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Rússia tenta paralisar rede ferroviária da Ucrânia

Lilia Rzheutska
13 de março de 2026

Aumento nos ataques à rede ferroviária integra esforço para interromper a economia e as linhas de abastecimento do país. Como a Rússia está conduzindo os ataques, e de que forma podem ser interrompidos?

Trens elétricos incendiados em um hangar atingido durante ataques noturnos com mísseis e drones russos na região de Kiev
Trens elétricos incendiados em um hangar atingido durante ataques noturnos com mísseis e drones russos na região de KievFoto: Valentyn Ogirenko/REUTERS

Além dos ataques frequentes à infraestrutura energética da Ucrânia, a Rússia tem intensificado as investidas contra as linhas ferroviárias do país.

Neste domingo (08/03), um drone russo atingiu um trem civil que transportava 200 passageiros de Kiev para Sumy. Ninguém ficou ferido, mas a locomotiva foi danificada e teve que ser substituída antes que os passageiros pudessem continuar sua viagem.

A empresa ferroviária pública da Ucrânia, Ukrzaliznytsia, relatou que locomotivas, vagões de carga e equipamentos de manutenção ferroviária têm sido alvos de ataques russos mais frequentes desde o início de março. A empresa também observou ataques mais frequentes contra pontes e pátios ferroviários.

Pavlo Narozhnyi, especialista militar, afirmou à DW que os ataques não são incidentes isolados, mas parte de uma estratégia mais ampla para atingir as linhas de abastecimento logístico, de exportação e militar. Ele disse que os ataques visavam destruir locomotivas para desacelerar a economia da Ucrânia e dificultar o envio de tropas para a linha de frente.

"A guerra exige quantidades incríveis de combustível, munição e equipamentos", disse Narozhnyi. "Tudo isso precisa ser transportado. Você pode usar estradas, mas isso é muito caro e não faz sentido financeiramente. É por isso que a maior parte do equipamento militar é transportada por ferrovias."

O ataque de drones que deve mudar as guerras

04:44

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Narozhnyi disse que os pilotos de drones russos observavam certas linhas férreas, esperavam até que um trem aparecesse e então miravam na locomotiva – não apenas a parte mais cara do trem, mas também um equipamento essencial e escasso.

Isso não significa que os vagões de passageiros estejam seguros. "Eles atacarão qualquer trem", disse o especialista. "Se encontrarem um, atirarão."

Guerra com drones, sinais via rádio

Especialistas dizem que as linhas férreas ao longo das fronteiras da Ucrânia com a Rússia e Belarus, bem como ao sul em direção à Península da Crimeia e Odessa, correm o maior risco por serem áreas onde as forças armadas russas podem usar as chamadas redes mesh para implantar e controlar enxames de drones.

Serhii Beskrestnov, que assessora o Ministério da Defesa da Ucrânia em drones e guerra eletrônica, descreveu recentemente o conceito de redes mesh para guerra com drones, informou a plataforma de mídia digital ucraniana United 24 Media. Segundo ele, as redes mesh baseadas em rádio, instaladas nos drones do tipo Shahed, consistem em modems que não apenas enviam e recebem sinais, mas também atuam como retransmissores e amplificadores de sinal.

"Nesse esquema, todos os drones Shahed no ar estão conectados por rádio uns aos outros", disse Beskrestnov. "Como resultado, vários Shaheds podem ser abatidos e a conexão não será interrompida. Ela simplesmente passará por outros Shaheds."

Beskrestnov disse que as redes mesh são controladas por meio de sinais de rádio de antenas de alta potência que as forças russas colocaram ao longo da fronteira e nos territórios ocupados. Uma dessas redes foi recentemente "neutralizada" em Belarus, afirmou ele.

"Uma dessas antenas tinha uma cobertura que se estendia até Kiev, e drones de reconhecimento que sobrevoavam a cidade a utilizavam para transmitir dados", escreveu ele no Facebook. "Outro ponto permitia ataques com drones no oeste da Ucrânia, particularmente ao longo da linha férrea Kiev-Kovel."

Danos provocados após um ataque aéreo à estação ferroviária de FastivFoto: Danylo Antoniuk/Ukrinform/abaca/picture alliance

Necessidade de reforçar a defesa aérea

"Precisamos de mais recursos para a defesa aérea", disse Ivan Kyrychevskyi, especialista em armamentos do veículo ucraniano Defense Express, à DW. Ele afirmou que isso significava "estabelecer um sistema de defesa aérea 'pequeno'", referindo-se a grupos móveis de rápida movimentação com sistemas portáteis.

Medidas especiais de segurança já estão em vigor há muito tempo ao longo das fronteiras e linhas de frente críticas da Ucrânia. "Nas regiões de Chernihiv e Sumy, ao longo da rota Kherson-Mykolaiv, as locomotivas estão sendo equipadas com placas blindadas conhecidas como 'grades' e redes de drones", disse Kyrychevskyi. Às vezes, vagões-contêineres são acoplados entre a locomotiva e os vagões de passageiros, para que a parte traseira do trem não seja danificada em caso de explosão.

A maioria dos especialistas militares concorda que não há um aumento significativo no nível de ameaça para o transporte civil na Ucrânia. A empresa ferroviária Ukrzaliznytsia afirma que seus funcionários trabalham em conjunto com as Forças Armadas para monitorar o espaço aéreo acima das linhas férreas. Sempre que uma ameaça é detectada, a equipe ferroviária altera a rota, evacua os passageiros e toma outras precauções de segurança.

Narozhnyi disse que os sistemas de defesa eletrônica da Ucrânia ao longo das principais rotas de transporte ferroviário precisariam ser expandidos.

"Você poderia equipar cada trem com dispositivos antidrone, ou poderia usá-los para proteger instalações estratégicas, como usinas de energia ou infraestrutura de gás e eletricidade", disse o especialista. "Tecnicamente, tudo é possível. A questão é quanto dinheiro será necessário para proteger toda a infraestrutura ferroviária."

Irmãs ucranianas na linha de frente

03:11

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