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Prêmio de liberdade de expressão da DW vai para Jimmy Lai

30 de abril de 2026

Empresário é um dos principais nomes condenados sob lei imposta pela China que silenciou a oposição e restringiu a liberdade de imprensa em Hong Kong.

Empresário de mídia de Hong Kong Jimmy Lai
Jimmy Lai, fundador do jornal "Apple Daily", crítico a Pequim, que fechou as portas em 2021Foto: Anthony Wallace/AFP

O empresário de comunicação e ativista pró-democracia de Hong Kong Jimmy Lai recebeu o Freedom of Speech Award de 2026 da DW, em reconhecimento à sua defesa das liberdades de imprensa e de expressão.

Em fevereiro, Lai, de 78 anos, foi sentenciado por um tribunal de Hong Kong a 20 anos de prisão após ser considerado culpado em dezembro de duas acusações de conspiração para conluio com forças estrangeiras e de um crime de sedição vinculado à difusão de material subversivo.

Crítico ferrenho do governo chinês, ele se tornou uma das primeiras figuras proeminentes a serem presas e condenadas sob a lei de segurança nacional imposta pela China ao território semiautônomo em 2020.

A sentença gerou preocupação entre governos estrangeiros e grupos de direitos humanos, que pediram a libertação do cidadão britânico. Mas o Ministério do Exterior da China afirmou que Lai é um cidadão chinês e instou outros países a respeitarem sua soberania e o Estado de Direito em Hong Kong.

Quem é Jimmy Lai?

Nascido em 1947 em Cantão, Lai chegou a Hong Kong ainda criança e começou a trabalhar numa fábrica têxtil, onde ascendeu a gerente antes de iniciar o próprio negócio.

Em 1981 ele fundou a cadeia de roupas Giordano, que se expandiu pela Ásia e outros mercados, e no início dos anos 90 começou a se dedicar à comunicação social.

Jornalistas na sede do "Apple Daily" acenam a apoiadores após anúncio do fechamento do jornal, em 2021Foto: Tyrone Siu/REUTERS

O primeiro passo foi dado em 1990, quando fundou uma empresa de comunicação social com a qual lançou a revista online Next Magazine, que desde o início criticou Pequim, combinando sensacionalismo com análises políticas e econômicas.

Cinco anos depois, à medida que se aproximava a devolução de Hong Kong à China, Lai criou o Apple Daily, um jornal que rapidamente se tornou o segundo mais lido no território.

O Apple Daily não só refletia as preocupações da sociedade de Hong Kong num momento de transição política como também desempenhou um papel crucial na promoção da agenda pró-democracia, consolidando-se como um bastião da imprensa livre numa região cada vez mais vigiada por Pequim.

As manifestações antigovernamentais de 2019 em Hong Kong, inicialmente convocadas contra um projeto de lei de extradição, colocaram Lai no centro do debate público. O Apple Daily deu ampla cobertura aos protestos e adotou uma linha editorial crítica em relação às autoridades de Hong Kong e Pequim. 

A entrada em vigor da lei de segurança nacional, em 2020, transformou o ambiente midiático e político da cidade, e Lai definiu a regulamentação, imposta por Pequim após os protestos em larga escala, como uma sentença de morte para Hong Kong.

Protestos pró-democracia em Hong Kong foram brutalmente reprimidos pelo regime chinêsFoto: Tyrone Siu/REUTERS

Nos meses seguintes, Lai foi detido várias vezes e o seu grupo editorial ficou sob crescente escrutínio, até fechar as portas, em junho de 2021.

Lai permanece numa prisão de segurança máxima desde sua detenção em dezembro de 2020 e cumpre também uma pena de cinco anos e nove meses por fraude num outro caso.

"Dedicação indispensável aos valores democráticos"

Sebastien Lai, filho de Jimmy que há muito tempo atua por sua libertação, disse à DW que "as pessoas que lutam pela liberdade, que lutam pela liberdade dos outros, nunca estão sozinhas". Ele considera significativa a escolha do pai para ser laureado com prêmio. "Acho que se ele soubesse disso, ficaria muito feliz."

A diretora-geral da DW, Barbara Massing, disse que, com o prêmio, a DW homenageia a "dedicação indispensável de Jimmy Lai aos valores democráticos".

"Jimmy Lai defendeu inabalavelmente a liberdade de imprensa em Hong Kong, correndo grandes riscos pessoais, mesmo quando o espaço para o jornalismo independente se tornou cada vez mais limitado. Com o Apple Daily, ele deu aos jornalistas uma plataforma para reportagens livres e uma voz ao movimento democrático em Hong Kong. Seu compromisso nos lembra que a liberdade de imprensa nunca é garantida – ela deve ser constantemente defendida."

Desde 2015, o Freedom of Speech Award da DW homenageia jornalistas e defensores dos direitos humanos como forma de chamar a atenção para as restrições à liberdade de imprensa e para situações preocupantes de direitos humanos em todo o mundo.

No ano passado, a premiação foi entregue à ativista Tamar Kintsurashvili, que luta contra a desinformação e o discurso de ódio na Georgia.

rc/cn (DW)

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