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Pitadas: Franzbrötchen, pãozinho folhado de açúcar e canela

07.02.2017

Especialidade de Hamburgo, no norte da Alemanha, é semelhante ao croissant e leva bastante manteiga. Técnica de formar rocambole e amassar pães com uma colher dá ao quitute sua forma característica.

Ir a Hamburgo e não comer um franzbrötchen é como ir a Viena e não comer um apfelstrudel. Nas padarias da cidade no norte da Alemanha, o cheiro do pãozinho folhado saindo do forno, recheado de açúcar e canela, é irresistível para quem gosta da especiaria.

Assim como o croissant, o doce típico de Hamburgo leva bastante manteiga. Além do tradicional franzbrötchen recheado de açúcar e canela, há versões com passas, chocolate, nozes ou maçã. Em outras regiões da Alemanha, o quitute é pouco conhecido.

Leia mais: Apfelstrudel, o doce do Império Austro-Húngaro

Uma das versões sobre a origem do doce diz que, durante a ocupação francesa de Hamburgo, no século 19, os padeiros da cidade começaram a fazer baguetes à moda francesa, chamando-as de franzbrot (franz da palavra französisch=francês e brot=pão). Um deles teria tido a ideia de fritar o pão com açúcar e canela, inventando o franzbrötchen.

Outra tese para o surgimento da especialidade de Hamburgo é a de que se trata de uma invenção, por volta do ano 1825, de uma padaria da cidade chamada Franz'scher Bäcker. Daí o nome franzbrötchen.

No livro German Baking Classic, a autora Luisa Weiss descreve o quitute como uma "mistura de croissant e cinnamon roll achatado". Por muito, o pão nativo de Hamburgo só era encontrado na cidade, diz, mas desde a virada do século ele é vendido também em algumas padarias pelo país.

A marca registrada do franzbrötchen é a técnica de enrolar a massa, formando um rocambole, cortá-la em pedaços e amassá-los com o cabo de uma colher de pau, resultando em sua forma característica. Aprenda a receita:

Ingredientes (para 12 pãezinhos)*

Massa

500 g de farinha de trigo

40g de fermento biológico fresco (4 tabletes)

70 g de manteiga (amolecida)

70g de açúcar

Sal

1 colher (chá) de raspas de limão

¼ l de leite

Recheio

200 g de manteiga (resfriada)

200 g de açúcar

2 colheres (chá) de canela

Modo de preparo

Colocar a farinha numa tigela, formar um buraco no meio e despedaçar o fermento dentro. Distribuir nas bordas da farinha a manteiga, o açúcar uma pitada de sal e as raspas de limão. Aquecer o leite e despejar sobre o fermento. Misturar todos os ingredientes, a partir do meio, com as mãos, trabalhando a massa até que se descole da tigela. Polvilhar com farinha e deixar descansar em temperatura ambiente por 15 a 20 minutos, coberta com um pano.

Abrir a massa sobre uma superfície enfarinhada até obter um retângulo de cerca de 30 x 25 centímetros. Cortar a manteiga resfriada em fatias finas e distribuí-las sobre uma das metades da massa. Dobrar a outra metade da massa por cima, e pressionar as bordas.

Abrir a massa novamente com o rolo até obter um retângulo de 50 x 30 centímetros. Dobrar um terço da massa em direção ao meio e depois o terceiro terço por cima, de modo que a massa fique com três camadas. Resfriar por 15 minutos.

Abrir a massa novamente até obter um retângulo de 80 x 40 centímetros. Pincelar com um pouco de água, e polvilhar com a canela e o açúcar misturados. Enrolar a massa a partir do lado mais comprido formando um rocambole achatado de cerca de 6 centímetros de largura. Cortar em pedaços de cerca de 4 centímetros de largura.

Com o cabo de uma colher de pau, pressionar os pedaços no meio, de comprido. Dispor os pãezinhos com uma distância de 4 a 5 centímetros entre eles sobre duas fôrmas untadas e enfarinhadas. Cobrir com um pano e deixar descansar por 15 a 20 minutos. Assar em forno preaquecido a 200°C por 15 a 25 minutos.

*Receita traduzida da revista Essen & Trinken

Toda semana, a coluna Pitadas traz receitas, curiosidades e segredos da culinária europeia, contados por Luisa Frey, jornalista aspirante a mestre-cuca.

Os quitutes favoritos nas padarias alemãs
Bolo mármore (Marmorkuchen)

Em muitas casas alemãs, a receita do bolo mármore da vovó é considerada a melhor. Mas o bolo simples – preto e branco, muitas vezes com cobertura de chocolate – vendido nas padarias da Alemanha não fica tão atrás da versão caseira e é um dos favoritos dos leitores da DW.

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Bolinhos de quark (Quarkbällchen)

O quark é uma especialidade alemã: mais encorpado e menos ácido do que o iogurte, mais fino e não tão doce como o cream cheese. O laticínio é o ingrediente secreto desses bolinhos fritos e macios, que também levam farinha, açúcar, baunilha, fermento e ovo. É impossível comer um só! Por isso, eles costumam ser vendidos em grandes porções.

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Pão com salame (Salami Brötchen)

A maioria das padarias alemãs oferece sanduíches variados: de queijo, ovo, presunto e muitos outros. O preferido dos leitores da DW é o que combina duas especialidades da culinária alemã: o pão fresco e o salame. Os sanduíches costumam ser consumidos no café-da-manhã ou no lanche.

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Bolo de maçã (Apfelkuchen)

Muitos leitores da DW adoram o strudel de maçã, a delícia mais famosa da Áustria. Ele pode ser encontrado em muitos cafés da Alemanha, mas não nas padarias, pois costuma ser servido com calda de baunilha ou sorvete. Porém, para os fãs de maçã, as padarias do país oferecem uma série de tipos de bolos com a fruta.

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Caracol de canela (Zimtschnecke)

Não se preocupe, a receita deste quitute não leva caracóis de verdade. O doce consiste numa massa enrolada, coberta com canela e glacê. O "Zimtschnecke" é popular em muitos países, mas na Alemanha, a porção tende a ser bastante generosa. Aliás, os alemães chamam qualquer tipo de massa enrolada de caracol.

Os quitutes favoritos nas padarias alemãs
Pãozinho Franz (Franzbrötchen)

Uma especialidade de Hamburgo, o Franzbrötchen é quase como um croissant, feito de massa folhada e bastante canela. Eles são semelhantes ao caracol de canela, mas não costumam ser cobertos de glacê.

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Bastão de queijo (Käsestange)

A massa de pretzel é muito apreciada na Alemanha e também é assada no formato de um pão comprido. Para um lanche completo, acrescenta-se presunto e/ou queijo, por cima da massa. O Käsestange é bem mais prático para comer do que um sanduíche, pois os ingredientes não escorregam para fora.

Os quitutes favoritos nas padarias alemãs
Americano (Amerikaner)

Curiosamente, os alemães deram a este quitute o nome de seus amigos transatlânticos, embora ele não exista nos Estados Unidos. Uma teoria por trás do nome é um dos ingredientes do doce: o bicarbonato de sódio, típico na cozinha americana, mas bem raro na cozinha alemã. Os "Amerikaner" costumam ter uma cobertura de glacê branco ou preto ou ser decorados com rostos simpáticos.

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Luisa Frey