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Terror e extermínio marcaram ofensiva alemã no Leste

Birgit Görtz/rw

Extermínio nazista no Leste europeu foi tabu por muito tempo na Alemanha. Hoje, predomina o consenso de que Exército alemão foi usado por Hitler no seu longamente planejado projeto de "espaço vital ariano no Leste".

Prisioneiros soviéticos com soldados alemãesFoto: Walter Henisch

Operação Barba-Roxa foi o nome dado por Hitler à invasão da União Soviética, iniciada sem declaração de guerra em 22 de junho de 1941 e que mobilizou três milhões de soldados num único dia. Para o líder nazista, era a concretização de um plano que havia começado a arquitetar 20 anos antes.

Seu sonho era erigir um grande império germânico que se estendesse até os Montes Urais, no limite da Europa com a Ásia. Para ajudá-lo neste propósito, Hitler espalhou o boato de uma conspiração judeu-bolchevique, que segundo ele tinha de ser combatida.

Os primeiros a sentir a crueldade do regime nazista foram os prisioneiros de guerra. A tática da blitzkrieg (guerra-relâmpago) havia sido eficiente também na União Soviética, levando à prisão de milhares de soldados do Exército Vermelho.

Execução para aliviar o sofrimento
Gueto de Slobodka, na LituâniaFoto: AP

Em seu diário, um capitão do Exército soviético descreveu da seguinte forma o martírio no campo de prisioneiros: "O médico avisa que já não se pode mais suportar a fome, que há casos de canibalismo entre os soldados. A angústia por comer carne os leva a atacar seus camaradas. Além disso, as fezes humanas tornaram-se um petisco cobiçado. Em vista destas condições insuportáveis, o médico apelou por uma única solução possível: a execução a tiros dos que passam fome, para aliviá-los do sofrimento".

Mais de três milhões − do total de cinco milhões − de prisioneiros soviéticos em poder dos alemães morreram até o final da guerra, a maioria por causa de epidemias ou desnutrição.

Cruel, desumano, mortal

O trabalho sujo por trás do front era feito pela Schutzstaffel − ou SS (tropa de choque), chefiada por Heinrich Himmler. As mais cruéis eram as tropas do Sicherheitsdienst − SD (serviço de segurança) que, calcula-se, mataram 900 mil pessoas durante a ofensiva alemã no Leste europeu.

Junto à documentação dos julgamentos dos crimes de guerra nazistas, em Nurembergue, está arquivado o depoimento de uma testemunha ocular do massacre na ucraniana Dubno, em que morreram cinco mil judeus.

Ela descreve um massacre: "Junto a um monte de terra havia uma enorme vala comum. Lá dentro, enfileirados, os corpos estavam tão amontoados que só se viam as cabeças. Alguns dos executados ainda se mexiam. Completamente nuas, as pessoas eram obrigadas pela SS a descer uma escada cavada na parede da enorme cova. Elas escorregavam sobre os corpos até o local determinado pelo alemão e se deitavam junto aos demais. Alguns acariciavam os que ainda viviam e conversavam baixinho com eles. Aí escutei uma série de tiros".

No vale de Babi Yar, perto de Kiev, na Ucrânia, aconteceu o maior assassinato em massa de judeus. Ali, um comando apoiado pela Wehrmacht (Exército alemão) matou quase 34 mil judeus em setembro de 1941.

Guerra criminosa

Rendição da Wehrmacht em Stalingrado, em 2 de fevereiro de 1943Foto: AP

Soldados soviéticos, judeus, eslavos − ninguém podia se sentir seguro das crueldades praticadas pelos ocupadores. Os horrores continuaram mesmo quando os alemães, acuados, retornaram da batalha perdida no Leste durante o verão europeu de 1943.

"Não me interessa se dez mil mulheres morrem de esgotamento ao cavar uma trincheira para tanques. O que me interessa é que a obra fique pronta para a Alemanha", salientou Himmler em 18 de outubro de 1943.

E acrescentou: "Nunca seremos brutais e impiedosos onde não é necessário, claro. Nós, alemães, que somos os únicos no mundo a termos uma mentalidade decente em relação aos animais, também trataremos de forma decente estes seres animalescos".

A SS, o serviço de segurança e a Wehrmacht compuseram uma aliança que levou o flagelo aos territórios ocupados no Leste europeu. A Wehrmacht foi envolvida na guerra criminosa de Hitler e acabou se tornando cúmplice numa campanha de extermínio.

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