1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Presidente do Peru à beira da destituição

21 de dezembro de 2017

Oposição garante ter votos suficientes para destituir Pedro Pablo Kuczyinski da presidência do país. Ele é acusado de esconder laços com a construtora Odebrecht, imersa em vários escândalos de corrupção.

Peru Präsident Pedro Pablo Kuczynski
Kuczynksi admite ter sido consultor da Odebrecht num projeto de irrigação de uma vasta área agrícola no PeruFoto: picture-alliance/TASS/M. Metzel

O futuro do presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, será definido nesta quinta-feira (21/12), quando o Congresso – dominado pela oposição – vota um pedido de afastamento contra ele por supostamente esconder laços com a construtora brasileira Odebrecht, imersa em vários casos de corrupção no Brasil e mundo afora.

Para analistas, o destino de Kuczynski, um economista liberal de 79 anos, já está selado – devido à correlação de forças no Congresso peruano, tudo aponta para a estimativa de que os partidos empenhados em destituí-lo da presidência devem obter os 87 votos necessários. O Congresso do Peru tem 130 assentos – somente a legenda oposicionista Força Popular, fundada por Keiko Fujimori em 2009, detém 72 cadeiras.

Leia também: Democracia em jogo no Peru

Antes da votação que determinará se Kuczynski deverá deixar o cargo para o vice-presidente, Martín Vizcarra, o líder peruano terá pelo menos 60 minutos para falar perante o plenário. Kuczynksi será acompanhado de seu advogado, Alberto Borea, ex-cogressista, ex-candidato presidencial e um dos mais destacados constitucionalistas do Peru.

"Vou demonstrar que não cometi nenhum crime, não cometi corrupção", disse Kuczynksi, que reconhece que sua consultoria Westfield Capital executou trabalhos para a Odebrecht, mas numa época em que ele deixou a empresa para se dedicar exclusivamente ao cargo de primeiro-ministro durante a presidência de Alejandro Toledo (2001-2006).

Milhares de pessoas participaram de uma manifestação, na quarta-feira, contra a classe política do país, os escândalos de corrupção e a crise política. A mobilização foi realizada na capital, Lima, e em outras cidades do país.

Os participantes exigiram a dissolução do Congresso, com novas eleições gerais e até mesmo uma nova Constituição, se os parlamentares decidirem pela destituição do presidente, argumentando que a maioria de formações políticas e os principais líderes políticos estão envolvidos no caso Odebrecht.

Oposição tem votos suficientes

Desde que chegou à presidência, há 15 meses, Kuczynski teve que lidar com um Congresso dominado pelo partido conservador de direita Força Popular. A situação do político piorou na semana passada, quando a Odebrecht divulgou ter pagado quase oito milhões de dólares à Westfield Capital e a outras duas consultorias com as quais Kuczynksi possui vínculos.

Segundo Kuczynski, quando ainda era primeiro-ministro, ele deixou a empresa nas mãos de seu amigo chileno Gerardo Sepúlveda, que nesse período selou contratos com a Odebrecht de quase 800 mil dólares sem qualquer ajuda vinda do governo peruano. Com relação às outras duas empresas, o presidente nega vínculos – ele apenas admite ter sido consultor da Odebrecht num projeto de irrigação de uma vasta área agrícola.

Tais explicações não surtiram efeito no Congresso. A Força Popular, os esquerdistas da Frente Ampla e os socialistas da Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra) anteciparam que votarão pela destituição de Kuczynski, independentemente dos argumentos emitidos perante o plenário nesta quinta-feira. Os parlamentares destes três partidos somam 97 assentos.

Se a presidência ficar vaga, Vizcarra terá de assumi-la imediatamente até 2021, quando os cinco anos de mandato se encerram. Atualmente, Vizcarra ocupa também o cargo de embaixador peruano no Canadá.

A Odebrecht, a maior construtora da América Latina, admitiu em 2016 ter pagado subornos de mais de 785 milhões de dólares em 12 países desde 2001 – dez deles latino-americanos – para assegurar contratos de obras públicas.

Em conexão aos casos de corrupção da Odebrecht, há um mandado de prisão contra o ex-presidente peruano Alejandro Toledo. O também ex-presidente peruano Ollanta Humala foi detido por autoridades em julho e aguarda julgamento por corrupção. Além disso, outros líderes políticos, como o ex-presidente Alan García e Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, são investigados pelo Ministério Público do Peru.

PV/dpa/efe/lusa

----------------

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App

Pular a seção Mais sobre este assunto
Pular a seção Manchete

Manchete

Pular a seção Outros temas em destaque