Protestos violentos eclodem em Belfast após ataque a faca
10 de junho de 2026
Capital da Irlanda do Norte tem noite de protestos anti-imigração, incêndios e bloqueios de ruas após ataque a faca cometido por um cidadão do Sudão.
Manifestantes incendiaram edifícios e veículos e bloquearam estradasFoto: PA/PA Wire/dpa/picture alliance
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Protestos violentos eclodiram na capital da Irlanda do Norte, Belfast, na noite de terça-feira (09/06), um dia após um ataque a faca — registrado em vídeo e atribuído a um refugiado sudanês — provocar choque no Reino Unido.
Em atos direcionados sobretudo contra imigrantes, manifestantes incendiaram edifícios e veículos e bloquearam vias. Também houve ataques a residências, com imóveis incendiados, o que forçou famílias de imigrantes a deixar suas casas.
O serviço de bombeiros da Irlanda do Norte registrou, entre 19h e meia-noite (horário local), 256 chamadas e realizou 62 atendimentos na região, a maioria na capital. Foram mobilizadas ainda 21 unidades adicionais para dar conta das emergências.
A vítima, um homem de cerca de 40 anos, foi esfaqueada por volta das 22h30 de segunda-feira no norte de Belfast e está hospitalizada com "ferimentos graves” no rosto, pescoço e costas, segundo a polícia.
O suspeito, um sudanês de 30 anos, foi formalmente acusado de tentativa de homicídio, posse de arma e ameaças de morte. Ele deve comparecer a um tribunal nesta quarta-feira. A polícia afirmou que, o agressor morava na região, tendo recebido permissão para permanecer no Reino Unido em setembro de 2023 após pedir asilo.
Apelos contra a disseminação do vídeo
Em um vídeo que circula na internet, o agressor aparece com uma faca, sentado sobre um homem ensanguentado no meio de uma rua. Em determinado momento, após esfaquear a vítima repetidamente, ele ergue a faca e grita algo. Em seguida, várias pessoas se aproximam com cautela e tentam contê-lo.
Nas redes, o vídeo foi amplificado por figuras da cena de direita, como o ativista britânico Tommy Robinson e o bilionário Elon Musk.
O chefe de polícia da Irlanda do Norte, Jon Boutcher, pediu à população que não se deixe incitar por conteúdos nas redes sociais e que permita o trabalho dos investigadores. Em comunicado, a polícia afirmou não haver indícios de motivação terrorista e solicitou que o vídeo não seja compartilhado.
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Autoridades condenam o ataque
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, condenou o ataque com veemência. "O terrível ataque em Belfast é repugnante. Não tenho absolutamente nenhuma tolerância para cenas de violência horríveis como essas em nossas ruas”, afirmou na plataforma X.
Políticos norte-irlandeses de diferentes partidos expressaram posições semelhantes e alertaram para o risco de novos distúrbios. A reação desta terça-feira remete a episódios de 2024, quando o Reino Unido registrou tumultos violentos depois que três meninas foram esfaqueadas até a morte e várias outras crianças ficaram feridas na cidade de Southport, no noroeste da Inglaterra, em 29 de julho.
Nesta quarta-feira, a ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, acusou a extrema direita de incentivar tensões raciais. "Esta é a definição pura de racismo”, afirmou à BBC. "Ontem vimos uma avalanche nas redes sociais, com comentaristas de extrema direita claramente tentando inflamar a tensão racial, apoiando-se na narrativa que promovem sobre imigração”, disse Long, líder do Partido da Aliança.
Confrontos recentes na Inglaterra
Na semana passada, protestos em Southampton, no sul da Inglaterra, também resultaram em confrontos. O estopim foi a divulgação de imagens de câmeras corporais que evidenciaram um grave erro policial após um ataque fatal com faca cometido por um homem da comunidade sikh contra o estudante britânico Henry Nowak em dezembro de 2025.
Em vez de deter o agressor, que alegou falsamente ter sofrido racismo, policiais algemaram Nowak, que acabou sufocando e morrendo. As imagens foram divulgadas na semana passada, no âmbito do julgamento do assassino, Vickrum Singh Digwa, que acabou sendo condenado à prisão perpétua. Posteriormente, moradores voltaram às ruas em Southampton, em protestos contra a polícia e imigrantes.
ip (dpa, efe, afp)
Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: REUTERS
Protesto contra G7 tem confronto com a polícia em Genebra
Manifestantes entraram em confronto com a polícia, incendiaram um carro da Tesla e danificaram um banco e uma agência da ONU. O protesto se dirigia contra as sete maiores economias do mundo, o G7, que se encontrariam a partir do dia seguinte na vizinha França para a sua cúpula anual. Autoridades suíças e francesas mobilizaram milhares de policiais para garantir a segurança do encontro. (14/06)
Foto: Denis Balibouse/REUTERS
Operação de EUA e Venezuela mata líder de gangue
O chefe da organização criminosa Tren de Aragua, conhecido como Niño Guerrero, foi morto em uma operação militar dos Estados Unidos realizada em coordenação com as autoridades da Venezuela. A ex-vice-presidente Delcy Rodríguez governa o país sul-americano sob pressão da Casa Branca desde janeiro, quando os EUA capturaram Nicolás Maduro, sob acusação de narcotráfico. (13/06)
Foto: Donald Trump via Truth Social/REUTERS
Elon Musk se torna o primeiro trilionário da história
O bilionário Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história com a entrada da sua empresa SpaceX no mercado de ações. Segundo a Oxfam, ele seria mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial juntos, ou 3,8 bilhões de pessoas. Foi a maior oferta pública inicial (IPO) já registrada, superando o recorde da petrolífera saudita Aramco. (12/06)
Foto: STAR MAX/IPx/picture alliance
Começa a Copa do Mundo de 2026
A Copa do Mundo da Fifa começou com uma partida entre México e África do Sul na Cidade do México. A seleção mexicana marcou o primeiro gol do campeonato, depois da cerimônia de abertura. Do lado de fora, houve confronto entre policiais e manifestantes, que pediam justiça para desaparecidos. O megaevento esportivo acontece, neste ano, em três países: México, Estados Unidos e Canadá. (11/06)
Foto: Eloisa Sanchez/REUTERS
UE alerta para "extremos climáticos como novo normal"
O mundo registrou o segundo maio mais quente da história, informou o serviço climático da União Europeia (UE), o Copernicus. A onda de calor precoce só não superou as temperaturas de 2024. Neste ano, recordes foram registrados em vários países da Europa Ocidental. Isso demonstra "como extremos climáticos estão rapidamente se tornando o novo normal, em vez da exceção", segundo o Copernicus. (10/06)
Foto: Jerome Gilles/NurPhoto/picture alliance
Deputados da Hungria cortam próprio salário em 40%
Parlamentares na Hungria votaram por unanimidade a favor de um corte nos próprios salários e benefícios, numa iniciativa do novo primeiro-ministro, Péter Magyar, para reduzir custos administrativos. O recém-empossado chefe do governo húngaro acusava o seu antecessor, Viktor Orbán, de conceder salários inflados para apaziguar deputados da oposição. (09/06)
Foto: Denes Erdos/AP Photo/picture alliance
Peru tem disputa acirrada em eleição presidencial
O candidato de esquerda nas eleições presidenciais no Peru, Roberto Sánchez, assumiu a liderança na contagem de votos do segundo turno das eleições peruanas, superando por uma pequena margem a candidata de direita Keiko Fujimori em uma disputa cujo resultado permanece incerto. Com cerca de 450 mil cédulas contestadas que ainda precisam ser revisadas, anúncio do vencedor deve levar dias. (08/06)
Foto: Stifs Paucca/REUTERS
Israel, Hezbollah e Irã trocam ataques, e conflito ameaça sair do controle de novo
O Irã disparou mísseis contra Israel em retaliação ao bombardeio, horas antes, de posições do Hezbollah no Líbano. Regime em Teerã tem condicionado um acordo definitivo de paz na região à inclusão de Beirute. Escalada irritou o presidente americano Donald Trump, que está sob pressão por causa dos impactos econômicos da guerra no Oriente Médio. (07/06)
Foto: Ohad Zwigenberg/AP Photo/picture alliance
UE vai barrar carne brasileira a partir de 3 de setembro
A União Europeia confirmou a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne de boi e frango, peixe, frutos do mar e mel para o bloco. Argumento é que o país não forneceu garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Argentina, Paraguai e Uruguai, membros do Mercosul, seguem com exportações liberadas. (06/06)
Foto: Silvio Avila/AFP
EUA alertam para pior cenário do surto de ebola
O Centro para Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos EUA exigiu a adoção de medidas rigorosas de saúde pública contra o atual surto de ebola. O órgão alerta que a epidemia caminha para atingir a magnitude da ocorrida na África Ocidental em 2014, que resultou em mais de 28 mil casos e mais de 11 mil mortes. Mais pacientes devem ser diagnosticados, isolados e tratados, afirma a agência. (05/06)
Foto: Xinhua/picture alliance
Fiéis lotam Marcha para Jesus em São Paulo
Uma multidão encheu a Marcha para Jesus, realizada em São Paulo no feriado de Corpus Christi. A programação incluiu shows e orações nos arredores da Estação da Luz. Participaram diversos políticos conservadores, bem como o advogado-geral da União, Jorge Messias. Em tom de campanha, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil vive uma "guerra espiritual". (04/06)
Foto: Miguel Schincariol/AFP
Greve geral contra reforma trabalhista paralisa Portugal
Pela segunda vez em seis meses, uma greve geral paralisou Portugal, em protesto à reforma trabalhista proposta pelo governo. Estimados 65% dos voos foram cancelados, inclusive ao Brasil. Foram ainda afetados outros transportes, hospitais, escolas e coleta de lixo. Para sindicatos, a reforma desregulamenta jornadas, amplia contratos precários, facilita demissões e ataca direitos. (03/06)
Foto: Armando Franca/AP Photo/picture alliance
Urso ataca quatro pessoas em Fukushima, no Japão
Quatro pessoas ficaram feridas após sofrerem ataques de um urso na cidade de Fukushima, no nordeste do Japão. Todos os feridos foram levados ao hospital e estavam conscientes. Entre as vítimas, apenas uma sofreu ferimentos mais graves. (02/06)
Sírio que esfaqueou 4 pessoas na Alemanha pega prisão perpétua
Um sírio de 36 anos foi condenado à prisão perpétua por quatro tentativas de homicídio na Alemanha com motivação terrorista. De acordo com decisão da Justiça alemã, o homem, identificado como Mahmoud M., foi considerado culpado de "tentativa de homicídio" em quatro casos, na qualidade de "membro de uma organização terrorista estrangeira" – no caso, o grupo Estado Islâmico (EI). (01/06)