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Meio ambiente

23 de janeiro de 2010

O Parque Nacional Yasuní, na Floresta Amazônica, esconde uma reserva de petróleo avaliada em 6 bihões de dólares. Para não explorar a área, o Equador quer mais de 3,5 bilhões de dólares em doações internacionais.

Oleoduto no Parque Nacional de Yasuní, no EquadorFoto: picture-alliance / dpa

A história do Parque Nacional Yasuní, no Equador, está diante de dois destinos completamente opostos: a reserva natural pode ser a primeira a ser protegida com ajuda de dinheiro externo ou pode se transformar em mais uma área de exploração de petróleo.

O parque equatoriano fica na Floresta Amazônica. Em nenhuma outra reserva natural do mundo há tamanha biodiversidade, segundo pesquisa recente publicada no jornal científico internacional PLoS ONE. Na área, que também é ocupada por população indígena, vivem 28 espécies de animais em extinção.

Mas é o subsolo da reserva o alvo de ambição: estima-se que 850 milhões de barris de petróleo possam ser extraídos do local, o equivalente a 6 bilhões de dólares.

Para que o parque seja preservado, o presidente do Equador Rafael Correa tenta, desde 2007, constituir uma rede de financiamento externo para compensar o que seria extraído de petróleo – além de evitar que 407 milhões de toneladas de dióxido de carbono sejam despejadas na atmosfera.

Mas a iniciativa pró-parque ainda não decolou e Yasuní corre o risco de dar lugar a um canteiro de obras.

Cabos que cortam a florestaFoto: Patricio Luna

Prazo está se esgotando

A iniciativa Yasuni ITT representa as regiões de Yasuní-Ishpingo, Tampococha e Tiputini. A sua missão é arrecadar 350 milhões de dólares anuais ao longo de 13 anos, e assim evitar a perfuração do solo.

No entanto, o governo equatoriano já avisou que se não houver um plano concreto até junho, o trabalho de exploração da reserva de petróleo deve começar. A pressão sobre o Yasuní ITT aumentou depois da renúncia do ministro das Relações Exteriores, Fander Falconi. Ele era o responsável por levantar os fundos para salvar o parque.

Pouco antes de renunciar, na última terça-feira (19/01), Falconi anunciou ser contra o prazo dado pelo governo.

Favoráveis à doação

Segundo o governo do Equador, cinco países teriam demonstrado apoio à iniciativa para salvar o parque: Alemanha, França, Suécia, Suíça e Espanha. A expectativa é que a Alemanha doe 50 milhões de dólares anualmente ao programa.

"Eu acho que é muito importante que o petróleo permaneça no subsolo. É um projeto internacional extramente importante, não apenas pela proteção ao clima, mas para que se tenha um modelo para outros projetos no mundo", defende Claudia Kemfert, professora do Instituto Alemão para Pesquisa Econômica, em Berlim.

Em entrevista à Deutsche Welle, Kemfert disse que, caso haja um primeiro projeto que prove ser possível chegar a um acordo para que o petróleo fique embaixo da terra, todo o esforço deveria ser concentrado para que esse projeto se torne realidade.

Parque abriga povos indígenasFoto: Thomas Nachtigall

Resistência do Equador

Antes de Falconi deixar o cargo, o presidente Correa fez acusações sobre sua atuação: o chefe de governo disse que o ex-ministro não estava sendo rígido o suficiente nas negociações com os doadores em potencial. Segundo Correa, Falconi estava permitindo que países estrangeiros fizessem muitas exigências para participar do projeto Yasuní ITT.

"Nós não vamos nos submeter. É bom que eles saibam que nós não somos colônia de ninguém. Não vamos aceitar condições constrangedoras. Fiquem com o dinheiro", anunciou Correa na coletiva de imprensa logo após a renúncia de Falconi.

Segundo a análise de Klaus Schenck, da organização alemã Rainforest Rescue, é normal que os países doadores estipulem algumas condições. "O problema é que se trata de uma nova iniciativa. Não existem projetos como esse em outros lugares do mundo (...) É claro que os governos e ONGs não vão dar esse montante todo de dinheiro sem condições claras e sem um contrato."

Schenck diz os parceiros precisam ter a segurança de que o dinheiro será usado de uma maneira correta e no projeto estipulado. "E também eles querem ter a certeza de que, por exemplo, o futuro presidente nas próximas eleições não diga 'eu não assinei esse contrato, eu vou ignorá-lo e vou fazer o que eu quiser'."

NP/dw/dpa

Revisão: Alexandre Schossler

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