Samoa e Kiribati dão largada ao "réveillon da pandemia"
31 de dezembro de 2020
Nações insulares do Pacífico Sul são as primeiras a saudar o Ano Novo no planeta, sem shows de fogos. Nova Zelândia festeja com multidões, após controlar disseminação do coronavírus.
Clima do réveillon não é dos melhores em grande parte do planeta, devido à covid-19Foto: Carlo Allegri/REUTERS
Anúncio
Os habitantes de Kiribati e Samoa, nações insulares localizadas no Pacífico Sul, foram os primeiros a se despedir de 2020 e receber 2021. Esses arquipélagos tropicais com uma população combinada de pouco mais de 300 mil habitantes, saudaram o Ano Novo às 10h GMT (7h em Brasília).
Em ambos os países, o clima do réveillon não é dos melhores. Embora não tenha sido registrada uma única infecção por coronavírus em Kiribati e o primeiro caso só tenha sido relatado em Samoa em meados de novembro, os shows públicos de fogos de artifício foram cancelados em ambos os arquipélagos. Os turistas estrangeiros atualmente não têm permissão para visitar as ilhas do Pacífico sul.
As duas nações também estão preocupadas com o ano que começa devido às mudanças climáticas globais. Tempestades causaram enchentes na capital de Samoa, Apia. As 3 mil ilhas que compõem Kiribati estão lutando contra inundações devido ao aumento do nível da água no Pacífico.
Os próximos a receber 2021 foram os habitantes da ilha de Chatham, na Nova Zelândia, localizada a cerca de 680 quilômetros a sudeste das principais ilhas daquele país.
Show de fogos na Nova Zelândia
O restante dos habitantes da Nova Zelândia e a população de Fiji e Tonga saudaram o novo ano logo depois.
Réveillon na Nova Zelândia: com pandemia sob controle, país mantém tradicional queima de fogos de AucklandFoto: Fiona Goodall/Getty Images
A Nova Zelândia, um dos países que exibe uma das melhores gestões da pandemia do coronavírus, manteve a tradicional queima de fogos de artifício na cidade de Auckland para celebrar o Ano Novo, com grandes multidões participando da festa. Embora ainda isolado pelo fechamento das fronteiras internacionais, o país exibe meses de taxas zero de infecção, que possibilitaram um retorno a uma relativa normalidade.
A Austrália, que dá as boas-vindas ao Ano Novo às 10h de Brasília em grande parte do país, mantém os famosos fogos de artifício de Sydney, um dos shows que tradicionalmente abrem as comemorações do Ano Novo do planeta, mas sem a presença do grande público devido às restrições impostas pelo surto covid-19.
Depois do Japão e da Coreia do Sul, os países do Sudeste Asiático contam os últimos minutos de 2020 com restrições, devido à pandemia, que inclui o cancelamento de multidões e de fogos de artifício em Tailândia, Malásia e Cingapura.
Embora Birmânia, Camboja, Laos, Tailândia e Vietnã recebam seu Ano Novo em datas diferentes, eles também celebram o réveillon de acordo com o calendário gregoriano, especialmente nas grandes cidades.
Na Alemanha, a venda de fogos de artifício também foi proibida em todo o país este ano devido à pandemia, a fim de proteger os hospitais de serem sobrecarregados por vítimas de fogos de artifício. Zonas de proibição de queima de fogos de artifício foram determinadas em muitas cidades. Aglomerações públicas também são proibidas no país.
Anúncio
Saudações do espaço
Os dois cosmonautas russos na Estação Espacial Internacional (ISS) desejaram aos cidadãos na Terra um Feliz Ano Novo via mensagem de vídeo. "O ano de 2020 foi um teste para todo o planeta", disse Sergei Ryschkow no vídeo publicado pela agência espacial russa Roskosmos.
Espetáculo de fogos em Auckland para celebrar o início de 2021Foto: Michael Craig/NZ Herald/AP/picture alliance
Ele acrescentou que também está provado "que toda pandemia é impotente quando a humanidade se une na luta pelo que é mais importante para nós: a vida".
O colega dele Sergej Kud-Swertschkow lembrou que já é a 20ª vez que uma tripulação da ISS experimenta um Ano Novo. Atualmente, sete astronautas ocupam este posto avançado da humanidade.
Como a ISS circula a Terra 16 vezes nesta véspera de Ano Novo, a tripulação pode começar o Ano Novo 16 vezes. A ISS orbita a Terra a cada hora e meia.
MD/dpa/efe/afp
O humor no ano da covid-19
Com taxas de infecção ainda altas, a pandemia de coronavírus está longe de ser motivo de riso. Mas ela não fez com que o mundo perdesse em 2020 a capacidade de fazer graça.
No início da pandemia de coronavírus, uma verdadeira corrida aos supermercados levou a uma escassez temporária de papel higiênico na Alemanha e em outros países. O produto adquiriu assim um certo status de preciosidade. Isso inspirou algumas pessoas a fazer piada com o fenômeno. Esta padaria em Dortmund, por exemplo, fazia criações de bolos na forma de rolos de papel higiênico açucarado.
Foto: picture-alliance/dpa/B. Thissen
A saudação do cotovelo
Como o contato direto é tido como uma via de transmissão e num momento em que a máscara ainda era escassa, a solução foi evitar contato físico. Rituais de saudação como beijos, abraços e apertos de mão deram lugar a novas formas de dizer "olá", como cumprimentos com os pés e reverências. Já estes enxadristas escolheram a saudação do cotovelo – cuidando para não derrubarem as peças do tabuleiro.
Foto: Reuters/FIDE/M. Emelianova
Jantar com a família urso
Após o primeiro bloqueio, alguns restaurantes e cafés reabriram com uma freguesia insólita: ursinhos de pelúcia. Eles eram colocados nas mesas para obrigar clientes a cumprir as regras de distanciamento. Mas quando os estabelecimentos gastronômicos tiveram que fechar novamente, muitos proprietários optaram por manter seus hóspedes de pelúcia. Como neste restaurante em Bjelovar, na Croácia.
Foto: Damir Spehar/PIXSELL/picture alliance
Memes do Zoom
Em 2020, as videoconferências se tornaram uma rotina diária, com milhões de pessoas obrigadas a trabalhar de casa. De microfones ligados por acidente a imagens de apartamentos bagunçados diante dos colegas, tudo rendeu um material inesgotável de piadas. Alguns memes reinterpretaram obras de arte em tempos de covid-19, como esta versão de "A Última Ceia" de Leonardo da Vinci.
Foto: pinterest.com
Coronavírus nas histórias de ninar
Ao longo de todo o ano, foram lançados livros com conteúdo sobre covid-19, incluindo inúmeras paródias. Um exemplo foi "Goodnight Covid-19" (Boa noite, Covid-19), uma paródia do clássico infantil americano "Goodnight Moon" (Boa noite, Lua) que, em versos simples, descreve a nova realidade cotidiana – uma forma de ajudar os pais a conversar com seus filhos sobre a situação pouco usual.
Foto: Independently published
O elefante na sala
É difícil visualizar a distância mínima recomendada pelas autoridades na prevenção de uma infeção por coronavírus? Então imagine um filhote de elefante! Pelo menos é isso que foi recomendado na Áustria: "se entre você e seu interlocutor couber um filhote deste grande mamífero, a distância entre vocês é segura". Na Austrália, aliás, o distanciamento é medido em cangurus.
Foto: Harald Schneider/APA/picture alliance
A trilha sonora do lockdown
No início do ano, quando a vida pública foi paralisada no mundo todo, cidades inteiras caíram num silêncio repentino. Como forma de neutralizar essa atmosfera fantasmagórica, muitas pessoas fizeram música em janelas e varandas – como este homem de Oakland, Califórnia, nos EUA. Em alguns lugares, a polícia até participava, entoando algumas estrofes entre uma ronda e outra.
Foto: Reuters/K. Munsch
Os hits da lavagem das mãos
Em 2020, as pessoas lavaram as mãos como nunca. E sejamos honestos: chegou uma hora em que ninguém mais aguentava ouvir "Parabéns pra você" – cuja duração era exatamente o tempo mínimo de lavagem recomendado. Pelo menos, há canções alternativas. O refrão de "Jolene", de Dolly Parton, e paródias de clássicos com novas letras inspiradas no coronavírus também se tornaram bastante populares.
Foto: Tina Rowden/Netflix/Everett Collection/picture alliance
Sorriso à mostra
Máscaras se tornaram o acessório por excelência em 2020. De artistas a grifes de luxo, todos ofereceram suas próprias criações. Como estas máscaras, por exemplo, que sugerem que usá-las não significa o fim de toda comunicação não verbal. Embora cubram nariz e boca, elas colocam um sorriso no rosto das pessoas – de forma que, mesmo no ano da pandemia, seja possível sorrir para os passantes.
Foto: Etsy.com
Atchim!!
O famoso artista de rua Banksy também reagiu com humor à pandemia: no início de dezembro, a parede de uma casa em Bristol, na Inglaterra, amanheceu como uma de suas obras – uma idosa espirrando. Na imagem, voam pelo ar não apenas os temidos aerossóis, mas também bengala, bolsa e dentadura.