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Salário tem maior poder de compra em 50 anos

12 de fevereiro de 2015

Segundo Banco Central, apenas entre julho de 1964 e julho de 1965 o salário mínimo comprava mais do que hoje. Valorização da renda mínima, porém, eleva custo de mão de obra, alerta instituição.

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Foto: MAURICIO LIMA/AFP/Getty Images

Levantamento divulgado pelo Banco Central esta semana mostra que em janeiro o salário mínimo, fixado em 788 reais, atingiu seu maior poder de compra desde agosto de 1965. De acordo com o Boletim Regional do BC, apenas entre julho de 1964 e julho de 1965 o salário mínimo comprava mais do que hoje, em valores corrigidos pela inflação.

Segundo o boletim, a valorização do salário mínimo tem determinado, em parte, a elevação da renda real dos trabalhadores nos últimos anos, principalmente nas faixas de menor rendimento e entre beneficiários da Previdência Social.

"Não surpreende, portanto, que o rendimento médio real do trabalho venha crescendo há vários anos, em todas as regiões. De 2003 a 2013, por exemplo, os aumentos médios anuais desses rendimentos atingiram 5,1% no Nordeste, 4,3% no Centro-Oeste, 3,7% no Norte, 3,5% no Sul e 3,1% no Sudeste", indicou o relatório do BC.

De 2003 a 2014, o rendimento médio da população ocupada com renda de até um salário mínimo cresceu 52% a mais do que o salário mínimo. O movimento pode ser explicado pela formalização do mercado de trabalho, que atraiu profissionais que ganhavam menos que o mínimo.

Já para a população que ganha de um a um salário mínimo e meio, o rendimento médio real do trabalhador subiu 1% a mais do que o mínimo, neste mesmo período. Na faixa de um e meio a três salários mínimos, o indicador aumentou 23% menos que a correção do mínimo. Para a população que ganha mais de três salários mínimos, o rendimento médio real subiu 53% a menos que o mínimo.

De acordo com o BC, 28,2% dos trabalhadores brasileiros recebem um salário mínimo e 54,4% ganham de um a três salários mínimos. O Banco Central afirma que a política de valorização do salário mínimo é a grande responsável pela recuperação do poder aquisitivo dessas faixas de renda. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 46,7 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no mínimo.

Desde 2008, o reajuste do salário mínimo é calculado com base no crescimento do PIB de dois anos anteriores e da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior. O INPC mede a inflação para famílias de menor renda, de até seis salários mínimos. A fórmula garante a reposição da inflação a cada ano. Caso a economia tenha crescido dois anos antes, o cálculo garante aumento real – acima da inflação – para o salário mínimo.

Aumento do custo da mão de obra

Apesar dos avanços no rendimento dos trabalhadores, o Banco Central alerta que a política de valorização do mínimo está aumentando o custo médio da mão de obra. Na indústria, as elevações da renda não estão sendo acompanhadas pelo aumento do emprego. De 2012 a 2014, a população ocupada na indústria caiu, embora o rendimento médio tenha subido. Isso indica que menos pessoas trabalham hoje na indústria ganhando, em média, mais do que em 2012.

De acordo com o Dieese, o salário mínimo de R$ 788 compra 2,22 cestas básicas, a melhor relação desde 1979. Ainda assim, para o departamento, para cobrir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas o mínimo deveria ser de 3,1 mil reais.

MSB/abr/afp

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