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Robô humanoide chinês promete companhia e "amor eterno"

2 de julho de 2026

Com preços de até R$ 758 mil, androide hiper-realista aposta no mercado de companhia emocional e reacende debate sobre vínculos com máquinas.

Mão de uma mulher enconta na face de uma androide de cabelos vermelhos
Androides não foram projetados para ser companhia íntimaFoto: Adek Berry/AFP

Em um cenário de ficção científica embalado pelo DJ norueguês Alan Walker, a empresa chinesa UBTech apresentou em Shenzhen, no sul da China, seus novos robôs humanoides de aparência humana hiper-realista.

Equipados com inteligência artificial (IA), esses "companheiros emocionais" têm pele macia e voz suave e foram desenvolvidos para combater a solidão. Eles são capazes de ouvir os problemas dos usuários 24 horas por dia.

Um robô que promete "amor eterno”

Segundo a empresa, o modelo U1 é "o primeiro robôhumanoide em tamanho real do mundo com aparência ultrarrealista". Michael Tam, diretor-geral da UWorld, marca da UBTech responsável pelo design, afirma que o androide promete "amor eterno".

O robô é direcionado principalmente a pessoas solteiras — cerca de 120 milhões na China — e a com mais de 60 anos — aproximadamente 320 milhões —, dois grupos que apresentam uma grande necessidade de companhia e conforto emocional, explica Tam.

Nem empregado doméstico nem parceiro íntimo

Com autonomia de até quatro horas, o androide U1 oferece palavras de conforto quando detecta sinais de fadiga ou estresse e, ao longo do tempo, aprimora seu conhecimento sobre o usuário.

O robô humanoide consegue movimentar a cabeça, os olhos e a boca. Também é capaz de identificar possíveis problemas de saúde, lembrar o horário de tomar medicamentos e aconselhar sobre vestuário.

Robôs são projetados para fazer companhia, e não os serviços da casaFoto: Adek Berry/AFP

Existe uma versão feminina (1,68 m) e uma masculina (1,83 m), com diversos estilos visuais, incluindo vestidos chamativos, macacão branco ou expressões consideradas sedutoras. O robô também pode ser personalizado para se parecer com um ente querido, uma celebridade ou um personagem fictício.

No entanto, o androide não foi projetado para realizar tarefas domésticas: não limpa, não cozinha nem passa roupa. Além disso, segundo a UBTech, os modelos atuais não foram concebidos para companhia em quartos nem para oferecer relações mais íntimas.

Críticas pela dependência emocional

O produto está longe de ser acessível para a maioria das pessoas. Os preços começam em 119.800 yuans (cerca de R$ 92 mil) e podem chegar a 990.000 yuans (aproximadamente R#160;758 mil) na versão mais sofisticada.

Esse tipo de tecnologia tem sido alvo de críticas devido ao risco de criar dependência emocional nos usuários e às preocupações relacionadas à privacidade. Em resposta, a UBTech afirma que os dados serão criptografados e não serão utilizados para treinar modelos de IA.

Tecnologia com empatia: o avanço dos robôs cuidadores

02:30

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Na China, os robôs estão presentes em fábricas e espaços públicos e desfrutam de ampla aceitação social, em contraste com o maior ceticismo observado em muitos países ocidentais.

O país lidera o desenvolvimento de robôs humanoides e, segundo o banco Barclays, em 2025 respondia por 85% dos robôs humanoides distribuídos no mundo.

De acordo com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, mais de 140 empresas chinesas lançaram, no ano passado, mais de 330 modelos de robôs humanoides.

A robótica é considerada uma prioridade nacional e foi definida como uma indústria estratégica no plano de desenvolvimento da China para o período 2026–2030.

Humanoides estão disponíveis nos modelos masculino e femininoFoto: Adek Berry/AFP

Mercado em expansão

Segundo um estudo do banco Morgan Stanley, o mercado chinês de robôs humanoides poderá atingir US$ 2 bilhões ainda este ano e alcançar US$ 15 bilhões em 2030.

Fundada em 2012, a UBTech também desenvolve robôs para uso industrial. Com o lançamento do U1, a empresa busca conquistar espaço no mercado de humanoides voltados ao público em geral, um segmento que até agora tem apresentado rentabilidade limitada.

le (afp, ots)

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