1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
PolíticaSuíça

Suíça rejeita proposta de limite populacional, diz projeção

14 de junho de 2026

Eleitores rejeitam, em referendo, iniciativa visando impor medidas para conter o crescimento da população, principalmente através de mais restrições à imigração.

Pessoas comemorando em salão
Comemoração do resultado do referendo em Berna, em um evento do Partido Social-Democrata, Partido Verde e a federação sindical SGBFoto: Anthony Anex/KEYSTONE/picture alliance

Os eleitores suíços rejeitaram neste domingo (14/069, em referendo, a iniciativa "Não a uma Suíça de Dez Milhões". A proposta visava impor medidas para conter o crescimento populacional – principalmente por meio de restrições mais rigorosas à imigração e ao direito de asilo – caso a população do país atingisse 9,5 milhões de habitantes antes de 2050.

Proposta é defendida exclusivamente pelo partido populista de direita Partido do Povo Suíço (SVP). A iniciativa foi rejeitada por 55% dos eleitores, segundo resultados preliminares (que apresentam margem de erro de mais ou menos 3%)

Rápido crescimento.

A Suíça registra uma das taxas de crescimento populacional mais rápidas da Europa Ocidental: a população passou de 7,3 milhões em 2002 para mais de 9,1 milhões em 2026, um aumento de quase 25% em 24 anos.

O saldo migratório é responsável por cerca de 80% desse crescimento, uma vez que a taxa de fertilidade local gira em torno de 1,3 filho por mulher.

Atualmente, 27% da população nacional (mais de 2 milhões de pessoas) são estrangeiros, com proporções mais elevadas em cantões fronteiriços, como o de Genebra.

O objetivo declarado da iniciativa – que gerou um intenso debate nacional – era impedir que a população do país ultrapassasse dez milhões até 2050; no entanto, a mensagem subjacente era um apelo para limitar a imigração, inclusive a proveniente de países vizinhos da União Europeia, e para endurecer as normas de asilo.

Preocupação com relações com UE

No que diz respeito à migração, uma grande preocupação era o possível dano que um voto "Sim" poderia causar às relações entre a Suíça e a União Europeia.

A Suíça mantém laços políticos, econômicos e comerciais vitais com o bloco, sustentados pelo Acordo de Livre Circulação de Pessoas. Esse acordo – que já foi alvo em 2020 de outro referendo fracassado pedindo seu cancelamento – concede aos cidadãos da UE o direito de entrar, residir e trabalhar em território suíço em condições de igualdade com os cidadãos suíços.

Com exceção do SVP, todos os outros partidos políticos uniram-se contra a iniciativa. Até mesmo o Partido Socialista formou uma aliança incomum com associações empresariais para convencer o público sobre as consequências negativas da aprovação da medida – especialmente porque as pesquisas de intenção de voto sugeriam que ela poderia, de fato, ser aprovada.

Entre os argumentos citados, destacaram-se a dependência de certos setores – especificamente saúde, construção civil e hotelaria – em relação à mão de obra estrangeira, bem como a necessidade de o vasto setor empresarial suíço recrutar trabalhadores altamente qualificados de outros países.

Descontentamento

No entanto, o debate também evidenciou o descontentamento na Suíça com o que é percebido como uma imigração excessiva e a consequente pressão sobre os serviços públicos e o mercado imobiliário, onde os preços dos aluguéis estão entre os mais altos da Europa.

Por toda a Europa, partidos de direita estão capitalizando os receios em relação à imigração – tendência evidente na ascensão da Alternativa para a Alemanha (AfD) na Alemanha e do partido Reunião Nacional na França. Na Suíça, no entanto, a proposta angariou apoio muito além dos círculos nacionalistas. Um argumento central citado foi o chamado "estresse por densidade": a imigração levou à escassez de moradias e à superlotação dos trens.

md (EFE, Reuters)

Pular a seção Manchete

Manchete

Pular a seção Outros temas em destaque