Polônia retira de Zelenski a mais alta honraria do país
20 de junho de 2026
Presidente ucraniano causou indignação no país vizinho ao denominar unidade militar em homenagem a uma organização nacionalista envolvida em massacres de poloneses na Segunda Guerra Mundial.
Presidente da Polônia, Karol Nawrocki, retirou a mais alta honraria do país do presidente da Ucrânia, Volodimir ZelenskiFoto: Wojtek Radwanski/AFP/Getty Images
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O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, decidiu nesta sexta-feira (19/06) retirar a mais alta honraria do país do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, depois de este ter causado indignação na Polônia ao renomear uma unidade militar em homenagem ao Exército Insurgente Ucraniano (UPA), um grupo nacionalista responsável pelo massacre de poloneses durante a Segunda Guerra Mundial.
A decisão de Nawrocki desencadeia uma grave crise diplomática entre os países vizinhos, poucos dias antes de uma conferência sobre a reconstrução da Ucrânia na cidade polonesa de Gdansk.
Em resposta, Zelenski afirmou neste sábado que devolveu a mais alta honraria da Polônia, a Ordem da Águia Branca, após a decisão de Nawrocki.
"Acreditávamos que a Ordem da Águia Branca, concedida em 2023, destinava-se ao povo ucraniano e ao nosso Exército. Foi isso que se disse na época. Hoje, devolvi a Ordem ao presidente da Polônia", afirmou Zelenski.
O principal assessor de Zelenski, Kyrylo Budanov, e o embaixador da Ucrânia em Varsóvia seguiram o exemplo do ministro do Exterior, Andriy Sybiga, e anunciaram que abririam mão de condecorações recebidas da Polônia como forma de demonstrar solidariedade ao presidente.
Eles argumentaram que a medida de Nawrocki beneficia a Rússia, cuja guerra contra a Ucrânia já entra em seu quinto ano. "Isso é um presente para o agressor de Moscou, que certamente o usará contra ambos os nossos países", afirmou o assessor de Zelenski.
Relações tensas
Nawrocki ressaltou que a decisão não significa uma mudança na direção estratégica da política de segurança polonesa. Embora Varsóvia apoie firmemente o esforço de guerra de Kiev, a opinião pública em relação à Ucrânia tem se tornado cada vez mais negativa nos últimos anos devido ao desgaste causado pela questão dos refugiados, às disputas sobre a importação de grãos e ao legado dos massacres da Segunda Guerra Mundial.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, que é um adversário político de Nawrocki e havia tentado amenizar a disputa, pediu que ambos os presidentes acalmassem os ânimos. "O conflito entre a Polônia e a Ucrânia agrada a Putin e choca nossos aliados", afirmou.
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Exército Insurgente Ucraniano
A Ordem da Águia Branca havia sido concedida em 2023 a Zelenski pelo então presidente da Polônia, Andrzej Duda, em reconhecimento às suas contribuições para as relações bilaterais, a democracia, a paz e a segurança na Europa, e por sua "firmeza na defesa de direitos humanos".
No entanto, Nawrocki afirmou em maio que um conselho consultivo deveria considerar retirar a honraria de Zelenski depois que este assinou um decreto reconhecendo a contribuição de uma unidade de forças especiais ucranianas na luta contra as forças russas ao renomeá-la Exército Insurgente Ucraniano.
A decisão provocou indignação em todo o espectro político da Polônia. O ex-presidente polonês e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Lech Walesa, disse que não usaria mais um broche com a bandeira da Ucrânia e que, embora ainda apoiasse a nação em sua luta contra a Rússia, não apoiaria Zelenski.
O Exército Insurgente Ucraniano lutou, após a invasão da União Soviética pela Alemanha nazista, em 1941, por um Estado ucraniano independente, inicialmente ao lado dos alemães. Para expulsar a população polonesa das áreas que o UPA reivindicava para a Ucrânia, membros do grupo cometeram inúmeros crimes contra civis poloneses, incluindo os massacres na Volínia e na Galícia Oriental.
Alguns ucranianos consideram os membros do UPA heróis pela resistência que ofereceram contra a União Soviética e a Alemanha nazista e como símbolos da luta de Kiev pela independência de Moscou.
Kiev havia declarado anteriormente que o nome fora escolhido por soldados que desejavam homenagear a luta do UPA contra Moscou e que não tinham a intenção de ofender a Polônia.
as (Reuters, Lusa)
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