Surfistas intensificam disputa em torno da "onda de Munique"
28 de dezembro de 2025
Prefeitura remove trave que recriou famosa "onda do Eisbach" no centro da capital bávara, que havia desaparecido após trabalhos de limpeza. Surfistas acusam autoridades de agirem para impedir a prática do esporte.
Onda no riacho Eisbach, no parque Jardim Inglês, era ponto turístico da capital da Baviera desde a década de 1980Foto: Peter Kneffel/picture alliance/dpa
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A polêmica em torno do desaparecimento de uma famosa onda para a prática de surfe em um rio de Munique se intensificou neste domingo (28/12), quando as autoridades removeram uma viga instalada no local durante o Natal para recriar a atração.
A chamada "onda do Eisbach", parada obrigatória para os amantes do surfe na cidade do sul da Alemanha e um dos pontos mais badalados no verão, desapareceu subitamente no final de outubro, após trabalhos de limpeza e drenagem.
A onda no riacho Eisbach, um canal artificial desviado do rio Isar, no parque Jardim Inglês, era um ponto turístico da capital da Baviera desde a década de 1980.
Ativistas pró-surfe colocaram uma trave na água na madrugada de 25 de dezembro para recriar parcialmente a onda e penduraram uma faixa acima do riacho com os dizeres "Feliz Natal".
Um porta-voz do Corpo de Bombeiros de Munique informou que a "instalação foi removida" neste domingo, a pedido das autoridades municipais.
Surfistas criticam prefeitura
Os ativistas fizeram diversas tentativas de reinstalar a onda no parque no centro de Munique, mas todas acabaram frustradas.
A associação local de surfistas IGSM publicou na quinta-feira um comunicado informando que havia abandonado sua campanha para salvar a onda, acusando as autoridades municipais de protelar suas ações.
A onda de Eisbach era considerada a maior e mais consistente onda fluvial no coração de uma grande cidade, tendo se tornado uma atração turística na capital da Baviera. Segundo a IGSM, entre 3 mil e 5 mil surfistas locais a utilizavam.
A Surf Club Munich acusou a prefeitura de não querer regulamentar o surfe no Eisbach, "mas sim impedi-lo". Em nota, a entidade citou uma "obstrução administrativa" e exigências inatingíveis em seus esforços para restaurar a onda.
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"Mãe de todas as ondas de rio"
O acesso à onda foi bloqueado por vários meses no início de 2025, após a morte de uma mulher de 33 anos, cujo cordão de segurança ficou preso no fundo da correnteza enquanto ela surfava à noite. As investigações sobre a causa do acidente não apresentaram resultados conclusivos e o surfe no local acabou sendo liberado.
A onda, porém, sumiu após a interrupção temporária do fluxo de água para a realização de trabalhos de rotina para limpeza e remoção de sedimentos do leito do riacho. A prefeitura nega ter feito qualquer mudança que alterasse o fluxo da água.
Incensada como a "mãe de todas as ondas de rio" pelo portal SurferToday.com, a onda de Eisbach teria sido criada por surfistas que colocaram blocos de concreto no leito do riacho em 1972 para gerar uma correnteza forte.
O surfe ali só seria autorizado oficialmente décadas depois, em 2010, quando a onda já era famosa.
rc (AFP, DPA)
A capital da Baviera tem muito mais a oferecer do que Oktoberfest e cerveja, incluindo obras de arte, música e até surfe.
Foto: picture-alliance/dpa
Música na prefeitura
Quem visita Munique não pode deixar de passear pelo centro da cidade e conhecer o prédio da prefeitura na praça Marienplatz. De duas a três vezes por dia, dependendo da época do ano, os turistas se reúnem diante do prédio neogótico para ouvir música e assistir ao pequeno show no maior carrilhão da Alemanha, com 43 sinos e 32 figuras animadas, tudo movido a energia solar.
Foto: Fotolia/sborisov
Cervejaria Hofbräuhaus
A poucos minutos da prefeitura, fica a famosa cervejaria Hofbräuhaus. Ela foi construída há mais de 400 anos por ordem do duque da Baviera, que queria uma cervejaria que fabricasse cerveja de trigo. Hoje, funciona ali um restaurante com música ao vivo. A atração turística obrigatória chega a receber 30 mil visitantes por dia.
Foto: picture-alliance/dpa/P. Kneffel
Jardim Inglês
Um dos maiores parques urbanos do mundo, com quase 400 ha, o Englischer Garten (Jardim Inglês) atrai o ano inteiro visitantes de todos os lugares, gostos e culturas. No verão, os gramados ficam lotados, seja para praticar esportes ou apenas curtir o sol. Na cervejaria ao ar livre e na Torre Chinesa são oferecidas especialidades típicas, como "Haxn" e "Hendl" (Pernil de porco e frango assados).
Foto: imago/Westend61
Surfar em Munique
O riacho Eisbach faz jus ao nome (Eis significa gelo em alemão). A água é fria mesmo no verão. Mas isso não é obstáculo para os surfistas. A temporada de surfe no riacho que passa pelo Jardim Inglês começa no final de maio.
Foto: picture-alliance/dpa/M. Müller
Palácio Münchner Residenz
Claro que opulência não poderia faltar em Munique. Por mais de 400 anos, o palácio Münchner Residenz serviu de moradia aos duques, príncipes e reis da Baviera. Desde 1920, está aberto à visitação pública. O salão renascentista foi construído no século 16 por ordem do duque Albrecht 1º, para abrigar sua coleção de esculturas da Antiguidade.
Foto: Fotolia/Clemens Strimmer
Palácio Nymphenburg
Este palácio barroco foi construído a mando do príncipe eleitor Ferdinand Maria, em 1664, como presente para sua esposa. Por um longo tempo, ele serviu como residência de verão da família de nobres Wittelsbach. Hoje em dia, mais de 300 mil pessoas visitam o palácio e seu belo parque a cada ano.
Foto: picture-alliance/dpa/S. Hoppe
Pinacotecas
As Pinacotecas Estatais da Baviera reúnem obras que vão do século 14 até a arte contemporânea, espalhadas nos três principais museus de arte de Munique: Alte Pinakothek (Velha Pinacoteca), Neue Pinakothek (Nova Pinacoteca) e Pinakothek der Moderne (Pinacoteca Moderna). Na Velha Pinacoteca, há 700 itens da Idade Média até meados do século 18, incluindo obras de Dürer, Raffael e Rembrand.
Foto: picture-alliance/dpa
Manter a tradição
Os moradores de Munique adoram suas tradições. Por isso, em qualquer época do ano, seja em festas ou no dia a dia, usam o Dirndl (vestido típico) ou a Lederhose (calça de couro). Há muitas associações que se dedicam à manutenção dessa tradição. Elas promovem, por exemplo, o Kocherlball, baile com trajes típicos que acontece junto à Torre Chinesa no verão europeu.
Foto: picture-alliance/dpa
Oktoberfest, em setembro
A maior festa popular do mundo tem mais de 200 anos e foi copiada em vários países. Com desfiles, muita música, cerveja e um enorme parque de diversões, esta festa que originalmente comemorava o casamento do rei Ludwig 1º com a princesa Therese von Sachsen-Hildburghaus atrai a cada ano 6 milhões de visitantes. Dizem que começa em setembro para evitar o tradicional mau tempo em Munique em outubro.
Foto: picture-alliance/dpa/M. Müller
Alegria de viver
Há coisas que não se consegue guardar em fotos. Como essa, que torna Munique tão peculiar. O charme da cidade é refletido na "Lebensgefühl", a alegria de viver dos seus moradores. Por isso, para encerrar este passeio, resta dizer: "Minga, I mog Di!" (Munique, gosto de você!)