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Poluição do ar é associada ao risco de suicídio

18 de setembro de 2026

Estudo indica que os poluentes do ar e o ruído podem provocar inflamação cerebral e estresse crônico, aumentando o risco de pensamentos suicidas e de mortes.

Homem de máscara caminhando em Nova York, com o Empire State visível do outro lado do East River, que está coberto pela fumaça de incêndios florestais no Canadá.
Estudo encontrara relação entre a poluição ambiental e pensamentos suicidasFoto: Andrea Renault/ZUMA/IMAGO

A exposição a poluentes atmosféricos, especialmente partículas finas (PM2,5 e PM10) e dióxido de nitrogênio (NO2), está associada a um aumento significativo da ocorrência de pensamentos suicidas e risco de morte, afirma um estudo publicado nesta quarta-feira (16/09) no Journal of Epidemiology & Community Health.

Os resultados, desenvolvidos pelo Centro de Saúde Pública da Universidade Queen's de Belfast, na Irlanda do Norte, indicam que a poluição deve ser tratada como um fator de risco direto nas estratégias de prevenção.

Por isso, os autores recomendam integrar o planejamento urbano e a proteção ambiental como ferramentas de saúde pública, ante um problema que causa mais de 720 mil mortes por ano em todo o mundo.

Uma relação pouco estudada

O impacto da poluição ambiental em transtornos como depressão ou ansiedade já foi amplamente documentado, mas seu efeito sobre os comportamentos suicidas é menos conhecido.

Para avaliá-lo, os pesquisadores analisaram 45 estudos globais publicados entre 2010 e 2024, examinando o impacto da poluição do ar, do ruído, da luz e da água.

A meta-análise revelou vínculos claros tanto no curto quanto no longo prazo. A exposição a partículas finas PM2,5 e PM10 durante menos de seis meses foi relacionada de forma "estatisticamente significativa" a um maior risco de tentativas de suicídio ou pensamentos suicidas.

Já a exposição por mais de seis meses a PM2,5 e NO2 mostrou uma associação direta com o aumento das mortes por suicídio. A revisão também encontrou indícios relacionados a outros poluentes atmosféricos, como ozônio (O3), monóxido de carbono (CO) e dióxido de enxofre (SO2), e à poluição sonora.

A qualidade de vida e o estado de humor de uma pessoa também dependem da qualidade do ambiente em que ela viveFoto: Agoes Rudianto/Anadolu Agency/IMAGO

O impacto no cérebro

Os pesquisadores explicam que os poluentes do ar e os metais presentes na água provocam inflamação crônica e danos neurológicos, alterando o funcionamento do cérebro, reduzindo a capacidade de resistência ao estresse e afetando o humor.

No caso do ruído ambiental, como o tráfego noturno ou ferroviário, a exposição contínua gera estresse crônico e desregula o relógio biológico.

Políticas de saúde ambiental

Apesar das limitações decorrentes do número reduzido de estudos sobre o tema, os autores destacam a urgência e a "importância crucial de reconhecer as exposições ambientais como fatores de risco modificáveis nos esforços de prevenção do suicídio".

A integração da saúde ambiental às políticas de saúde mental "poderia desempenhar um papel vital na redução do risco de suicídio e na melhoria do bem-estar geral da população", concluem os autores.

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Se você enfrenta problemas emocionais e tem pensamentos suicidas, não deixe de procurar ajuda profissional. Você pode buscar ajuda neste site: https://www.befrienders.org/portugese

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