Rebeldes derrubam regime na Síria e Assad foge para a Rússia
Publicado 7 de dezembro de 2024Última atualização 8 de dezembro de 2024
Ministério do Exterior da Rússia diz que presidente da Síria "renunciou" e se refugiou em Moscou. Primeiro-ministro sírio se diz disposto a colaborar com os insurgentes, liderados pelo grupo islamista HTS.
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Numa sequência extraordinária de acontecimentos, insurgentes sírios liderados pelo grupo islamista Organização para a Libertação do Levante (Hayat Tahrir al Sham, ou HTS) entraram nas primeiras horas deste domingo (08/12) na capital da Síria, Damasco, e a declararam "livre" do regime do presidente Bashar al-Assad.
A ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos, baseada no Reino Unido, divulgou que o presidente sírio deixou o aeroporto da capital num avião particular. Citando fontes do Kremlin, veículos russos afirmam que o ditador e sua família estão asilados em Moscou.
O Ministério do Exterior da Rússia declarou que Assad "renunciou" ao cargo e deixou a Síria, mas sem dizer onde ele estaria. Assad teria negociado com os grupos rebeldes e "dado instruções" para uma transferência pacífica de poder, segundo o Kremlin.
A queda do regime é um duro golpe para os governos da Rússia e do Irã, os dois principais apoiadores de Assad.
O primeiro-ministro da Síria, Mohamed Ghazi al-Jalali, declarou-se disposto a colaborar com os insurgentes e disse que estende a mão a "qualquer sírio que se interessa pelo país para preservar suas instituições".
O líder do HTS, Abu Mohammad al-Jolani (que começou a usar o seu nome verdadeiro, Ahmed al-Shara), pediu aos insurgentes que não se aproximem das instituições públicas em Damasco e afirmou que elas continuam sob controle do primeiro-ministro sírio até uma "passagem oficial" do poder.
Os insurgentes também anunciaram controlar a prisão militar de Saydnaya, a cerca de 30 quilômetros ao norte de Damasco e um dos centros de repressão do regime, onde teriam libertado detentos.
Milhares de pessoas se reuniram na praça principal de Damasco, cantando "liberdade", após meio século de governo da família Assad, relataram testemunhas.
Já neste sábado manifestantes saíram às ruas nos subúrbios de Damasco destruindo imagens de Assad e a estátua do pai dele, o ex-presidente Hafez al-Assad, sem serem reprimidos pelas forças de segurança.
Fim rápido e surpreendente
A súbita queda do regime sírio é um final surpreendente para o governo de 50 anos da família Assad, encerrado por uma rápida ofensiva rebelde que atravessou o território controlado pelo governo de norte a sul e entrou na capital em apenas dez dias.
A ofensiva dos rebeldes teve início na semana passada, com a tomada de Aleppo. Desde então, as linhas de defesa do governo sírio desmoronaram numa velocidade surpreendente e inédita em 13 anos de guerra civil, reavivando um violento conflito que parecia congelado.
Neste sábado, as forças de oposição tomaram a cidade central de Homs, a terceira maior da Síria, após ela ser abandonada pelas forças do governo. Os rebeldes já haviam tomado as cidades de Aleppo e Hama, bem como grande parte do sul, na rápida ofensiva que começou em 27 de novembro.
Em Homs, um militar sírio afirmou à agência de notícias Reuters que dezenas de combatentes da Radwan, a tropa de elite do Hezbollah (braço do regime iraniano no Líbano e aliado de Assad), fugiram da cidade.
Homs é lar de uma minoria alauita, grupo étnico-religioso do qual Assad faz parte, e fica próxima à fronteira com o Líbano e o Iraque. Homs fica numa importante interseção entre Damasco e as províncias costeiras de Latakia e Tartus, a base de apoio do líder sírio e onde está uma base naval e aérea russa – o governo de Vladimir Putin é outro aliado importante de Assad.
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Guerra civil envolve interesses de diversos países
A guerra civil na Síria, que começou em 2011 como um levante contra o regime de Bashar al-Assad, envolveu grandes potências estrangeiras, alimentou o terrorismo jihadista e forçou milhões de refugiados a buscarem refúgio no exterior.
Durante muitos anos, Assad dependeu da ajuda de aliados para conter os rebeldes. Aviões de guerra russos conduziram bombardeios, enquanto o Irã enviou tropas aliadas, incluindo o Hezbollah libanês e milícias iraquianas, para reforçar o Exército sírio e atacar redutos insurgentes.
No entanto, desde 2022, a Rússia tem focado na guerra na Ucrânia, e o Hezbollah sofreu grandes perdas em sua própria guerra desgastante contra Israel, o que reduziu significativamente sua capacidade, assim como a do Irã, de apoiar Assad.
Os Estados Unidos têm apoiado forças curdas no norte do país, na fronteira com a Turquia. O presidente eleito Donald Trump, porém, declarou que seu país não deveria se envolver no conflito, e sim "deixar as coisas seguirem seu curso".
O avanço dos rebeldes tem sido liderado pela aliança islamista HTS, também conhecida como Organização para a Libertação do Levante.
A HTS é herdeira da ex-filial síria da Al-Qaeda, de quem se desassociou em 2016. O grupo, que se notabilizou pelos seus esforços para estabelecer um Estado fundamentalista sob a lei islâmica na Síria, tem tentado moderar sua imagem nos últimos anos, apresentando-se como alternativa viável a Assad.
Em entrevista à CNN na sexta-feira, Jolani frisou ter como objetivo apenas a derrubada do governo de Assad, cuja família está no comando do país há cinco décadas. Golani falou em "construir a Síria" e repatriar refugiados sírios que hoje vivem no Líbano e na Europa.
Especialistas avaliam que a Turquia esteja apoiando o avanço dos rebeldes como forma de enfraquecer os curdos que controlam o norte da Síria ao longo da fronteira com a Turquia, e que lutam pela autonomia.
ra/as (Reuters, AP, Efe)
O mês de dezembro em imagens
Reveja alguns dos principais acontecimentos do mês
Foto: Anas Alkharboutli/dpa/picture alliance
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Equipes buscam desaparecidos após colapso de ponte sobre o Rio Tocantins
Equipes de resgate buscam 14 desaparecidos após a Ponte Juscelino Kubitschek, que liga os estados do Tocantins e do Maranhão, colapsar no último domingo, provocando a queda de 10 veículos. Ao menos três mortes foram confirmadas até o momento. Devido ao derramamento de produtos tóxicos no acidente, autoridades proibiram o uso da água do Rio Tocantins em 19 municípios. (23/12)
Foto: Bombeiro Militar/Governo do Tocantins
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Um avião de pequeno porte caiu no município de Gramado, no Rio Grande do Sul. A aeronave atingiu uma loja de móveis, uma pousada e residências perto do centro da cidade. Os dez ocupantes da aeronave morreram. Todos eram da mesma família. Outras 17 pessoas que estavam no solo foram encaminhadas a um hospital, duas delas em estado grave. (22/12)
Foto: Defesa Civil do Rio Grande do Sul/Divulgação
Magdeburg tem dia de homenagens e protestos após ataque
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Foto: Michael Probst/AP/picture alliance
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Foto: Heiko Rebsch/dpa/picture alliance
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Dominique Pelicot, que passou uma década dopando sua então esposa, Gisèle, e convidando outros homens a estuprá-la, foi condenado a 20 anos pela Justiça francesa. Ele foi considerado culpado por estupro com agravantes e por gravar e distribuir imagens dos atos. Gisèle tornou-se um ícone feminista global ao decidir tornar público o julgamento e assistir às sessões com o rosto descoberto. (19/12)
Foto: Laurent Coust/ABACA/picture alliance
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Foto: Nicolas Tucat, Pool Photo via AP/picture alliance
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O general Igor Kirillov, chefe da defesa radiológica, química e biológica da Rússia, foi morto num ataque a bomba em Moscou. A bomba foi acionada quando Kirillov, de 54 anos, estava saindo de uma casa com seu assessor, que também foi morto no atentado. Investigadores citados pelo jornal Kommersant apontaram os serviços secretos ucranianos como os possíveis autores do ataque. (17/12)
Foto: ASSOCIATED PRESS/picture alliance
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Foto: Lisi Niesner/REUTERS
Escolas reabrem na Síria após queda do regime de Assad
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Foto: Ammar Awad/REUTERS
PF prende general Braga Netto no inquérito do golpe
Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes mandou prender preventinamente o ex-ministro da Defesa de Jair Bolsonaro, Walter Braga Netto, acusado de tentar obstruir as investigações. Ele é tomado pela Polícia Federal como um dos coordenadores do plano para matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aplicar um golpe de Estado. (14/12)
Foto: SERGIO LIMA/AFP
Multidão toma as ruas de Damasco para celebrar queda de Assad
Milhares de pessoas se reuniram em cidades sírias para celebrar o fim do regime de Bashar al-Assad após as primeiras orações de sexta-feira desde que os rebeldes assumiram o poder. Em Damasco, uma multidão se reuniu na praça Umayyad, no centro da capital. O local é simbólico por ter também recebido os protestos massivos de 2011, que deram início à guerra civil no país. (13/12)
Foto: Ghaith Alsayed/AP/dpa/picture alliance
Trump é a Pessoa do Ano de 2024 da revista "Time"
Publicação cita "volta por cima de proporções históricas" ao justificar escolha e diz que republicano é beneficiário e agente da perda de confiança nos valores liberais. (12/12)
Foto: Heather Khalifa/AP Photo/picture alliance
Assembleia Geral da ONU pede cessar-fogo imediato, incondicional e permanente em Gaza
Por 158 votos favoráveis, órgão que reúne 193 países pediu o fim do conflito entre Israel e o Hamas no território palestino e a libertação imediata de todos os reféns sequestrados por islamistas. Mas diferentemente das votações no Conselho de Segurança, decisão não é juridicamente vinculativa. Conflito em Gaza já dura 14 meses, sem fim à vista. (11/12)
Foto: Mohammed M Skaik/Avalon/picture alliance
Rebeldes sírios anunciam novo governo de transição
Mohammad al-Bashir, que liderava o governo no reduto rebelde de Idlib, vai assumir gestão interina do país até 1º de março, mudando a liderança do país após 24 anos de regime de Bashar al-Assad. Novo primeiro-ministro é ligado ao grupo radical islâmico HTS. (10/12)
Foto: Omar Haj Kadour/AFP/Getty Images
STF obriga PM de São Paulo a manter uso de câmeras corporais
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, determinou a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais pelos policiais militares do estado de São Paulo. A determinação é uma derrota para o governador Tarcísio de Freitas, que desde a campanha eleitoral se posicionou contra o uso dos equipamentos e vinha tentando propor modelos alternativos. (09/12)
Foto: FotoRua/NurPhoto/IMAGO
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Foto: Louai Beshara/AFP
Restaurada, Catedral de Notre-Dame é reaberta cinco anos após incêndio devastador
Bancada por doações, reconstrução de monumento arquitetônico parisiense custou cerca de 700 milhões de euros e demandou o trabalho de cerca de 2 mil especialistas. Construída entre os séculos 12 e 14, catedral quase foi destruída em incêndio de causas desconhecidas. Solenidade foi prestigiada por chefes de governo e de Estado do mundo inteiro. (07/12)
Foto: Stevens Tomas/ABACA/IMAGO
Mercosul e União Europeia anunciam acordo de livre comércio
Após 25 anos de negociações, blocos concluíram texto final do acordo que prevê a redução ou eliminação de tarifas e barreiras comerciais, facilitando a exportação de produtos de ambos os lados. A líder da UE, Ursula von der Leyen (centro), disse que o pacto é uma "vitória para Europa". Ratificação deve, porém, esbarrar em resistência de países como a França. (06/12)
Foto: EITAN ABRAMOVICH/AFP/Getty Images
Após tomar Aleppo, Rebeldes avançam pela Síria e anunciam conquista de Hama
Islamistas apoiados pela Turquia fizeram seu mais rápido avanço em 13 anos de guerra civil no país. A captura de Hama vem após o enfraquecimento do Hezbollah, tradicional aliado do ditador sírio Bashar al-Assad, ao lado de Rússia e Irã. (05/12)
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Foto: Sarah Meyssonnier/REUTERS
Presidente sul-coreano impõe e depois desiste de lei marcial
O presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, surpreendeu o país e o mundo ao decretar lei marcial em pronunciamento transmitido pela TV. Ele justificou a militarização do país como forma de conter uma "ameaça comunista". Horas depois, após protestos e uma votação unânime do Parlamento para derrubar medida, ele recuou e suspendeu lei. (03/12)
Foto: JUNG YEON-JE/AFP/Getty Images
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Milhares de trabalhadores da Volkswagen na Alemanha entraram em greve, depois que a empresa anunciou planos de fechar três fábricas e cortar aposentadorias. "Se necessário, esta será a disputa salarial mais dura que a Volkswagen já viu", disse Thorsten Gröger, que está liderando as negociações sindicais com a gigante automobilística alemã. (02/12)
Foto: Jens Schlueter/AFP via Getty Images
Regime sírio perde controle de Aleppo
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