Sem cessar-fogo, Ucrânia e Rússia trocarão prisioneiros
17 de maio de 2025
Segundo dia de negociações entre ucranianos e russos na Turquia termina em frustração, sem perspectiva de trégua. EUA e países europeus avaliam novas sanções caso Moscou insista em travar o processo de paz.
Segundo dia de negociações entre Rússia e Ucrânia na Turquia terminou em menos de duas horas sem maiores progressosFoto: Alexander Ryumin/ZUMA Press/IMAGO
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As conversas no segundo dia de negociações de paz entre Rússia e Ucrânia nesta sexta-feira (16/05) na Turquia terminaram em menos de duas horas sem que houvesse maiores progressos, embora os dois lados tenham concordado com uma troca de prisioneiros em larga escala.
Os representantes dos dois países em guerra desde a invasão russa do território ucraniano, em fevereiro de 2022, não se aproximaram de um acordo que pudesse acomodar as condições de ambos os lados para avançar rumo a um fim do conflito.
Uma das condições impostas pela Ucrânia – com o apoio de seus aliados ocidentais – seria um cessar-fogo incondicional como um primeiro passo para uma solução pacífica, após mais de três anos de uma guerra que destruiu grandes regiões da Ucrânia e forçou o deslocamento de milhões de pessoas. O Kremlin, porém, vem rejeitando consistentemente esses apelos.
Kiev e Moscou, no entanto, concordaram em trocar 1.000 prisioneiros de guerra, segundo afirmaram os chefes de ambas as delegações, o que seria a maior troca desse tipo desde o inicio do conflito.
Ucranianos insatisfeitos
A posição de Moscou foi fortemente criticada pelos ucranianos. O porta-voz do Ministério do Exterior da Ucrânia, Georgi Tykhy, disse após as conversas em Istambul que "se você quer ter negociações sérias, precisa silenciar as armas."
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse que discutiu as negociações os líderes dos Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido e Polônia. Durante uma reunião com lideranças europeias na Albânia, ele pediu "sanções severas" contra Moscou caso o Kremlin rejeite "um cessar-fogo total e incondicional e o fim dos assassinatos".
O Ministro ucraniano da Defesa, Rustem Umerov, o líder da delegação de seu país na Turquia, disse que os dois lados discutiram, além do cessar-fogo, uma futura reunião entre líderes dos dois países.
"Entendemos que, se quisermos progredir, precisamos ter esta reunião de líderes", disse Tykhy, que avalia a troca de prisioneiros como um "ótimo resultado". O porta-voz, porém, disse que a Rússia apresentou uma série de "demandas inaceitáveis", sem especificar quais seriam essa exigências.
Exigências inviáveis como meio de travar negociações
A agência de notícias AFP citou o relato de uma fonte ucraniana, segundo a qual, Moscou teria exigido que Kiev cedesse mais território, em uma estratégia projetada para inviabilizar as negociações.
A Rússia reivindica a posse de cinco regiões ucranianas e da Península da Crimeia, anexada ilegalmente por Moscou em 2014.
"Representantes russos estão apresentando demandas inaceitáveis [...] como a retirada da forças da Ucrânia de grandes porções de seu território para que o cessar-fogo possa ter início", disse a fonte. Os ucranianos acusaram Moscou de fazer exigências inviáveis para que as negociações terminassem sem nenhum resultado.
Zelenski disse que Putin estava "com medo" de ir à reunião na Turquia e acusou Rússia de não levar negociações a sérioFoto: Anna Pshemyska
Outra fonte familiarizada com as negociações disse que Moscou ameaçou capturar as regiões ucranianas de Sumy e Kharkiv. Ambas as regiões fazem fronteira com a Rússia e foram invadidas pelo Exército russo no início do conflito, embora o Kremlin não tenha feito anteriormente reivindicações territoriais formais sobre elas.
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Zelenski: Putin teve "medo" de ir a Istambul
Mas, apesar das frustrações com o fracasso em atingir objetivos mais ambiciosos, o chefe da delegação russa, Vladimir Medinsky, se disse "satisfeito com o resultado" e acrescentou que Moscou está pronta para continuar os contatos.
Medinsky, que é um assessor do presidente russo, Vladimir Putin, disse que ambos os lados concordaram em apresentar propostas detalhadas de cessar-fogo. Ele relatou que a Ucrânia solicitou uma reunião entre os dos chefes de Estado, e que a Rússia vai analisar o pedido.
O ministro do Exterior da Turquia, Hakan Fidan, que presidiu a reunião, disse que as duas partes "concordaram em princípio em se reunir novamente" e apresentariam suas propostas de cessar-fogo por escrito.
Putin se recusou a viajar à Turquia para a reunião, enviando, em vez disso, uma equipe de segundo escalão.
Na cúpula com os líderes europeus na Albânia, Zelenski pediu uma "forte reação" da comunidade internacional em caso de fracasso nas negociações. Visivelmente irritado, o líder ucraniano disse que Putin estava "com medo" de ir à reunião e acusou a Rússia de não levar a sério as negociações.
Futuro papel de Trump nas negociações
Tanto Moscou quanto Washington reafirmaram a necessidade de uma reunião entre Putin e o presidente dos EUA, Donald Trump, para tratar do conflito.
O porta-voz de Zelenski relatou que os líderes da Ucrânia, França, Alemanha, Reino Unido e Polônia conversaram por telefone com Trump nesta sexta-feira, sem fornecer maiores detalhes sobre a conversa.
O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que os países europeus estão coordenando com os Estados Unidos sanções adicionais contra a Rússia caso Moscou continue a rejeitar as propostas de um cessar-fogo incondicional.
Trump já afirmou que "nada acontecerá" até que ele se encontre pessoalmente com Putin, embora Macron tenha sugerido que contatos telefônicos poderiam ser um primeiro passo.
rc (AFP, AP)
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Foto: Ohad Zwigenberg/AP/dpa/picture alliance
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Macron, Merz, Starmer e Tusk visitam Kiev
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Leão 14 celebra sua 1ª missa como novo papa
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Foto: VATICAN MEDIA/Handout/AFP
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Começa o conclave que irá eleger o novo papa
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Míssil disparado do Iêmen cai perto do aeroporto de Tel Aviv
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