George Faltings é o primeiro alemão laureado com o Prêmio Abel. Professor é conhecido por resolver problemas canônicos da álgebra. Além de medalha, ele vai levar cerca de R$ 4,1 milhões.
Além do Abel, Gerd Faltings já foi condecorado com a Medalha Fields, em 1986, e escolhido para a Ordem Pour le Mérite, do governo alemão, em 2025 Foto: Fabian Sommer/dpa/picture alliance
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O matemático Gerd Faltings será o primeiro alemão a receber o Prêmio Abel, também chamado de "Nobel da Matemática", anunciaram nesta quinta-feira (19/03) a Academia Norueguesa de Ciências e a Universidade de Bonn, onde o novo laureado é pesquisador emérito. A cerimônia de entrega será em 26 de maio, em Oslo, com a presença do Rei da Noruega, Haroldo 5º.
O prêmio foi concedido a Faltings "pela introdução de ferramentas poderosas na geometria aritmética", disse a academia. O matemático de 71 anos já havia recebido a Medalha Fields em 1986, o que faz dele agora detentor dos dois prêmios mais importantes do mundo da matemática. O Abel tem um valor de 7,5 milhões de coroas norueguesas (R$ 4,1 milhões).
A Academia Norueguesa de Ciências descreveu o alemão como uma "personalidade de destaque" na geometria aritmética, cujas "ideias e resultados marcaram profundamente a área".
"Faltings não apenas provou conjecturas importantes e de longa data, mas também estabeleceu novos métodos que influenciaram a Conjectura de Mordell e trabalhos posteriores ao longo de décadas", elogiou a entidade.
No ano passado, o vencedor do prêmio foi o japonês Masaki Kashiwara. O Prêmio Abel leva o nome do matemático norueguês Niels Henrik Abel (1802-1829) e foi instituído em 2003 pelo governo norueguês, como uma compensação pela ausência de um Prêmio Nobel de Matemática.
Além do Abel, outro prêmio conhecido da área de matemática é a Medalha Fields. Mas os dois prêmios são diferentes quanto à restrição de idade - a Medalha Fields é um prêmio concedido somente a matemáticos de até 40 anos de idade, enquanto o Abel leva em conta o conjunto da obra. Faltings já havia sido laureado com a Medalha Fields em 1986.
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Longa trajetória resolvendo enigmas
Gerd Faltings nasceu na cidade Gelsenkirchen em 1954. Após concluir o ensino médio, estudou matemática e física em Münster, foi pesquisador visitante na Universidade de Harvard entre 1978 e 1979 e obteve o doutorado em 1981. Também foi professor em Wuppertal e na Universidade de Princeton.
O pesquisador retornou à Alemanha em 1994 e, até se aposentar, em 2023, atuou como diretor do Instituto Max Planck de Matemática em Bonn e como professor na Faculdade de Matemática e Ciências Naturais da Universidade de Bonn. Ele é atualmente diretor emérito da célebre instituição de pesquisa.
As origens da fama de Faltings remontam ao ano de 1983. Naquela época, aos 28 anos, ele apresentou publicamente em Bonn uma descoberta que causou grande repercussão internacional – o alemão forneceu a prova da Conjectura de Mordell, de 1922, uma das grandes teses da geometria algébrica que até então não havia sido comprovada.
Durante seis décadas, matemáticos haviam tentado, sem sucesso, provar a conjectura do matemático anglo-americano Louis Joel Mordell. Faltings conseguiu resolver o problema. Para isso, apresentou um tratado de 17 páginas e tornou-se uma celebridade.
Após a demonstração da conjectura de Mordell, o professor alemão resolveu inúmeros outros problemas matemáticos. Além disso, ele desenvolveu o Teorema do Produto de Faltings, com a qual resolveu outro enigma persistente, a conjectura de Mordell-Lang, o que deve ser considerado uma de "suas grandes realizações", acrescentou a Academia Norueguesa de Ciências.
Como um dos matemáticos mais famosos da Alemanha, ele atraiu vários cientistas talentosos para o Instituto Max Planck em Bonn, transformando a instituição de pesquisa em um centro mundial de geometria aritmética.
O próprio Faltings já comparou, há alguns anos, na revista Der Spiegel, seu feito matemático com o alpinismo. "Não era como se essa demonstração fosse revolucionar metade da matemática, mas foi um desafio, talvez como [escalar] o Monte Everest."
fcl (AFP, DPA)
O mês de março em imagens
Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: Vahid Online/UGC
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O governo de Belarus libertou 250 prisioneiros políticos como parte de um acordo com os EUA, que tem como contrapartida a suspensão de sanções por parte de Washington. A medida ocorreu após um encontro do presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, que governa o país desde 1994, com um enviado de Trump. Segundo ONGs, há ainda cerca de mil presos políticos em Belarus. (19/03)
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EUA aliviam sanções à Venezuela em meio à crise do petróleo
Departamento do Tesouro dos EUA flexibiliza sanções para permitir que empresas americanas realizem negócios com a estatal venezuelana PDVSA. Governo de Donald Trump tenta aumentar o fornecimento mundial de petróleo após os danos provocados ao comércio global pela guerra com o Irã. (18/03)
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Irã confirma morte de Ali Larijani, figura central do regime
O Irã confirmou a morte de Ali Larijani, chefe do Conselho Superior de Segurança do país, que havia sido anunciada pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz. Ele era considerado a principal figura por trás da violenta repressão do governo iraniano aos protestos no país. A morte de Larijani é mais importante desde o assassinato do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. (17/03)
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"Uma Batalha Após a Outra" vence Oscar, e Brasil sai sem prêmio
"Uma Batalha Após a Outra", de Paul Thomas Anderson, foi o grande vencedor do Oscar de 2026, levando prêmio de melhor longa-metragem e mais cinco estatuetas no fim do domingo. Na categoria de Melhor Filme Internacional, o brasileiro O Agente Secreto não conseguiu repetir o sucesso do ano passado, quando venceu Ainda Estou Aqui. O Brasil saiu sem prêmios, apesar do recorde de indicações. (16/03)
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Comícios de Orbán e de opositor reúnem multidões na Hungria
Milhares participaram de marchas rivais organizadas pelo premiê húngaro Viktor Orbán e seu principal opositor, Peter Magyar, em Budapeste. Ambos impulsionam acusações de interferência estrangeira a um mês das eleições parlamentares do país. Orbán retrata o líder da oposição como um "fantoche" de Bruxelas, enquanto Magyar acusa o premiê de depender de Moscou para permanecer no poder. (15/03)
Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos
Um dos mais influentes pensadores do século 20, Habermas morreu em Starnberg, onde vivia desde 1971. Fiel ao seu ideal cosmopolita de uma democracia aberta, ele permaneceu ativo até os últimos anos, intervindo regularmente no debate público alemão. Defendeu o direito ao asilo durante a crise migratória de 2015 e uma UE unificada diante do avanço do populismo de direita e do nacionalismo. (14/03)
Foto: Louisa Gouliamaki/AFP/Getty Images
Assessor de Trump que visitaria Bolsonaro tem visto revogado
Itamaraty justificou medida afirmando que diplomata mentiu sobre agenda no Brasil, e alertou STF sobre risco de "indevida ingerência" em assuntos internos. Darren Beattie supostamente visitaria ex-presidente na prisão e encontraria Flávio, pré-candidato ao Planalto em 2026. (13/03)
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Lula zera impostos sobre diesel em reação à guerra no Irã
Medida será acompanhada do aumento de subsídios a produtores e importadores do combustível e de maior taxação do petróleo nacional que é vendido ao exterior. Com isso, expectativa é baratear o diesel em R$ 0,64 por litro. Objetivo é conter uma escalada generalizada da inflação em meio à disparada do petróleo. (12/03)
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Bomba da 2ª Guerra força evacuação recorde em cidade alemã
Autoridades de Dresden evacuaram 18 mil pessoas após a descoberta de uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial, a maior operação desse tipo já realizada na cidade. O explosivo de fabricação britânica foi desativado após duas horas de trabalho das equipes de segurança. Foi o quinto artefato encontrado durante obras de reconstrução de uma ponte. (11/03)
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Chefe da UE anuncia plano para ressuscitar energia nuclear
Num aceno à expansão do uso da energia nuclear, a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um fundo de 200 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão) para estimular o setor. Ela chamou a redução da indústria de "erro estratégico". Ativistas do Greenpeace interromperam a cúpula sobre o tema, criticando a importação de urânio enriquecido russo pela França e outros países europeus. (10/03)
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Barril de petróleo ultrapassa os 100 dólares pela 1ª vez desde 2022
Crise no Oriente Médio fez o preço do petróleo ultrapassar a barreira dos US$ 100 pela 1ª vez desde o início da guerra na Ucrânia. O valor do Brent atingiu os 114 dólares por barril (159 litros) no início do pregão. Os preços recuaram após a notícia de que alguns Estados-membros do G7 estariam considerando a liberação de reservas estratégicas para aliviar a pressão sobre os mercados. (09/03)
Foto: Scott Olson/Getty Images/AFP
Apoiadores dos Verdes comemoram resultado em Baden-Württemberg
Sede da indústria automobilística da Alemanha, o estado de Baden-Württemberg viveu uma corrida eletrizante na eleição para o governo local. Após o partido conservador CDU liderar as pesquisas de opinião por várias semanas, as primeiras projeções após o fechamento das urnas deram a vitória aos Verdes. A confirmação do resultado seguiu acirrada até os últimos momentos. (08/03)
Foto: Wolfgang Rattay/REUTERS
Tornados deixam rastro de destruição nos Estados Unidos
O estado de Michigan foi atingido por uma onda de tempestades que deixou mortos, feridos e destruiu cidades. Quatro pessoas morreram na região, que decretou estado de emergência. Mais quatro morreram em Oklahoma. Tempestades da primavera ocorrem normalmente durante aquilo que é conhecido como "época dos tornados", que geralmente começa em diferentes alturas e em diferentes partes dos EUA. (07/03)
EUA e Venezuela concordam em restabelecer laços diplomáticos
Os Estados Unidos e Venezuela concordaram formalmente em restabelecer laços os diplomáticos que estavam rompidos desde o início de 2019. A decisão representa um novo e contundente passo no processo de cooperação entre os dois países iniciado após o governo de Donald Trump capturar Nicolás Maduro. (06/03)
Foto: Julio Urribarri/Anadolu/picture alliance
Países europeus reforçam missão militar no Chipre
Após Grécia, França e Reino Unido anunciarem o envio de militares ao Chipre na esteira de um ataque de drone iraniano a uma base aérea britânica no país insular, Itália, Espanha e Holanda juntaram-se ao grupo. Também nesta quinta-feira, Paris confirmou ter autorizado a presença "temporária" de aeronaves americanas em bases francesas no Oriente Médio. (05/03)
Foto: Johan Nilsson/TT NEWS AGENCY/picture alliance
EUA afundam navio de guerra iraniano perto do Sri Lanka
Ambulância com marinheiros resgatados entra em hospital no Sri Lanka, após submarino americano afundar navio de guerra iraniano no Oceano Índico. O país registrou o resgate de 32 tripulantes da fragata Iris Dena, mas outros 148 estavam desaparecidos, com poucas esperanças de serem encontrados. O vice-ministro do Exterior do Sri Lanka afirmou que ao menos 80 morreram no incidente. (04/03)
Foto: AFP/Getty Images
Trump agradece a Merz por "ajuda" da Alemanha com o Irã
O presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, na Casa Branca. Trump agradeceu à Alemanha por permitir o acesso de forças americanas a bases no país e
Merz, por sua vez, afirmou que a Alemanha e os EUA compartilham o desejo de se livrar do atual regime iraniano. "Estamos em sintonia em termos de acabar com este regime terrível no Irã", disse. (03/03)
Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP
Ataques de Israel no Líbano ampliam conflito no Oriente Médio
Em resposta aos lançamento de foguetes contra Israel pelo grupo xiita libanês Hezbollah, militares israelenses atacaram alvos no Líbano. Na madrugada anterior, três caças americanos foram abatidos por engano pelas defesas aéreas do Kuwait (foto), país aliado da Casa Branca, e um drone iraniano caiu na pista de pouso de uma base militar britânica no Chipre. (02/03)
Foto: Social Media/REUTERS
Retaliação iraniana atinge países do Golfo em 2º dia de conflito
Israel lançou uma nova onda de ataques contra Teerã e o Irã retaliou com barragens de mísseis contra o território israelense, além de alvejar petroleiros e tentar atingir o porta‑aviões americano USS Abraham Lincoln. Ao menos seis países do Golfo também foram atingidos. Três pessoas morreram nos Emirados Árabes Unidos e uma no Kuwait. (1º/03)