, as reservas petrolíferas em águas ultraprofundas, já responde por mais de 80% do volume produzido. 

Os barris de petróleo bruto se tornaram a principal commodity vendida pelo país, tendo superado a soja em 2024 e 2025, ao gerarem mais de 44 bilhões de dólares anuais em exportações. São 38 bilhões a mais do que em 2006, quando a Petrobras descobriu a camada do pré-sal. À época, o Brasil exportava 500 milhões de barris a menos por ano, segundo a ANP.

Enquanto isso, a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê uma gradual queda da demanda mundial por petróleo a partir de 2030, caso se mantenham políticas já anunciadas ou implementadas pelos países.

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ht (Lusa, AFP, ots)

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