Terapia com testosterona pode causar infertilidade?
Conor Dillon
9 de agosto de 2026
Reposição do hormônio masculino está em alta nas academias, nas redes sociais e na vida de muitos homens. Mas tomar suplementos por conta própria pode inibir a produção natural, além de ser um risco à saúde.
Especialistas alertam que tratamento só deve ser feito com supervisão médicaFoto: dpa/picture alliance
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A função da testosterona é, em grande parte, a produção de espermatozoides. É por isso que é um tanto paradoxal quando um homem que não precisa começa a tomá-la mesmo assim: seu cérebro registra um nível excepcionalmente alto do hormônio no sangue, conclui que o corpo produziu em excesso e envia a ordem para interromper a produção, o que faz com que os testículos fiquem inativos e a quantidade de espermatozoides diminua.
A testosterona está em alta, presente em todas as redes sociais, na cultura das academias e nos fóruns de bem-estar pela internet, sendo vendida por laboratórios online, contatos de academias e serviços de saúde por telefone.
As informações a respeito, no entanto, variam de simplistas demais a totalmente perigosas. Os homens estão tomando mais testosterona do que nunca, para se sentirem mais viris. Mas, ao fazerem isso, podem estar dizendo ao próprio corpo para parar de produzi-la naturalmente.
O que a testosterona faz, quem realmente precisa de tratamento e quais podem ser os custos para os homens que a tomam sem necessidade? A ciência responde.
Testosterona versus produção de espermatozoides
O corpo regula a testosterona da mesma forma que um termostato regula o calor. Quando o cérebro detecta níveis anormais elevados do hormônio na corrente sanguínea, ele envia um sinal aos testículos para que parem de produzi-lo naturalmente.
Os testículos, na prática, entram em inatividade e, como a produção de espermatozoides depende do que ocorre em seu interior, ela também é interrompida.
Alguns homens que se automedicam com testosterona elevam seus níveis a mais de quatro vezes o limite clínico inferior. As consequências incluem distúrbios de coagulação sanguínea, estresse cardiovascular, instabilidade de humor e, em alguns casos, danos irreversíveis à fertilidade. O que é vendido como um atalho para a força e a libido pode, sem supervisão, custar a um homem sua fertilidade.
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Níveis normais por faixa etária
A testosterona atinge seu pico durante a puberdade, geralmente entre os 13 e os 15 anos. Depois disso, diminui lentamente pelo resto da vida do homem. Um nível mais baixo de testosterona aos 40 anos em comparação aos 15 não é um distúrbio, mas, sim, o envelhecimento.
O limite utilizado pelos médicos é de 300 nanogramas por decilitro de sangue. Mas esse limite vem com uma condição: ele deve ser confirmado por pelo menos dois exames de sangue realizados em momentos diferentes do dia, pois os níveis variam.
Abaixo desse valor, o especialista pode considerar a possibilidade de um tratamento. Acima de 300, não há base clínica para intervenção.
Como aumentar a testosterona naturalmente?
Antes de se considerar qualquer tratamento médico, quatro fatores-chave do estilo de vida devem ser analisados: sono, consumo de álcool, drogas e tabagismo, além do estresse crônico: cada um desses itens têm um impacto mensurável nos níveis de testosterona. Lidar com eles pode ser o necessário e não traz riscos como a terapia hormonal.
O que acontece quando a tireoide não funciona direito?
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O que é e quem precisa?
A terapia de reposição de testosterona (TRT) trata uma deficiência hormonal diagnosticada. É um procedimento médico legítimo, envolvendo injeções, comprimidos e cremes, que funciona para os homens que precisam dela.
O problema é que muitos que a utilizam não têm deficiência alguma: homens com níveis normais de testosterona estão cada vez mais buscando a TRT, e não como tratamento, mas como um potencializador de desempenho – e obtêm o tratamento por meio de laboratórios não regulamentados na internet, contatos em academias e serviços de telessaúde que emitem receitas sem avaliação médica adequada.
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Tratamento pode causar infertilidade?
Em alguns casos, sim: ainda que muitos homens que param de tomar testosterona recuperem sua própria produção em poucos meses. Mas nem todos. Dependendo da dose e do tempo de uso, as pesquisas estimam que a proporção daqueles que nunca recuperam a produção própria fica entre um em cada dez e um em cada cinco.
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TRT funciona ou é placebo?
Muitos homens que administram a própria testosterona relatam sentir-se mais fortes, mais alertas e com mais energia.
Parte disso pode refletir uma mudança fisiológica genuína. Por outro lado, uma outra parte significativa é o efeito placebo – a tendência humana de se sentir melhor quando acredita-se que que se está sendo tratado.
Isso não torna a sensação menos real. Significa, porém, que a intervenção hormonal sem supervisão é uma jogada de alto risco por um benefício que pode existir apenas na mente da pessoa.
Siga as orientações
A recomendação dos médicos é certeira: faça o teste, saiba o valor e trate todo o resto – sites, influenciadores, contatos da academia – como anedotas, não como medicina.
Muitos homens não estão esperando. Em busca da masculinidade máxima vista e divulgada na internet, estão recorrendo à única substância capaz de fazer com que seus próprios corpos parem de produzi-la.
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Logo após a Segunda Guerra, quatro pedaços de pano revolucionavam o mundo. Com economia extrema e pureza de formas, biquíni é criação de um engenheiro francês. Já sua conclusão lógica, o "fio dental", é invenção carioca.
Foto: AP Photo/Brooklyn Museum of Art
Quatro triângulos e pouco mais
Quatro triângulos de tecido, unidos por cordões. Em 5 de julho de 1946, a dançarina de striptease Micheline Bernardini se apresentava às câmeras numa piscina pública de Paris, trajando o primeiro biquíni da história. Seu criador era engenheiro mecânico francês, Louis Réard, ainda sem noção da revolução que estava iniciando – não só na moda.
Foto: picture-alliance/dpa
"Bomba anatômica"
Fim da Segunda Guerra Mundial, início da Guerra Fria: no Atol de Bikini, Pacífico Sul, os EUA testavam suas bombas atômicas. Réard calca a publicidade para sua criação num jogo de palavras: "O biquíni, a primeira bomba anatômica".
Foto: picture-alliance/Mary Evans Picture Library
Desde os romanos
A rigor, o biquíni não foi uma invenção do engenheiro parisiense, pois é comprovadamente muito mais antiga a ideia de reduzir a roupa esportiva ao mínimo. Na Villa Romana del Casale, na Sicília (315-350 d.C.), encontram-se afrescos em que jovens romanas praticam esporte trajando o ancestral do biquíni.
Foto: picture alliance/ZB/W. Thieme
Alegria das garotas do calendário
Antes de se tornar estrela de cinema, a atriz americana Marilyn Monroe ganhava um dinheirinho extra posando para fotos em trajes de banho, destinadas a calendários e páginas centrais de revistas. Para as modelos, o advento do biquíni foi um presente, convidando à despreocupada seminudez. Esta imagem de 1949, exposta no Museu de Arte do Brooklyn, Nova York, chama-se simplesmente "Marilyn na praia".
Foto: AP Photo/Brooklyn Museum of Art
À prova de escorregão
Nos anos 1950, Hollywood faturava nas bilheterias com coreografias aquáticas protagonizadas por belas sereias – também de biquíni. Entre as modalidades esportivas celebradas, estava o esqui aquático, como nesta foto.
Foto: picture alliance/AP Images
Clássico das "Bond girls"
Quando, em 1962, a suíça Ursula Andress surgiu do mar trajando a peça, muitos moralistas ficaram de queixo caído nos cinemas. Até o descolado James Bond (Sean Connery) perdeu o fôlego por um momento. O filme era "007 contra o satânico Dr. No". O mesmo sucederia a Pierce Brosnan, exatos 40 anos mais tarde, em "Um novo dia para morrer". Dessa vez, a sereia era Halle Berry.
Foto: picture-alliance/dpa/UPI/Fox
Efeito Ursula Andress
Após a ofensiva bondiana, caíam na Alemanha os últimos bastiões da resistência contra o traje de banho de duas peças. No Porto de Hamburgo foram apresentadas as últimas criações para o verão 1963: o modelo Capri (esq.) tem parentesco inegável com o biquíni de Andress. À direita, o modelo Sissi, "conjunto íntimo moderno com uma nota esportiva".
Foto: picture alliance/L. Heidtmann
Mínimo e ainda furadinho
Na Alemanha Oriental, a moderna mulher comunista também tinha direito de exibir suas formas. A editora feminina Verlag für die Frau louvava o biquíni de crochê, que não exigia tanto fio de algodão nem muito tempo para confeccionar. A variante tornou-se popular também entre os hippies. A desvantagem é que o material pesa com a água. Hoje, dá-se preferência aos fios sintéticos.
Foto: picture alliance/akg-images
A pátria do fio dental
Quem diria: no Rio de Janeiro da década de 1950 havia uma associação antibiquíni. Isso não impediu a evolução da peça: por que quatro triângulos de pano, se três bastam? E assim nascia a tanga, logo apelidada de "fio dental". Pelos anos 1970 adentro, também sofreu má fama, até conquistar as praias cariocas, as do Brasil e, depois, o mundo.
Foto: picture-alliance/dpa/A. Lacerda
Presa perfeita para teleobjetivas
Com os biquinis, os paparazzi passaram a rondar também as praias, fotografando VIPs em situações reveladoras. A loira da esquerda é a famosa modelo e apresentadora de TV suíça Michelle Hunziker.
Foto: picture alliance/Riccardo Dalle Luche Excl/IPA
Esportivo, porém sexista
Em 1996, o vôlei de praia passou à disciplina olímpica, logo se tornando um dos esportes mais apreciados por ambos os sexos. Até 2012, o biquíni esportivo era obrigatório nas competições femininas, mas a Associação Mundial de Voleibol suspendeu essa regra sexista. Agora, as atletas podem se vestir como se sentirem melhor.
Foto: Getty Images/B. Kara
Biquíni tem museu
Em 2020 foi aberto em Bad Rappenau, na Alemanha, um museu dedicado à peça. Na foto, uma coleção de biquínis no estilo Brigitte Bardot.
Foto: picture-alliance/dpa/U. Anspach
Imortalmente sumário
Em marshalês, idioma falado em Bikini, a palavra significa "lugar dos cocos". Os habitantes do atol há muito deixaram Bikini para viver em áreas menos radioativas, mas o biquíni sobreviveu às décadas. Nas semanas da moda, os novos modelos de biquini são aguardados com expectativa.
Foto: picture-alliance/ZUMAPRESS/Zuma Wire/SMG
Andando com o tempo
Na época da pandemia de covid-19, com a obrigatoriedade do uso de máscaras em vários locais públicos, o ítem passou a combinar com o biquíni, como os modelos usados por essas mulheres na Itália, em 2020.
Foto: Giusy Marinelli/Ropi/dpa/picture alliance
Símbolo de liberdade
Ao longo das décadas, o biquíni se tornou um símbolo da liberdade feminina e dos avanços da sociedade em relação aos direitos das mulheres. Cada vez mais popular, as mulheres passaram a celebrar seus corpos com os biquínis.