Em entrevista, presidente russo afirma que 755 funcionários do corpo diplomático americano têm até setembro para deixar a Rússia. Medida é resposta às novas sanções impostas por Washington.
Putin diz ainda ter grande espectro de possibilidades para responder ao último pacote de sançõesFoto: Picture-Alliance/dpa/A. Nikolskyi/Sputnik
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Em resposta às novas sanções contra Moscou aprovadas pelo Congresso americano, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou neste domingo (30/07) que 755 funcionários da embaixada e dos consulados dos Estados Unidos na Rússia deverão encerrar suas atividades no dia 1º de setembro.
"Mais de mil funcionários, entre diplomatas e pessoal técnico, trabalhavam e ainda trabalham na Rússia [para a embaixada dos EUA]. Agora 755 deverão encerrar suas atividades", disse Putin em entrevista à emissora estatal russa Rossia.
Moscou exigiu na última sexta-feira que Washington reduzisse sua representação para 445 funcionários, mesmo número de trabalhadores nas embaixadas da Rússia nos EUA. O Ministério russo do Exterior anunciou ainda que a embaixada americana não poderá utilizar alguns armazéns na capital e nem a mansão que dispõe em Serebrianyi Bor, uma área nobre nos arredores de Moscou.
Na entrevista, Putin disse que a Rússia tem um grande espectro de possibilidades para responder ao último pacote de sanções aprovadas pelo Congresso americano. "Temos muito a dizer e fazer em muitos âmbitos de cooperação bilateral [com medidas] que prejudicariam os EUA. Mas não acredito que devamos fazê-lo. Atualmente, sou contra", alertou, acrescentando, porém, que pode vir a adotar essas medidas.
"A parte americana, sem razão alguma, deu um passo para piorar as relações", afirmou o presidente ao comentar a situação entre os dois países, cujas relações foram estremecidas durante o governo do ex-presidente Barack Obama.
As novas sanções impostas pelo governo americano são uma resposta à suposta interferência de Moscou na eleição de 2016, bem como à anexação da Crimeia pelo país em 2014. Aprovado com apoio de republicanos e democratas, o pacote também inclui sanções à Coreia do Norte e ao Irã.
Apesar de manifestar oposição à medida, o presidente americano, Donald Trump, assinará o novo pacote de sanções contra a Rússia, que entre outras medidas, ameaça castigar as empresas de países terceiros que invistam na construção ou manutenção das infraestruturas russas para o transporte de hidrocarbonetos.
Caso aplicada, essa medida prejudicaria várias empresas da União Europeia, que atuam, inclusivamente com capital acionista, em gasodutos que unem a Rússia com os países europeus.
CN/efe/lusa/ap/rtr
Crimeia três anos após a anexação russa
Em março de 2014, a Rússia anexou a Crimeia. Três anos depois, como está a península? O que mudou na vida das pessoas? E Putin cumpriu suas promessas?
Foto: DW/R. Richter
A ocupação da Crimeia
O presidente russo, Vladimir Putin, é comemorado como herói, e bandeiras russas substituíram as ucranianas. A transformação começou em fevereiro de 2014, quando pessoas de uniforme, mas sem insígnias, ocuparam os prédios do governo e do Parlamento em Simferopol, capital da República Autônoma da Crimeia, parte da Ucrânia. Mais tarde, também os quartéis ucranianos seriam ocupados.
Foto: DW/I. Worobjow
Referendo sobre a anexação
Apesar dos protestos e, contornando a Constituição da Ucrânia, em 16 de março de 2014, foi realizado um referendo sobre o estatuto da Crimeia. A entrega da Crimeia à Ucrânia pelo governo russo em 1954 não foi reconhecida, e decidiu-se pela anexação da península à Rússia.
Foto: Reuters
Tártaros da Crimeia
Quem rejeita a anexação pela Rússia, sofre perseguição. Isso acontece também com os líderes do Mejlis, o Congresso do Povo Tártaro da Crimea, que em 2016 foi considerado organização extremista. Buscas e detenções voltam a ser frequentes, tal qual em 1944, quando os tártaros da Crimeia foram deportados como "inimigos do povo" pelos soviéticos.
Foto: picture-alliance/dpa
Só programas russos
As transmissões das emissoras de televisão ucranianas foram interrompidas na Crimeia no começo de 2014. A população só tem acesso a programas russos. O ATR, canal independente dos tártaros da Crimeia, que defende a integridade territorial da Ucrânia, agora transmite a partir de Kiev. Muitos outros meios de comunicação também foram proibidos.
Foto: picture-alliance/AP Photo/A. Zemlianichenko
Difícil acesso
A lei ucraniana proíbe estrangeiros de entrar na Crimeia sem a permissão das autoridades de Kiev e que não seja pela área continental da Ucrânia. Ao infrator fica proibido viajar pelas demais partes da Ucrânia. Para chegar da Ucrânia à Crimeia, é preciso passar por postos de controle na fronteira administrativa, seja a pé ou de carro.
Foto: DW/L. Grishko
Sanções após a anexação
A União Europeia (UE) e os Estados Unidos não reconhecem a anexação. Eles até aconselham seus cidadãos a não comprar imóveis ou fazer negócios na Crimeia. Empresas da península não podem vender produtos à UE, nem aos EUA. Também foram impostas sanções a pessoas, empresas e organizações.
Foto: picture-alliance/Sputnik/A. Polegenko
Esperando o cumprimento de promessas
Quem votou a favor da anexação no referendo, esperava que Putin cumprisse suas promessas: uma ponte ligando a Crimeia à Rússia, um gasoduto e usinas de energia. Também problemas sociais seriam resolvidos. Os salários não acompanham a inflação. Mas relatos sobre o descontentamento e protestos localizados são divulgados apenas nas redes sociais e meios de comunicação independentes.
Foto: DW/R. Richter
Empreiteira de amigo de Putin
A construção de uma ponte no Estreito de Kertch até a Rússia está em pleno andamento. A obra, no valor de 3,7 bilhões de euros, está nas mãos do oligarca russo Arkady Rotenberg, amigo de Putin. Até o final de 2019, a ponte deverá estar pronta. Ela terá quatro pistas rodoviárias e duas faixas ferroviárias.
Foto: picture-alliance/Tass/V. Timkiv
Pequenos negócios
Empresas de pequeno porte da Crimeia sofrem com a redistribuição de propriedades em favor de empresários russos. A emissora Radio Liberty informou que o número de pequenas empresas na Crimeia diminuiu de 15 mil (2014) para 1 mil (2016). Também os proprietários de imóveis no litoral enfrentam problemas. Tribunais podem anular documentos emitidos antes da anexação.
Foto: DW/A. Karpenko
Grandes perdas no turismo
Na alta temporada, é tempo de praia na Crimeia. Mas o fluxo de turistas diminuiu quase 30% nos últimos três anos. As rotas ferroviárias estão interrompidas e os voos são caros. Devido às sanções impostas pela UE, navios de cruzeiro não atracam mais na Crimeia.
Foto: DW/A. Karpenko
Tesouros históricos
As joias arqueológicas e as armas dos citas, antigo povo de pastores nômades que povoaram a região na Antiguidade Clássica, não poderão mais retornar à Crimeia. No final de 2016, um tribunal holandês decidiu que a rara coleção de 550 artefatos de museus da Crimeia deveria ser dada a Kiev. Os tesouros são parte de uma mostra que estava na Europa Ocidental quando ocorreu a anexação da Crimeia.
Foto: picture-alliance/dpa/B. Maat
Quem ganhou com a anexação
Desde a anexação, os moradores da Crimeia só podem comprar cartões para telefone, por exemplo, se portarem um passaporte russo. Quem ganhou com a anexação foram aposentados com passaporte russo. As aposentadorias foram equiparadas às vigentes na Rússia, e a idade da aposentadoria para mulheres baixou de 60 para 55 anos.