Estudo mostra que peixe-palhaço, que vive em anêmonas afetadas por aumento da temperatura da água, tende a se reproduzir menos. Fenômeno pode afetar mais de 50 outras espécies.
Foto: picture-alliance/Prisma/R. Dirscherl
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O aquecimento dos mares está também afetando os peixes-palhaço. Segundo um estudo publicado na revista Nature Communications, a espécie, que ficou popular pelo desenho animado Procurando Nemo, sofre estresse e se reproduz menos devido ao branqueamento de anêmonas, causado pelo aumento da temperatura marinha.
Peixes-palhaço, ou peixe-das-anêmonas, vivem em simbiose com anêmonas, que oferecem proteção contra predadores através de seus tentáculos venenosos. Em troca, eles limpam seus tentáculos e proporcionam restos de alimento, que são aproveitados pela anêmona.
Especialistas de várias universidades investigaram em um recife na Polinésia Francesa as consequências do aumento das temperaturas do mar durante um período de 14 meses, incluindo o verão extremamente quente de 2016. Eles monitoraram os peixes antes, durante e depois da passagem do fenômeno El Niño, que causou em 2016 o aquecimento em regiões do Oceano Pacífico e um grande branqueamento de corais.
Os biólogos marinhos compararam os peixes que vivem nas anêmonas afetadas pelo fenômeno do branqueamento com aqueles vivendo em anêmonas saudáveis. Eles encontraram 73% menos ovos capazes de gerar vida nos peixes que vivem em anêmonas branqueadas do que nos que vivem em anêmonas saudáveis.
Os exames de sangue realizados nos peixes mostraram um aumento do hormônio do estresse (cortisol) e uma menor concentração de hormônios sexuais. "O clareamento das anêmonas, causado pela alta temperatura do mar, é um fator de estresse que reduz os hormônios sexuais e, com isso, a capacidade reprodutiva", escreve a equipe de pesquisadores.
Os pesquisadores também acreditam que pelo menos 51 outras espécies de peixes que dependem de anêmonas para se alimentar ou para se proteger de predadores também podem ser afetadas.
MD/dpa/afp
Patrimônios mundiais ameaçados pelo aquecimento global
O que a Mata Atlântica, a estátua da Liberdade e a grande barreira de corais australiana têm em comum? Esses destinos turísticos podem desaparecer ou sofrer profundas mudanças por causa das alterações no clima.
Foto: Getty Images/J. Raedle
Mata Atlântica, Brasil
Um dos paraísos protegidos pela Unesco, a Mata Atlântica já enfrenta ameaças como o desmatamento, a caça indiscriminada e a ocupação irregular. Localizada próximo ao litoral, a região também corre riscos com enchentes, secas, deslizamentos de terra e outros eventos climáticos potencializados pelo aquecimento global.
Foto: picture-alliance/dpa
Floresta tropical de Bwindi, Uganda
Quase a metade dos gorilas que ainda vivem livres na natureza em todo o mundo estão em Uganda. São cerca de 880 animais. Mas o aumento da temperatura leva a população que vive em áreas vizinhas à floresta a ocuparem áreas mais frescas. Para os gorilas sobra menos espaço para viver. O contato também aumenta os riscos de disseminação de novas doenças.
Foto: Rainer Dückerhoff
Lago Niassa, Malaui
Altas temperaturas fazem com que a água do gigantesco lago Niassa evapore. O período de chuvas tem se tornado mais curto e a seca se estende cada vez mais. Com isso, o lago tem cada vez menos água. Este é um problema tanto para o ecossistema quanto para os pescadores que vivem do que retiram do lago e as empresas que oferecem mergulhos para turistas.
Foto: DW/Johannes Beck
Vale da Lua, Jordânia
Gargantas estreitas, penhascos e uma vista espetacular são alguns dos pontos altos deste patrimônio mundial. Mais de 45 mil pinturas rupestres, algumas com até 12 mil anos, são uma atração turística. Mas a água na região está ficando ainda mais escassa devido às mudanças climáticas e ameaça animais e plantas que vivem nesta área.
Foto: picture-alliance/dpa
Ilhas Chelbacheb, Palau
Não é surpresa que as 400 ilhas Chelbacheb recebam mais de 100 mil turistas por ano. Os vilarejos antigos, lindas lagunas e recifes de corais fazem de lá um paraíso no Oceano Pacífico. Ainda assim, com a temperatura do mar subindo e a água ficando mais ácida, os corais são danificados e ficam brancos, causando seu extermínio.
Foto: Matt Rand/ The Pew Charitable Trusts
Ilha de Páscoa, Chile
As estátuas Moai na ilha chilena atraem a cada ano 60 mil visitantes. A erosão da costa e a elevação do nível do mar ameaçam as estátuas.
Foto: picture-alliance/dpa/Maxppp/G. Boissy
Estátua da Liberdade, Estados Unidos
A Estátua da Liberdade sofre com tempestades cada vez mais fortes e o aumento do nível do mar. Em 2012 , o furacão Sandy danificou a infraestrutura da ilha onde fica a estátua. Alguns acreditam que é apenas uma questão de tempo até que a estátua em si seja avariada.
Foto: picture-alliance/United Archives/WHA
Cartagena, na Colômbia
A colombiana Cartagena de Índias fica a apenas 2 metros acima do nível do mar. Principalmente o belo centro histórico e portuário da cidade fundada em 1533 estão ameaçados.
Foto: Getty Images
Veneza, na Itália
Embora o fenômeno da "acqua alta" não seja novidade em Veneza, ele está ocorrendo com cada vez mais frequência. E como um dos pontos mais baixos da cidade é a Praça de São Marcos, esta área especialmente turística é uma das mais comprometidas. Em longo prazo, o aquecimento global tende a agravar o problema.
Foto: picture-alliance/dpa
Fiorde Ilulissat, Groenlândia
Os icebergs derretem e se partem. Quando o permafrost, o solo permanente gelado, descongela, desaparecem com ele também os sítios arqueológicos. Turistas visitam o fiorde para vivenciar o "Marco Zero" da mudança climática. Para o gelo, o efeito é devastador, mas isso não impede mais e mais pessoas de irem até lá para ver icebergs antes que desapareçam para sempre.