Presidente quer mais respeito com 3º Mundo
25 de outubro de 2001
Ainda sob o impacto dos atentados em Nova York e Washington, o presidente da Alemanha, Johannes Rau, exortou os países industrializados a mostrarem mais respeito com os Estados em desenvolvimento. Os interesses do Terceiro Mundo não devem ser desprezados e a cultura de imposições tem de ser substituída por outra de aprendizagem recíproca, disse o chefe de Estado alemão, na cerimônia de entrega do Prêmio da Mídia para a Política de Desenvolvimento hoje, em Bonn. A Alemanha faz parte do grupo dos sete países mais ricos do mundo (G-7).
O presidente alemão, do Partido Social Democrático (SPD), advertiu que as pessoas nos países fora da Europa e da América do Norte "não estão mais dispostas a aceitar por muito tempo a nossa visão de cultura das nações ricas como a única possível". As diferenças culturais têm de ser respeitadas, segundo o presidente alemão. Logo depois que terroristas kamikases destruíram o World Trade Center e parte do Pentágono, matando mais de 5.400 pessoas, Rau advertiu que a causa do terrorismo é a ordem internacional injusta. Ele chamou atenção para a situação de povos sem Estado e sem direitos, como os palestinos, e a indigência em que vivem milhões de pessoas no mundo.
O presidente alemão, visto por muitos como "a consciência da nação", por causa de muitos discursos politicamente corretos, não condenou os ataques dos EUA ao Afeganistão, nem engrossou o coro de exigências dos pacifistas do Partido Verde e da ala esquerdista do SPD de uma suspensão provisória dos bombardeios para possibilitar ajuda humanitária aos afegãos castigados por guerras civis de décadas, secas e, por último, pelas bombas americanas.
Escalada do terror
A ministra da Cooperação e Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek-Zeul, criticou a política de globalização dos países ricos. "A palavra mágica globalização – pretensa receita para o desenvolvimento do nosso mundo - tem mais interrogações do que respostas", disse a ministra, advertindo em seguida: "Caso não se consiga uma ordem internacional mais justa, os atentados de 11 de setembro nos EUA terão sido apenas o prólogo de uma escalada do terror".
"Em vez dos benefícios prometidos para todos, foi imposta uma globalização deformada e unilateral, uma globalização única e exclusivamente sob a bandeira da liberalização econômica", disse a política social-democrata. O perigo agora, segundo ela, é o surgimento de uma nova ordem internacional caótica.
Wieczorek-Zeul entregou hoje a oito jornalistas (sete homens e uma mulher) o Prêmio da Mídia que o Ministério de Cooperação e Desenvolvimento concedeu pela 26ª vez.