Temer anuncia Ivan Monteiro como presidente da Petrobras
2 de junho de 2018
Monteiro é o atual diretor executivo da Área Financeira da estatal e substituirá Pedro Parente, que pediu demissão. Em anúncio, presidente afirma que não haverá interferência na política de preços da empresa.
Ivan Monteiro em coletiva de imprensa sobre balanço trimestral da Petrobras, em novembro de 2016Foto: Getty Images/AFP/Y. Chiba
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O presidente Michel Temer anunciou nesta sexta-feira (01/09) que o engenheiro Ivan Monteiro será o novo presidente da Petrobras. Ele substitui Pedro Parente, que pediu demissão após críticas por causa de política de preços que elevou os valores dos combustíveis e culminou na greve dos caminhoneiros.
Monteiro foi o indicado do Conselho de Administração da estatal para assumir a presidência da empresa interinamente. Após a indicação, o engenheiro se reuniu com Temer em Brasília.
"Comunico que, escolhido hoje como interino, Ivan Monteiro é diretor da Petrobras e será recomendado ao Conselho de Administração para ser efetivado na presidência da Petrobras", afirmou Temer durante um pronunciamento.
O presidente disse ainda que mantém o compromisso com a recuperação financeira da Petrobras e que não pretende interferir na empresa. "Nós continuaremos com a política econômica que tirou a estatal do prejuízo. Não haverá qualquer interferência na política de preços da companhia", destacou.
Há quase um ano, a Petrobras reajusta os preços de acordo com a variação do dólar e do valor do petróleo no mercado internacional. Essa política ajudou a rechear os cofres da empresa, que viu seu valor de mercado se recuperar. No entanto, ela acabou culminando na paralisação dos caminhoneiros, que viram o valor do diesel saltar 56% na bomba nos últimos 11 meses.
Com a nomeação de Monteiro, o governo deseja sinalizar ao mercado que pretende manter a autonomia da estatal. Diante do temor de que a empresa pudesse retornar à época de interferência política, os papéis da Petrobras desabaram nos últimos dias.
Monteiro é o atual diretor executivo da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores da Petrobras. Ele começou a trabalhar na estatal junto com o ex-presidente Aldemir Bendine, nomeado pela então presidente Dilma Rousseff.
Alvo de investigação na Operação Lava Jato, Bendine perdeu o cargo. Monteiro, porém, foi mantido na estatal por Parente. Antes de chegar na Petrobras, o engenheiro passou pelo Banco do Brasil, onde alcançou o cargo de vice-presidente, e em diversas instituições do mercado financeiro.
A indicação de Monteiro para presidência da estatal precisa ser confirmada novamente pelo Conselho de Administração.
CN/abr/ots
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A greve dos caminhoneiros em imagens
Paralisação contra valor do diesel paralisou o Brasil, causando desabastecimento de combustíveis e alimentos e agitando a classe política. Reveja os acontecimentos até agora.
Foto: picture-alliance/dpa/W. Rudhart
Primeiro dia
Uma apreciação do dólar ante o real e a alta do barril de petróleo no mercado internacional provocaram uma série de aumentos no preço do diesel nos primeiros meses de 2018. Caminhoneiros anunciam a paralisação e bloqueiam estradas pelo país para pressionar o governo a reduzir valor do combustível.
Foto: Reuters/R. Moraes
Segundo dia
Alto valor do preço da gasolina faz com que população apoie protestos dos caminhoneiros. Com bloqueio das estradas, abastecimento é prejudicado e filas em postos de combustível viram cenas corriqueiras no país.
Foto: DW/N. Pontes
Terceiro dia
Presidente da Petrobras, Pedro Parente, anuncia decisão "excepcional" de reduzir em 10% o preço do diesel. Paralisação continua, e Parente é criticado por adotar medidas que deixam o preço do combustível no Brasil vulnerável a variações cambiais e também do barril do petróleo no mercado internacional.
Foto: Reuters/A. Machado
Quarto dia
Grupos infiltrados entre os grevistas tentam direcionar greve para assuntos políticos. Pedidos de intervenção militar ou de apoio a partidos políticos foram identificados pela imprensa brasileira.
Foto: picture-alliance/AP Photo/S. Izquierdo
Quinto dia
Se em 2013 o Facebook foi o canal preferido para propagação de informações sobre os protestos que tomaram o país, este ano o Whatsapp é o aplicativo da moda. No entanto, muitas notícias falsas sobre a paralisação foram compartilhadas.
Foto: DW/N. Pontes
Sexto dia
Forças de segurança, como a PRF, são convocadas para tentar evitar conflitos nas rodovias bloqueadas.
Foto: picture-alliance/AA/F. Teixeria
Sétimo dia
Temer cede e Governo publica em edição extra no Diário Oficial de domingo (27) medidas que preveem o congelamento do preço do diesel por 60 dias, com redução de R$ 0,46 no preço do litro. O governo federal concordou ainda em eliminar a cobrança de pedágio para eixo suspenso de caminhões vazios em todo o país.
Foto: Reuters/U. Marcelino
Oitavo dia
Mesmo com o acordo em mãos, vários grupos de caminhoneiros não aceitam voltar ao trabalho e liberar as estradas. Itens básicos começam a faltar nas pretaleiras dos supermercados por causa da falta de abastecimento. Impacto na economia ainda é incalculável, analisam especialistas.
Foto: Reuters/D. Vara
Nono dia
O Brasil parou. Segundo analistas, insatisfação geral da população se juntou às demandas dos caminhoneiros, e país vive um novo momento de protestos gerais, com semelhanças ao que ocorreu em 2013.
Foto: picture-alliance/ZUMAPRESS/Agencia O Globo/A. Scorza
Décimo dia
Petroleiros paralisam trabalhos, contrariando Tribunal Superior do Trabalho, que decidiu no dia anterior pela ilegalidade da greve, com previsão de multa diária de R$ 500 mil.