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HistóriaJordânia

Santuário de caça de 9 mil anos é descoberto na Jordânia

23 de fevereiro de 2022

Arqueólogos encontram complexo neolítico com habitações, altar e objetos usados em rituais. Nas proximidades, armadilhas quilométricas. As descobertas indicam que os humanos caçavam muito antes do que se pensava.

Escavações de santuário de caça na Jordânia
Estátuas de pedra encontradas no santuário descoberto por arqueólogos no deserto da JordâniaFoto: AP Photo/picture alliance

Uma equipe de arqueólogos jordanianos e franceses relatou ter encontrado um santuário neolítico de aproximadamente 9 mil anos num deserto remoto na Jordânia. As estruturas descobertas indicam que os seres humanos encurralavam e caçavam gazelas muito antes da tese atualmente difundida.

O complexo foi encontrado num acampamento neolítico perto de grandes estruturas conhecidas como "pipas do deserto", que seriam armadilhas usadas para encurralar gazelas selvagens para o abate. Essas armadilhas consistem em pelo menos duas quilométricas paredes de pedra convergindo em direção a um cercado, onde os animais poderiam ser caçados com mais facilidade.

Embora tais estruturas também sejam encontradas em outras partes das paisagens áridas do Oriente Médio e do sudoeste da Ásia, os especialistas acreditam que as da Jordânia sejam as mais antigas, mais bem preservadas e maiores.

"Este é um local único, onde grandes quantidades de gazelas eram caçadas em rituais complexos. Não há rival no mundo desde a Idade da Pedra", explicou o arqueólogo jordaniano Wael Abu Azizeh. "O sítio é único, também por causa de seu estado de preservação. Tem 9 mil anos e tudo estava quase intacto."

Segundo um comunicado do Projeto Arqueológico do Sudeste da Badia (Sebap), que trabalha no local desde 2013, as estruturas de paredes convergentes "atestam o surgimento de estratégias de caça em massa extremamente sofisticadas, inesperadas num período tão precoce".

Uma comunidade em torno da caça

A equipe de especialistas franceses e jordanianos também achou mais de 250 artefatos no local, incluindo quatro estatuetas de animais que, segundo os arqueólogos, teriam sido usadas em rituais para invocar forças sobrenaturais, a fim de garantir o sucesso na caça.

Dentro do santuário encontravam-se também duas estátuas de pedra antropomórficas – uma delas acompanhada por uma representação da "pipa do deserto". Havia, ainda, um altar, lareira, 149 fósseis marinhos e um modelo em miniatura da armadilha das gazelas. Os objetos estão entre algumas das peças artísticas mais antigas já encontradas no Oriente Médio.

A proximidade entre o local e as armadilhas sugere que os habitantes eram caçadores especializados e que as armadilhas eram "o centro da sua vida cultural, econômica e até simbólica nesta zona marginal", consta do comunicado.

As habitações circulares em forma de cabanas de assentamento e as grandes quantidades de restos de gazelas mostram que os habitantes não estavam apenas caçando para suas próprias necessidades, mas também trocavam suas caças com assentamentos vizinhos.

Segundo os pesquisadores, o santuário "lançou uma nova luz sobre o simbolismo, a expressão artística, bem como a cultura espiritual dessas populações neolíticas até então desconhecidas".

O ministro do Turismo da Jordânia, Nayef al-Fayez, declarou que as descobertas são uma adição espetacular às joias arqueológicas do país, as quais incluem a cidade de Petra, escavada na rocha do deserto, a romana Gérasa e castelos da Idade Média.

pv/av (Reuters, AFP, DPA)

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