Para a maioria dos alemães, a imigração e integração de centenas de milhares de refugiados são as questões mais urgentes a serem resolvidas no país, aponta uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (26/07).
Ao responderem à pergunta: "Em sua opinião, quais são as questões mais urgentes a serem resolvidas no país hoje?", 83% dos alemães apontaram os imigrantes como uma grande preocupação. Em relação ao ano anterior, o número mais do que dobrou na Alemanha. Em 2015, a taxa registrada pela associação GfK em seu estudo anual "Challenges of Nations" foi de 35%.
"Um em cada sete que menciona o problema gostaria de resolvê-lo no sentido de uma integração positiva. E um em cada cinco se manifesta contra qualquer tipo de imigração adicional", disse Raimund Wildner, gerente da GfK.
A taxa mais alta de preocupação em relação aos imigrantes na Alemanha registrada anteriormente havia sido de 62%, em 1992, quando a GfK realizou o primeiro estudo anual.
Também em outros países europeus a imigração e integração são vistas como o desafio número um, como na Áustria (66%), na Suécia (50%) e na Suíça (50%). No entanto, em todos os 23 demais países analisados as preocupações em relação à inflação e ao desemprego aparecem no topo da lista.
Na Alemanha, porém, o mercado de trabalho é motivo de poucas preocupações, sendo mencionado por apenas 13% dos entrevistados – a menor taxa registrada desde 1992. Após a imigração e o desemprego, os problemas mais urgentes apontados pelos alemães foram a pobreza, a criminalidade e a situação na política e no governo.
LPF/dpa/kna
Exposição em Hamburgo mostra longa jornada do ponto de vista dos migrantes, resultado do projeto #RefugeeCameras. Risco, desamparo e raros momentos de alegria permeiam as imagens.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCamerasEm dezembro de 2015, o alemão Kevin McElvaney entregou 15 câmeras descartáveis e envelopes pré-selados a migrantes em Izmir, Lesbos, Atenas e Idomeni. Sete retornaram ao jovem fotógrafo e fazem parte do projeto #RefugeeCameras. Zakaria recebeu sua câmera em Izmir. O sírio fugiu do "Estado Islâmico" e do regime Assad. Em seu diário de fuga, ele escreve que só Deus sabe se ele voltará à Síria.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCamerasZakaria documentou sua viagem marítima da Turquia até a ilha grega de Chios. Ele ficou sentado na parte de trás do bote. Na exposição em Hamburgo, as imagens feitas por refugiados são complementadas por uma seleção de fotos tiradas por profissionais, que ajudaram a montar a representação das rotas de fuga. Todos eles doaram suas obras para apoiar o projeto.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCamerasHamza e Abdulmonem, ambos da Síria, fotografaram a perigosa chegada de seu barco a uma ilha grega. Não havia voluntários para recebê-los. Foi justamente isso que McElvaney tinha em mente quando lançou a #RefugeeCameras. Segundo o jovem fotógrafo, até agora a mídia proporcionou somente um "vazio visual" a esse respeito.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCamerasApós o desembarque, vê-se um menino com roupas molhadas e colete salva-vidas numa praia. A imagem faz recordar Aylan Kurdi, o pequeno garoto sírio cujo corpo sem vida foi encontrado no litoral turco em setembro de 2015. A criança nesta foto conseguiu chegar viva à Europa. O seu destino é desconhecido.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCamerasHamza e Abdulmonem também tiraram esta foto instantânea levemente desfocada de um grupo de refugiados fazendo uma pausa. Das 15 câmeras que McElvaney entregou, sete retornaram, uma foi perdida, duas foram confiscadas, e duas permaneceram em Izmir, onde seus donos ainda estão retidos. As três câmeras restantes estão desaparecidas – assim como seus proprietários.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCamerasDyab, um professor de Matemática sírio, tentou registrar alguns dos melhores momentos de sua viagem até a Alemanha. Na foto, veem-se sua esposa e seu filho pequeno, Kerim, que nos mostra um pacote de biscoito que recebeu num campo de refugiados macedônio. A imagem revela a profunda afeição de Dyab por seu filho, diz McElvaney: "Ele quer cuidar dele, mesmo na árdua viagem que foi forçado a seguir."
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCamerasA história de Said, do Irã, é diferente. O jovem teve de deixar seu país, depois de ter se convertido ao cristianismo. Ele poderia ter sido preso ou morto. Para ser aceito como refugiado, ele fingiu ser afegão. Após a sua chegada à Alemanha, ele explicou sua situação, para a satisfação das autoridades. Ele vive agora – como iraniano – em Hanau, no estado de Hessen.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCamerasSaid tirou esta foto de um pai sírio e seu filho num ônibus de Atenas a Idomeni.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCamerasEm outro registro feito por Said, um voluntário que trabalha num campo de refugiados em algum lugar entre a Croácia e a Eslovênia brinca com um grupo de crianças, que tentam imitar seus truques.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCameras